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Maqêdo | Além das Pedras e Areias

Terça-feira, Março 03, 2009

Sendo esta uma dádiva incomum, existem poucos aqueles que ultrapassam certas barreiras.

Como um personagem incomum que, dentro de sua própria história, enxerga teu narrador como um de si. Um igual.

Maqêdo, como um personagem incomum, sem sê-lo de fato, aponta-me seus dedos grossos de sabedoria encardida olhando em desencontro aos olhos meus, dizendo-me silenciosamente que conhece mais do mundo que minhas palavras conhecem dele.

Este vê-me.

Como alguém incomum, alguém além, este testa-me a compreensão mostrando-se capaz de atravessar certos limites que acreditamos existir, enxergando além das pedras e areias com as quais nos encobrimos, reclusos, além da carne, além dos olhares, além das linhas, além do fim, além de nós, além de mim.

Este vê-me.

 

Ele

Terça-feira, Julho 29, 2008

Como a fumaça de um cigarro que, antes que você sequer perceba, já se dissipou pelo ar sem deixar o menor rastro, além apenas de um gosto amargo que fica na sua lingua e um estranho desejo de fumar novamente.

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Sombras da Cidade

Quinta-feira, Julho 24, 2008

Desde pequeno, sempre tive pequenos medos. Coisas bestas, passageiras. Sempre foi complicado dormir em casas que não fossem a minha. Por mais que tudo corresse normalmente durante todos os dias, era sempre à noite, naqueles longos e aparentemente eternos instantes antes de o sono nos derrubar, quando havia o medo.

Meus amigos e eu sempre acabavamos por entrar nas intermináveis discussões sobre a existência ou não de fantasmas. Sempre havia opinião de qualquer um dos lados da questão. E então havia eu - o que se mantinha em silêncio, se lembrando das sombras desenhadas nas paredes antes de dormir.

Hoje já não penso mais sobre isso. Me acostumei com a existência deles. Vejo-os todos os dias, em vários locais diferentes pelos quais passo todos os dias, religiosamente. E por todos os outros que acabo por ir também. Eles estão em todo lugar.

Hoje um deles estendeu o braço humilde enquanto eu cruzava ao seu lado. Resisti. Como eu disse, já me acostumei com sua existência. Não há nada que eu possa fazer. Apenas evito entrar em conflito, e então está tudo bem.

Antes que eu chegasse em meu escritório, encontrei com vários deles, distantes, ocultos nos cantos das largas ruas da capital paulista. Um menino de prováveis sete anos, uma menina de prováveis catorze, e outra de prováveis dezessete. Prováveis irmãos. Sujos. Sujos. Andavam juntos e então se espalhavam por entre as pessoas no ponto de ônibus, estendendo o braço insistentemente frente a elas que, assim como eu, aprenderam a não olhar.

Fantasmas não existem.

O sinal não abria, e comecei a ficar impaciente porque, lá longe, vi um deles se aproximando diretamente a meu carro. Meu vidro estava aberto pela metade, e isso não era suficiente. Ele era imundo. Seus dreadlocks deviam conter a maior quantidade possível de sujeiras da cidade grande. Sua calça e blusa - as mesmas desde que cruzei esta rua pela primeira vez. Hoje era de mim que ele se aproximava. De repente, me vi novamente deitado sobre a cama que não era minha, numa casa que não era a minha, no escuro, instantes antes de o sono bater. Estava vendo as sombras nas paredes percorrerem em minha direção. Mas dessa vez o sono não iria bater. Eu continuaria acordado, e o fantasma chegaria em mim. Minhas pernas tremiam.

Sua boca horrendamente torta, com sujeiras gosmentas no canto dela, e restos de comida grudados naquela barba grande crespa, e ele olhava diretamente aos meus olhos. Grunhia qualquer coisa de insano, enquanto estendia a mão preta de podridão em minha direção.

Fui firme. "É apenas um fantasma". Apertei rigidamente o botão, ao que o vidro sobe lentamente. E minhas pernas param de tremer. Não tinha mais com o que me preocupar.

"Ele não existe."

