Archive for 2013
Carta à ruptura
segunda-feira, setembro 30, 2013 § 0


No braço, um abraço
domingo, setembro 29, 2013 § 0
Se mostro um afago é descaso.
Um amparo ao lado, "que raso".
Até um beijo, um abraço, "que vago".
Te olho, "que amargo"
Te pinto e descarto
Decido meu amor no braço.
O que posso é tentar
Não apenas sonhar
Te amar é meu puro desvendar.
Este caminho é corrido
Até já conhecido
Me volto e me animo
Mas não passo de seu eterno amigo.
O que posso é viver
Paralelo a você
Até que possa enfim
Te merecer.


O que se ganha
quarta-feira, setembro 25, 2013 § 0


Uma geometria humanizada
É sobre o final que discute-se este trajeto, e se mostra-se ou não correto, descobriremos ao mais breve sinal.


Um tempo agora
A pergunta se fez, o ato construiu e a resposta surgiu.
Não mais permaneço num receio do "sou". Sei que estou, diferente de como estive e distante ainda do que estarei. Viverei, como vivo, nutrido e amado, devolvendo este afago a quem sinto amigo.
À brevidade, um abraço.
O ato à continuidade.


Um tempo outro
terça-feira, setembro 24, 2013 § 0


Vivamo-nos
quarta-feira, agosto 28, 2013 § 0
Somos.
Vivemos. Agora. Depois, também, e continuaremos vivendo.
Vivamo-nos.


Onde estou
O chão não existe no passado. É imagem.
O chão não existe no futuro. É projeção.
Amo onde piso, onde estou, o que sou.
Estou aqui, no fim daqui, no começo de mim.
Algumas páginas restantes, porém tantas, tantas a serem preenchidas.
Aprendi a amar o branco, o vazio, o espaço - esta é a proposta. É o início, é o convite. O branco me chama a preenchê-lo, contá-lo, dizê-lo, em conjunto, a contorná-lo, a desenhá-lo, a sê-lo.
Sou este branco quando branco não mais for.
Sou tinta, sou incisão, intervenção. Cometo, cometo cor, cometo ideia, cometo erro, cometo alma.
Coloro tanto, porém tudo se torna tão transparente.
O que sou está aqui, está lá, porém não. Está nos seus olhos, no seu repertório. O que eu sou está em você.
Sejamos todos, sejamos ninguém, sejamos alguém, sejamos além.


Transcendendo
É nossa reorganização, a dança dos átomos, realinhando-se em um novo quem.
"Quem" é pouco, se é tudo, se é alguém, se é coisa, se é carne, se é rígido.
Quisera-se transformar-se em coisa, pois és, desde já, seja impermeável.
Seja tudo, seja nada, seja nado, seja ruído.
Transfigure-se, transcenda a si mesmo, seja pele, seja vidro, seja caminho, seja destino.
Retorne, remolde, repita, reforme.
Seja, até não ser mais.
Reencontre-se além, despeça-se de si se percebe que você não existe mais aqui.
Exista outro, esqueça-se, deixe-se, reviva, renasça.
Tu já pegaste fogo, as cinzas já são você. Basta, apenas, se erguer.


Uma paixão análoga
Tanto, mas tanto, resumido em algo tão simples. Não é verde, não é amarelo, é amarelo também é verde, é verde mas também tem amarelo, é bela, é simples, é reluzente, acaricia com seu calor embora pudesse ter sido fria, por tão pouco, quase, quase foi outra, mas é ela, é bela, repito e me admiro.
Me corresponderei com ela por muito tempo, ai que felicidade. Não vejo o fim chegar, ela é nova, estará comigo por tanto tempo, um pedaço da luz, um pedaço da natureza, um pedaço de mim.
Ai, vai, diz que sim...


Amarelo no branco


Uma edificante epidemia
terça-feira, agosto 27, 2013 § 0
O ritmo, a fonética, o pensar rítmico, a escrita sonora, o dizer febril, o registrar curador.
Minha febre é paz, minha doença me nutre, me fortalece, meu tossir me confirma a vida.
Espero ajudar a contaminar outros, quero esta edificante epidemia, ai que calor.
Vá.
Seus dedos aguardam a firmeza das cores que te registram.