"Fantasmas não existem."

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De Espaço

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Descobrimos então que ali, naquele cantinho escondido, havia um vazio.
E ali resolvemos guardar nossa alma, com a ingênua certeza de que algo sem conteúdo devesse pertencer a um local inexistente.

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Poligamia Matinal

Terça-feira, Julho 15, 2008

- Bom dia, café.

E foi aí então em que ele percebeu que acordar e enxergar uma xícara de café gigante dormindo ao seu lado poderia não ser um bom sinal.

Hoje, ele está casado com outras três esposas - todas membros do The Coca-Cola Company.

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De Quem

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Certas vezes falo em Italiano pra fingir pra mim mesmo estar dizendo palavras que não são minhas quando, na verdade, são.

Já desaprendi o Português.

Já desaprendi quem sou eu.

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Em Molduras Vazias

Terça-feira, Junho 24, 2008

Decidiu então comprar uma pintura. Foi direto na mais adequada a ele, larga, espaçosa, cheia de sentimentos. "Magnifico". Levou para casa feliz e na parede da sala pendurou.

Uma semana depois quis destruir. O irritava.

No dia seguinte amava novamente a pintura.

No fim de semana seguinte, o quadro se encontrava na lixeira. Ou os restos de.

Decidiu que aquele não o alegrava o suficiente. Devia haver cores frias em excesso. "Artistas e suas mensagens subliminares...". Comprou outro. Somente cores quentes. Um deserto sob toda a paixão do Sol. "Perfeito".

Em um mês, estava pendurado na parede da larga sala da vizinha pobre. "Cores em excesso. Artista exagerado".

Comprou outro. Outro. Outro. Decidiu no inverno fazer uma fogueira.

A parede então se encontrava vazia novamente. Sentou-se à frente dela e ficou em silêncio. Aguardou.

Decidiu então comprar uma moldura. E a moldura vazia pendurou. E uma televisão velha queimada comprou e na estante principal colocou. E nas paredes do espaçoso quarto, pequenas molduras vazias espalhadas esporadicamente.

"Ok. Agora posso ver e sentir o que eu quiser ver e sentir quando eu achar que deva ver e sentir."

Ele não comprou outras pinturas.

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MOURISMENT #3

Segunda-feira, Junho 23, 2008

O mais tosco de se ter um blog por 3 anos é se esquecer do aniversário do mesmo.

Então, só pra constar: dia 19 último, quinta-feira, MOURISMENT completou seus 3 anos de pura pseudo-intelecto-cultura. Desejem felicidades a ele. MOURISMENT é amor.

E bora pro quarto ano.

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Contratempo (2)

Domingo, Junho 22, 2008

(23:59) Mouris: hahaha se perdeu em qual texto?
(00:00) Pedro Raychtock: no do sol
(00:00) Mouris: hahaha não entendeu?
(00:00) Pedro Raychtock: entendi um pouco, mas bem pouco
(00:00) Pedro Raychtock: huahuahua
(00:00) Mouris: haha eu enrolei demais nesse texto.
não é dos bons não.
(00:01) Mouris: não gosto de narrar cenas.
nunca gostei
(00:01) Mouris: por isso sei que não nasci pra ser escritor de romances
(00:01) Mouris: odeio narrar.
(00:01) Pedro Raychtock: engraçado porque as suas narrações de cena são as mais legais
(00:01) Mouris: hahaha
(00:08) Mouris: mas eu enrolei demais.
poderia simplesmente ter dito "entao..o cara acordou e foi olhar lá na janela, e a porra do sol não tava la não. FODEU o cara pensou, né.... 'to ficando loco'... ai o cara olhou de nooov.. 'PORRA MEU! CADÊ O SOL CARALHO!? FODEU MANO!'
ai o cara saiu correndo né.. foi pro outro lado da casa, e tava lá a porra do sol, DO LADO ERRADO!.. a porra do sol tava do lado onde era pra se pôr... 'PORRA MEU! É O FIM! É A MORTE! FODEU'... ai o cara já tava na nóia né.. foi correndo gritar com a vaca da mãe dele... 'FODEU MANHÊ! FODEU!'... e a mãe dele né, super sussa, tava manjando de tudo já... 'ih, relaxa a bunda ae filho, tá tudo nos controle'... 'POOOORRA MAE! O SOL TA DO LADO ERRAAAADO!!!!! SE LIGA VÉIA!'... ai a mãe dele já tava ficando puta né, tava lá toda sussa preparando o cafézinho dela, e o inutil do filho vem gritando se achando a cher.. 'PORRA FILHO.. LARGA A MÃO DE SER BURRO! DEUS TA FODENDO A GENTE, TÁ ENTENDENDO NÃO!?'.. e o pior é que o muleque era tão idiota q não entendeu porra nenhuma mesmo né.. "POORRA FILHO! SE LIGA! A GENTE TÁ TUDO SE MATANDO AQUI, UM COMENDO O OUTRO, ATÉ AS CRIANÇAS TÃO COMEÇANDO A SE JOGAR DO 6º ANDAR DE DESESPERO.. PORRA MEU! SE ACHA O QUE!? DEUS FALOU 'FODA-SE MANO! VOU COMEÇAR DE NOVO, SOCIEDADE DE MERDA DA PORRA'.. AGORA PÁRA DE CHILIQUE E VAI APROVEITAR A PORRA DESSE RESTO DE VIDA DE MERDA QUE TU TEM, MULEQUE DO CARALHO!"
(00:08) Mouris: "e ae o muleque sumiu né! e a porra do sol começou a se por.. ÀS SETE DA MANHÃ! ÀS SETE DA MANHÃ!"
(00:08) Mouris: "ai a véia pensou
(00:09) Mouris: 'vou bater uma siririca né.'
(00:09) Mouris: FIM.

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Da Liberdade da Alma

Sábado, Junho 21, 2008

Um dia, seremos todos andróginos. E então, quando nossos corpos estiverem libertos, a sociedade estará pronta para a liberdade da alma quando, então, deixará de se preocupar sobre "a que" amar, para se preocupar com "a quem" amar.

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16''

Quinta-feira, Junho 19, 2008

Ele tirou então o telefone do gancho, discou um número qualquer, e assim que atenderam, gritou com toda a força que tinha durante dezesseis segundos, até perder o fôlego, e desligar.

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Contratempo

Terça-feira, Junho 17, 2008

Eis que ele, acostumado a acordar pontualmente às 7:00 e ir direto à janela do quarto, onde conseguia ver belamente um Sol recém nascido, no dia de hoje se depara com um imenso vasto de nada no horizonte, ao invés do forte brilho do Sol que tanto gostava de admirar.

Fica confuso e duvida de sua lucidez.

Volta à janela, e ainda nada lá, apesar de a manhã estar tão clara como sempre. Repara então nas sombras que, hoje, surgem no lado oposto ao qual deveria.

Corre para o lado oposto da casa, e escancara a porta, se assustando de imediato com um Sol inesperado. Com urgência, corre até ela na cozinha, que preparava o café, de pé, no exato mesmo lugar e com a mesma serenidade de todos os dias.

- Você está vendo!?

- O quê filho?

- O Sol!

- Sim. Vi sim.

- Mas.. O quê... !? ...

- Isso é Ele desistindo - ela diz, tranqüilamente, enquanto vira o bule sobre a xícara, que serve então a ele.

Ela percebe a contínua expressão de confusão nele, e tenta ser mais clara.

- Ele desistiu de nós. Como um artista que erra o traço, ele está, agora, apagando. Desistiu de nós e decidiu recomeçar do zero.

Pronuncia as últimas palavras virando a xícara em direção aos lábios, enquanto admira, apaticamente, as sombras no chão se aproximando de si, em efeito de um Sol nascente que, na verdade, começava a se pôr.

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Be the Miracle

Segunda-feira, Junho 16, 2008

"Be the miracle", escrito graciosamente em caneta bic azul sobre o post-it, que agora se encontrava grudado num cantinho da tela do computador do outro, que fica com um secreto sorriso no canto dos lábios ao ler as sutis palavras, com a gostosa sensação de ter a chance de fazer tudo dar certo desta vez.