A palavra vive
segunda-feira, agosto 26, 2013 § 0
Vida!
Plantamos esta semente aqui, ali, vamos plantando a ideia em nosso caminho. Somos Elzéard Bouffier da ideologia, dos sentimentos. Cultivamos esta comunicação na esperança de se encontrar nos braços literários de outro.
Plantamos nossa palavra aguardando que outros cheguem e a reguem, a amem, digam palavras doces sobre suas folhas, sobre seus frutos; que os colham e utilizem-nos para salvar um enfermo, ou mesmo alguém que não saiba precisar do fruto da palavra.
Os frutos caem com o bater dos ventos, as sementes crescem, dão novas folhas, flores, novos frutos, novas palavras. A palavra se multiplica, a palavra se alastra, a palavra alcança.
A palavra vive.


À procura
domingo, agosto 25, 2013 § 0
Encontre-se assim, encontre-se sem fim, encontre-se em mim, encontre-se jasmim.
Encontre-se dor, encontre-se flor, encontre calor, encontre-se amor.
Encontre-se movimento, encontre-se temperamento, encontre-se envolvimento, encontre-se sentimento.
Encontre-se filosofia, encontre-se ideologia, encontre-se magia, encontre-se harmonia.
Encontre-se.
Encontre-se vida.


Frio, o calor
sábado, agosto 24, 2013 § 0
o frio
o toque
no frio
o frio
no toque
aquece
a despedida
no toque
do frio


Confirmação
sexta-feira, agosto 23, 2013 § 0
Rebele-se.


DIY
quinta-feira, agosto 22, 2013 § 0
Seu recurso é você.
Você é seu pincel, você é sua cor, você é sua palavra.
Seu melhor pensamento é o sentir.
Seja sincero, seja verdadeiro, seja você.
Eu quero conhecer você.
Eles querem conhecer você.
Você quer conhecer você.
Seu sentimento te edifica.
Seu sentimento te traduz.


Fluidez
quarta-feira, agosto 21, 2013 § 0
Pode-se imaginar e anteceder sua personalidade, seus trejeitos, sua aparência e sentimentos, apenas por seu nome. Mas isso funciona apenas para nós, que estamos aqui, à beira de uma página, à beira do papel, à beira da poesia da árvore.
Já conhecemos a estrutura das intenções da palavra. Deciframos uma criatura apenas por seu nome mas, curiosamente, nossas expectativas e atitudes tornam-se outras se esta bela criatura existe.
A vida de Fluidez é uma enquanto atrelada às cores de uma caneta. Outra, quase oposta, quando atrelada à realidade da carne, dos órgãos, do respiro.
Tu tratas Fluidez com simpatia ao lê-la e imaginá-la.
Tu tratas Fluidez com amargor ao vê-la, conhecê-la, apertar-lhe as mãos.
"Fluidez? Que patético."
Assim como ela, escolheremos todos à viver uma vida nas páginas à atrever a enfrentar uma realidade cotidiana apoética.
Você conhece Fluidez.
Ela passou pelo seu caminho, você tirou sarro e seguiu adiante. Você a esqueceu para depois admirá-la em belas palavras de descrição.
Encontre-a hoje, ela está em todos os caminhos, em todos os lugares. Veja-a, ouça-a, ouça-a, ouça-a.
Uma palavra proclamada não pode valer menos que uma palavra escrita.


Maqêdo | A raíz
terça-feira, agosto 20, 2013 § 0
Ele vive.
Você vive.
Eu vivo.
Porém eu sou visto, você é amado, Maqêdo é ignorado. Como é possível amar palavras mais que um ser vivo?
Eu o lia enquanto carne.
Tu o lês enquanto intangível.
Leia, por favor, leia, leia, leia seu próximo. A poesia vive na carne que respira.