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Antes Que Você Perceba Ser Humano

Sábado, Junho 14, 2008

Vou viajar pelo mundo, e abraçar corpos desconhecidos como fossem meus amantes de 20 anos de história.

Entrar em casas às quais nunca fui convidado e me sentar à mesa da cozinha falando sobre a novela local, esperando gentilmente que me sirvam um café, ou, oferendo-me pra tal.

Vou pegar as chaves, ajeitar o banco, e dirigir sem noção de tempo, espaço, vida, universo e tudo o mais, como fosse um jogo de vídeo game, daqueles que a gente senta e não desgruda até ter a certeza de que, enfim, acabou. E depois ainda volta e começa tudo outra vez, com a mesma paixão de antes.

Vou me apaixonar pela morena que cruzar na próxima rua à direita. Me casarei com ela, viveremos felizes para sempre, até quando não quisermos mais. E então me apaixonarei de novo, inconseqüentemente, por outras morenas, morenos, cachorros e alienígenas que a vida jogar sobre mim.

Inconseqüentemente.

Sem parar pra pensar, ou estudar, ou refletir. Apenas ir. Viver. Sem valores e regras e livros e métodos e formatos que tentem aplicar a mim. Sem valores alheios. Vou seguir a vida aos meus valores, ou até sem qualquer valor, ou moral, ou ética, ou qualquer coisa que me limite a... não viver.

Inconseqüentemente.

Vou me preocupar mais em ser feliz. Ignorar os olhares do mundo, e as expectativas sobre quem sou de pessoas que não são eu. Que não são eu. Vou me preocupar em viver.

Inconseqüentemente.

Virarei à esquerda quando tiver de virar à direita, e esperar encontrar o amor como num filme bonitinho onde tudo sempre dá certo. Tirando a parte onde tudo dá certo. Não quero que nada dê certo. Quero que aconteça. E que siga em frente. Quero crescer com cada tropeço, choro e despedidas que tiver de dar nessa vida. Todas as despedidas que tiver de dar nessa vida.

Vou parar de me preocupar em falar o correto, o belo, o esperado, o inteligente. Vou xingar e espernear por aquele que me abandonar, tudo pra crescer, e seguir em frente depois.

Vou virar jogador de futebol.

Talvez a predisposição a ser absolutamente nada do que eu pretendo me faça justamente ser o que eu deva ser. E não compreender de forma alguma o que essa frase diz é absolutamente compreensível e faz totalmente parte da arte de ser o que quiser ser, e ouvir o que quiser ouvir, e viver o que quiser viver.

Vou virar jogador de futebol, e abandonar a língua portuguesa, e cometer os maiores crimes gramaticais.

Será que, talvez, assim a gente se torne uma pessoa feliz?

O que pode me fazer uma pessoa feliz?

Vou aceitar os convites que me fizeram, terminar esse texto, e mostrá-lo a vocês. Talvez, assim, eu me torne uma pessoa feliz.

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De Unknown Soldiers das Artes

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Sabe... Na real mesmo, a graça é não se levar a sério.

Existem artistas de todo tipo, em todo canto. Nem precisa estar envolvido com a so-called "arte" em si, porque até os químicos, cientistas de qualquer tipo, são artistas em seus meios.

Então, na real mesmo, você pode ser artista em qualquer lugar, gênio de qualquer forma, em qualquer círculo... Mas, não tem como discutir que, o verdadeiro artista mesmo, é aquele que exerce a arte de não levar a sério.

A arte de não se levar a sério.

É essa a essência que falta a muitos, e que, normalmente, pode levar os so-called "grandes gênios em potencial" a serem absolutamente mal sucedidos e frustrados. Ou até o contrário. Talvez se levar sempre tão a sério seja justamente a essência do sucesso.

Auto-promoção talvez seja tudo.

Mas, se for mesmo...

Prefiro elogiar e admirar os gênios desconhecidos que sempre tiveram a capacidade de rir de si mesmos. Aqueles com sorrisos largos, coração grande, e chinelos nos pés.

Gênios da arte de rir de si mesmo.

Seres humanos, enfim.

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Outra de Amor e Dor

Sexta-feira, Maio 23, 2008

- E você? Como está?

Ele então se curva em direção aos pés, e começa a retirar o cadarço de seu tênis. Se levanta de volta, pega o punho fechado da amiga, que começa a enrolar com o cordão, até dar fortes nós, que machucam a garota.

- Que porra...!?

- To te respondendo. É assim que me sinto.

- Com a mão pulsando de dor de tão presa que está!?

- Não a mão. O coração.

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Prólogo à Vida

Terça-feira, Maio 20, 2008

Ao caminhar pelo corredor em direção à porta, já pude notar o distante som. Logo ao abri-la, senti em mim o sutil ritmo que ecoava pelo apartamento vindo do antigo gramofone ao canto da sala. Depois de poucos instantes já percebera que Sur le Fil tocava incansavelmente, vez após outra, em toda sua miséria e tristeza. Assim como nosso retrato, que aparecia agora, ampliado, sob uma fraca luz na parede oposta à larga janela que, igualmente surpreendente, aparecia agora descoberta por inteira, como um braço à torcer pela beleza da cidade distante, que iluminava com graciosos brilhos a taça de vinho tinto, intacta, sobre o balcão da cozinha, que antes sequer que pudesse erguer em direção à minha boca, me fez notar o grande balão cor de rosa no chão da sala, com um rosto feliz minuciosa e pacientemente desenhado, e foi então que tive certeza: ela estava morta.

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Despedida

Quinta-feira, Abril 10, 2008

O amigo o vê chegando, que se senta a seu lado.

- Estou entediado. O que faremos hoje?

- Não sei. Tenho já meus planos. Você não fará nada?

- Não. Devo ir pra casa e dormir. Deve ser o mais o próximo de animação que conseguirei hoje. E você? O que fará?

- Nada demais. Devo morrer.

- Legal.

[...]

- Só tem isso a dizer?

- Como assim?

- Acabo de dizer que vou morrer.

- E eu disse "legal".

- Não se importa?

- Claro que me importo. Te amo. Mas você parece decidido.

- Não vai tentar me salvar? Convença-me de que é um erro!

- Mas não é um erro.

[...]

- Vou morrer.

- Cuidado pra não se machucar.

[...]

- Mas vou morrer.

- Mas até morrer pode doer né. Toma cuidado.

[...]

- Por que faz isso?

- Isso o que?

- Essa apatia toda. Não sentirá falta de mim?

- Muito. Muito. Muito.

- E então!?

- Mas você não morreu ainda.

[...]

- E quando eu morrer? Quando toda essa saudade bater aí?

- Aí eu viro para meu outro amigo, num dia comum, e quando ele me perguntar o que pretendo do meu dia, digo que morrerei.

- Por mim?

- Não. Por saudade.

- A saudade é tão grande assim?

- Maior que você.

- Não me ama então?

- Amo sim. Mas amo mais a falta que você me faz.

- Então eu aqui agora não te afeta em nada?

- Não.

- E quando eu te afetarei?

- Quando você se for daqui.

- Não prefere me querer enquanto estou aqui agora? Logo terei de ir. Já estou atrasado.

- Não consigo te querer agora. Você já está aqui.

- Vou me sentar ali então.

[...]

- Volte pra cá.

- Me quer agora?

- Agora sim.

- Mas ficarei aqui então. Aqui não te quero.

- Por que não?

- Porque você não está aqui.

[...]

- Vou morrer.

- Você já disse.

[...]

- Quando você morrer, sentirei sua falta.

- Você também já disse.

[...]

- Não temos nada mais a dizer então?

- Acho que não. Acho que você já pode ir morrer.

- Adeus então.

- Adeus. E se cuide, novamente. Tente não se machucar.

- Tentarei. Te amo.

[...]

- Não dirá que me ama também?

- Agora não. Vou esperar você morrer.

- Ok.

- Adeus.

- Adeus.

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Sobre a Falta de

Hoje me senti acolhido.