O elemento cíclico
segunda-feira, agosto 19, 2013 § 0
Não sabia o que era nome, o quera família, o que era destino, o que era.
Tinha a cor da mesma terra de onde se levantou, e logo ali, olhando para o buraco de onde saíra, entendeu: era filho da terra.
Andou alguns passos e abraçou uma árvore. Logo, entendeu o que era família, o que era afeto, ao ser coberto com as folhas que caíam de sua irmã. Era amado.
Animais passavam, pássaros cantavam, todos viviam. Logo, entendeu o que era casa.
Era filho da terra e queria, então, dar-lhe netos. Tirou sua perna e a plantou. A outra também. Depositou cada uma de suas partes em um local de sua casa, deixando-se, por último, onde poderia renascer e crescer vendo suas crias florescerem. Continuou, mesmo ao seu fim.
Da terra saiu, à terra voltou, e da terra retornou.


O não-ato final
domingo, agosto 18, 2013 § 0
Seria outro? Transformar-se-ia em um alguém outro quem. Transformar-se-ia em silêncio, invariavelmente, posteriormente. Poderia seu silêncio transformar-se em eco?
Retornaria. Retornaria? Como poderia se apegar ao eterno retorno quando não havia qualquer coisa mais à qual retornar?
Está. Existe. É. Agora. Há apenas o presente, e isto é tão absoluto quanto o sol que não nascerá amanhã.
Esvazia-se. Abre-se. Eleva-se. Alinha-se na órbita do presente, aquele, que recebemos de alguém querido.
Abraça seu presente. Agradece por seu presente. Alegra-se. Será ideia, será eco, será sentimento.
É sentimento.
Sente.
Sentiu, sente, sentirá.
Ao fim, o único verbo que lhe estava garantida a eterna conjugação.


Um salto
sábado, agosto 17, 2013 § 0
Talvez devêssemos remontar as peças e entender a imagem formada por este belo quebra-cabeça.
Sim, amo as curvas. Amo o precipício ao fim da estrada, mas amo mais o salto que é preciso dar para alcançar o outro lado dele, a outra beira, o outro limite.
Recomeçar uma estrada desconhecida, um país outro, outra língua, outro pensar.
Reconhecer-me no fundo dos olhos do desconhecido, e enxergar ali um outro eu, um outro "posso", um outro "consigo".
Seu melhor espelho é aquele que você espera que não o seja. É aquela surpresa de se identificar em grãos de terra, em uma fruta suspensa, no olhar de um gato.
Veja o outro, veja o próximo, veja o distante e veja o respiro, veja a vida, veja a mutação, veja a emoção.
Não deposite sua vida em uma linha reta. Ame as curvas, ame o salto.
Remonte seu quebra-cabeça, e veja a abstração te sintetizar.


Uma convicção mútua
sexta-feira, agosto 16, 2013 § 0
Ele poderia corresponder às suas vontades, até mesmo um pouco às suas próprias, porém pairava sobre sua cabeça a dúvida de que isso realmente seria um recomeço. Poderia deixar tudo para trás?
Foi até ela. Se satisfizeram. Esqueceu tudo o que havia acontecido anteriormente.
A carne está envolta da ideologia.
Lambe-se suas crenças, chupa-se a idoneidade, tudo para chegar à carne, ao júbilo inigualável.
Quem eram aqueles dois que se levantavam agora não importava mais. Estavam preenchidos de uma satisfação maior do que a trazida pela conviccção.
Estavam convictos, sim... Convictos da carne.


Um imenso bem-estar
quinta-feira, agosto 15, 2013 § 0
Vamos seguindo, partindo de um novo capítulo, de novas perspectivas, de novas experiências.
Jamais voltar atrás, o horizonte está à frente, vejo-o por sob a névoa que criei.
Estou assoprando, abro meu caminho, meu compasso está a meu lado, segurando minhas mãos, mesmo se me esqueço em alguns momentos.
Não estamos sozinhos aqui, ninguém está. Não vemos, frequentemente não ouvimos, porém sentimos, acreditamos e seguimos este caminho compartilhado.
Ninguém trilha solitário um caminho de pedras. Vivemos todos em uma floresta, onde cada um escolhe sua árvore de referência e suas flores às quais perseguir. Mas estamos todos aqui, compartilhando das mesmas cores e nos reencontrando entre uma semente e outra.
Podemos seguir, até mesmo nos distrair, que encontraremos nosso lar, banhado em um imenso bem-estar.