De trás da grande janela do escritório, olhei para cima e vi as nuvens. Nuvens cinzas, carregadas, e a garoa caindo de leve, tranqüila.

De trás da grande janela, vi o dia cinza, pessoas de peles saturadas, quase uma película em p&b. Por de trás da grande janela, assisti, por instantes, um filme de 1942. Mas antes que sequer me sentisse habituado às cores e falta de, um grande buraco nas nuvens se abriu, permitindo a passagem de um enorme facho de luz, que mesmo que eu odeie a palavra a "facho", era esplêndido. E nem era esplêndido. Era uma luz comum, a luz do sol, de todos os dias, desde que o sempre é sempre. Mas era esplêndido, pra mim, ali. Meu filme logo pulou décadas e décadas no tempo, parando em 2008, no hoje, no agora, nesse instante. E no facho de luz, que tanto odeio o nome e tanto admiro sua beleza, vi ali a possibilidade de mudar tudo. Se um filme de 1942 pode se transformar no filme da minha vida de 2008, minha vida de 2008 pode se transformar em qualquer coisa, ainda que não seja um filme. Ou talvez seja.

O facho de luz estava ali para me lembrar que apesar de todas as gotas de chuva que possam cair, pode existir sim um lugar no meio da rua, uma grande mancha seca e dourada no chão, brilhando, à parte de todas as saturações do resto, à parte de todas as gotas de chuva que caiam sobre nós. O grande buraco na nuvem estava ali para me lembrar que existe sim um local aproveitável sob a chuva.

Mas depois de tudo isso, acabei abandonando todas essas idéias, porque, afinal... Na verdade, toda gota de chuva é aproveitável. Tudo existe para nós, para o nosso melhor. O que varia, no fim da história, é o que fazemos com o que nos é dado. A chuva está lá. Amargure-se com ela, procure um buraco na nuvem, ou aproveite tudo e dance na chuva, por mais cliche que soe. Afinal, já sabem o que digo sobre cliches. Mas nem é sobre cliches que vim falar hoje. É sobre a chuva. E a falta de.

Nem é.

É sobre a vida.

E a falta de.

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Maqêdo | O Fim

Quarta-feira, Abril 09, 2008

E à frente das altas chamas da fogueira ao fundo, queimando forte em meio a todos, Maqêdo caminha até a borda, e ergue a cabeça em afronta a eles, enquanto diz, como um último suspiro de sanidade em si:

"Este é o fim."

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Músicas

Quinta-feira, Março 13, 2008

O menino tem cerca de 7 anos, e traja panos humildes, de cores pastéis. Está sentado com um par de fones de ouvido nas orelhas. Seu amigo, trajado parecido, fica impaciente com o silêncio.

- Deixa eu ver o que você está ouvindo.

Enfia a mão no bolso do menino, procurando algo, que não encontra. Além de moedas, e papéis amassados, encontra a ponta solta dos fones. O menino continua a cantar.

- Cadê!?

O menino tira tranqüilamente um fone do ouvido, em sinal de poder escutar.

- Cadê o quê?

- Cadê a música?

- Aqui ué.

- Aqui onde?

- Aqui em mim.

Ele coloca o fone de volta, e continua a cantar. O amigo insiste.

- Deixa eu ouvir.

O menino continua cantando.

- Deixa eu ouvir.

O menino percebe o amigo, e retira o fone novamente.

- Oi?

- Deixa eu ouvir!

- Não posso.

- Por quê?

- Você não conseguiria ouvir. Só eu consigo.

Ele coloca os fones novamente. O amigo se vira pra frente, olhando pro nada, com olhar triste. O menino o percebe, e se volta a ele.

- Aqui, espera.

O menino enfia as mãos num bolso e tira outro par de fones, tão estragado quanto o que usa. Estende-o para o amigo.

- Toma. Agora você pode ouvir sua música também.

O amigo coloca então os fones, vira-se pra frente, e ficam os dois, sentados, sorrindo, com suas músicas.