Sem destino
sábado, fevereiro 09, 2013 § 0
Sem destino programado, caminho cada sentença de uma sílaba vivida, e assim percorro meu conhecer, uma frase sem fim, um ponto sem nó, a vírgula é esta minha parceira, e juntos continuaremos o meu não saber, o meu ir, o meu retornar, o meu partir.
Retorno, e me volto outra vez.


Esta palpitação
quinta-feira, fevereiro 07, 2013 § 0


Maria Rosa
sábado, janeiro 19, 2013 § 0


O verso da prosa
quarta-feira, janeiro 16, 2013 § 0
mas disfarça
a farça
que me alveja
E a gente embarca
sem se despedir
e sem perceber
que estamos prontos para nos reconhecer
Já parti
e me transformei
ao regredir
àquilo que senti
E gostei
daquilo que me tornei
e agora sei
que não retornarei
Estarei comigo
conhecendo meu destino
e me determino
a ser meu amigo
Agora me planto em seu abrigo
para ser seu
e se me colhe com afinco
posso enfim ser eu


Um encontro
Que injusto de minha parte, me iniciar com uma pergunta, e ainda, uma sem resposta. Não a conheço, talvez possa tê-la visto sem saber que era ela, por isso não posso descrevê-la, não posso narrá-la, posso apenas desejar um dia conhecê-la. Não sei bem quando. Sobre o destino, acredito nele quando eu o desejo, quando espero que realize-se, que me traga o que preciso. Acredito no destino por pura necessidade. Sei que preciso de alguém comigo, e sei que esse alguém é ela, com quem irei trombar num momento oportuno, onde poderei me desculpar apenas para então me apresentar. E então, ela saberá que eu sou ele.
Não. Assim como não sei seu nome, ela também não sabe o meu. Poderemos nos apresentar e ainda assim não nos reconhecermos. Terei de dizer algo bonito, algo agradável, ela retrucará, sei que ela será geniosa, gosto assim, das inalcançáveis, mesmo que estejamos perto, o rosto próximo do dela, ainda assim estarei tão longe. Ela será difícil, não poderei tocá-la até conquistá-la, mas não sei bem como. Não a conheço, não sei seus gostos e desgostos, seus sonhos e seus medos. Talvez seja melhor assim, poderei conhecê-la devagarzinho, saboreando cada sílaba de seu contar. Quero isso, me aproximar, nos tornarmos um. Mal posso esperar.
- Olá, desculpe, não pude deixar de notar você escrevendo. Parece conter tanta paixão enquanto o faz. O que você escreve?
- Dá licença moça, não vê que estou ocupado? Oras.
Como ia dizendo, mal posso esperar o dia em que esse encontro acontecer. Ainda bem que essa moça se foi. Posso continuar a escrever.


Aquele toque
domingo, janeiro 13, 2013 § 0
Posso começar do fim, e dizer que o início é o toque. Ele, justo ele, começa a história, quando sentimos o outro e percebemos constatamos sua realidade, construindo o que imaginamos, vendo urgir esta necessidade do corpo do outro, tanta sagacidade para unificar esta dualidade. Deixa-se escorrer a inabilidade para tornar-se o gestor da sensação. É, de antemão, o louco da paixão, e então toca. Toca o outro. O último ato é de fato o primeiro, onde germinam as sementes, pulsando este sentimento que retorna, que vem, e não se vai, apenas percorre o corpo dentro das veias, dentro da pele, é a própria carne que nos envolve, e nos devolve esta vontade, esta habilidade em dividir desta única verdade: a de que a saudade do toque é aquilo que nos move. Este tempo entre o toque é o enfoque do pensamento. Os segundos que o antecedem são esta eternidade, a dor de uma imensa ansiedade.
Posso acabar com o início, e dizer que o fim é, enfim, esta fragilidade.


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