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Beija-Flor

Domingo, Fevereiro 24, 2008

Sobre o sofá escuro frente à grande janela ele se mantinha deitado, sem expressão nos olhos, nem nada que declarasse o mínimo sinal de vida, dentro do largo cômodo.

A cidade que se via lá fora compartilhava do mesmo espírito, ou falta de, se mostrando vazia e inerte a si mesma, por sob nuvens abstratas, volúveis, tão mecânicas como a televisão ao canto, muda, falando alto, sozinha, para si, e mais ninguém.

E em contraste a todo o cinza daquele universo, daquela cidade inóspita lá embaixo, lá longe, o beija-flor chega rápido, com toda a energia que falta a tudo aquilo, e pára frente à grande janela, com aquele mundo em rascunhos de Manet ao pano de fundo, intensificando todo o vazio que lá existia, e intensificando toda a vida e cores de Monet em si mesmo conforme batia suas asas fortemente, como uma surpresa a tudo que poderia se esperar de tal lugar, como um presente, um prêmio, um milagre. Como comprovando que apesar de todas as dores e tristezas dos seres, ainda existe uma linha de esperança, de felicidade... Que as cicatrizes do mundo podem sim ser curadas, com um beijo, um único beijo, o beijo que salvará todos, de todas as suas dores, suas agonias... O beijo que salvará todos os corações de suas desilusões, colocará esperanças em todos os que já perderam-nas. O beijo que trará a esperança. A Esperança.

Asas que batem forte, asas improváveis, insperadas... Mas que lá estão. Batendo forte. Nos fazendo lembrar que, sim, o bem ali existe.

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Tragédia em Chamas

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

O largo céu, incendiando-se em tons vermelhos, mostrava nenhum sinal de uma nuvem sequer.

Do vasto céu desnudo, então, águas começam a cair, forte, chovendo sobre todos eles, que começam a correr absolutamente desesperados para suas casas ou qualquer cobertura próxima.

- Como..!?... Como? De onde?

O outro permanece em silêncio por algum tempo. A tragédia em seu olhar. Fala, pois.

- Ouviu?

Ele fica em dúvida, vendo todos eles correndo lá longe, gritando... Percebe o som da chuva...

- A chuva? Ou eles gritando?

- Não. Nenhum. Ouviu os trovões? - ainda o olhar lividamente trágico ao perguntar.

- Não. Não percebi. Fizeram muito barulho?

- Não. Nenhum. Não houve trovão algum. Raios. Relâmpagos. Nada. Nunca há. Nem nuvens. Nem nada. Simplesmente... Chove.

- Por quê?

- Porque Ele não nos previne de tragédias. Ele não avisa quando decide nos atacar.

Nuvens, então, começam a surgir rápidas conforme a chuva pára, se amontoando instantaneamente, cobrindo tudo, transformando o céu de flamas num abismo negro, escurecendo tudo, mandando a Cidade e seus habitantes, novamente, às trevas.

- Não vejo.

- Não. Não vê. Ele nos cega. É uma tragédia. E de tragédias Ele não nos previne.

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De Pesos e Levezas

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

- E se nos jogarmos daqui agora?

- Não faria sentido.

- Não é para ter sentido. É para ter uma solução.

- Essa não é a solução.

- É sim. A solução é sempre a mesma. Voar. Isso simplifica tudo. Voar.

- Sim... Voar.

- Então? E se nos jogarmos daqui agora?

- Não faria sentido.

- Não é para ter sentido. É para voar.

- Você não voaria.

- Você não voaria.

- Eu cairia.

- Sim, você cairia. Por quê? Você sabe por que.

- Porque não me faria sentido.

- Você quer, mas não acredita, não te faz sentido... Então você cai. Você cairá. Sim, sempre.

- E te faz sentido?

- Não é pra ter sentido. É pra voar. É a solução. Ir. Ir. Assim, estalando os dedos... Fácil assim.

- Não é fácil assim. Não é leve assim. É sempre mais amplo, complexo... Profundo. Sempre maior. Mais pesado. São muitas questões, muito a se discutir. É muito.

- Todo esse peso que vê é justamente o que te faz cair. Você não conseguirá voar comigo enquanto não se soltar de todas essas correntes, esses pesos, isso tudo aí, tudo isso. Solte-se.

- Mas não faz sentido.

- Não é pra ter sentido. É pra voar. Voe comigo. Voe comigo.

- Afaste-se daí. Venha! Volte aqui! Não faz sentido! Volte!

- Não é pra ter sentido!

- Solte minhas mãos! Não! Não faz sentido!

- Não é pra ter sentido! É pra voar!

- Não faz sentido!

- Pra voar! Voar! Voar!

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Amor Secreto

Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

Ela enche sua taça de um vinho caro qualquer que havia comprado, e então caminha lentamentamente até a sala de estar, e à grande parede da escada, que dava acesso ao segundo piso.

Com um sorriso nos lábios suave como o vinho que bebia delicadamente, admira, parada, as várias fotografias ao longo da parede; e nas outras mesinhas ao longo da espaçosa sala. Então seu sorriso começa a escorrer de seu rosto, sendo tomado por um sutil olhar de medo. Um medo suposto, incerto, futuro.

Morde os lábios enquanto começa a caminhar, então, até as fotografias. Uma por uma então, começa a retirar cuidadosamente as fotografias de suas molduras. E então caminha até a parede, onde pára sobre os degraus da escada, admirando os grandes quadrados contando histórias de si.

Ela bebe mais um gole, e apoia a taça sobre uns dos vários degraus, deixando as mãos livres para cobrir os quadros com os grandes lençóis que havia tirado de sobre os sofás, quando pela sala passara.

Não cobre todas as fotografias, assim como não havia tirado todas as fotografias de suas respectivas molduras. Só aquelas. Aquelas.

Ela sorri novamente no centro da sala, bebendo delicadamente, enquanto olha os grandes quadros cobertos e as várias molduras vazias. Sorri graciosamente. Não sente mais medo.

A maçaneta gira conforme ele atravessa a porta, com o mesmo largo sorriso de todos os dias. Sorriso de alívio de quem chega no lugar que quer, que deseja, que ama. Nem sequer tem tempo de fechar a porta atrás de si antes que seu sorriso escorra gelado por seu corpo, fazendo-o estremecer, ao não ver sequer uma de suas várias fotografias com ela. Seu olhar interrogativo direciona-se a ela.

Ela sorri como sorriu na segunda vez em que o viu. E na terceira. E em todas desde então. Mas sentindo que seu sorriso de resposta não seria resposta suficiente, usa seus lábios para contar de seu coração.

- Senti medo.

Em um único segundo a partir dessa resposta, inúmeras imagens e palavras e sentenças e estrofes poéticas tristes e felizes e dúbias e incertas passaram pela cabeça dele. No segundo seguinte, libera o óbvio.

- Medo de quê?

Em mais de um único segundo, ela sintetiza em sua cabeça uma resposta coerente que ele consiga compreender como os sentimentos que ela sentiu a fizeram compreender também.

- Tive medo de que as pessoas descobrissem nosso amor.

Em muito mais de um único segundo, ele assimila as poucas palavras que ela lhe dizia, que diziam muito mais do que ele esperava que pudessem dizer. Enquanto ela, segurando carinhosamente sua taça ao virá-la em direção a seus lábios, olha para ele pacientemente, ele concorda com cada palavra que ouviu, e principalmente, com todas as outras não ditas, escondidas por sob o silêncio do subentendimento.

- Sim, elas nunca o compreenderiam. Vulgarizariam-no como fosse a pintura do maior artista do mundo taxado de prostituta pútrida.

- Pior. Elas poderiam roubá-lo. O que temos é o ouro de todos os pobres deste mundo. Vivemos entre mendigos desnudos trepidando à nossa volta. Temos todo o alimento que lhes falta. Nossas fotografias são a vitrine da padaria. Não podemos correr o risco de sermos assaltados. De todos os bens que eu possa ter, meu amor é o único que não posso perder. Ele é meu. E seu. E só.

O sorriso dele volta a seu rosto, conforme vira a taça que havia enchido enquanto ela falava. Um sorriso sincero. De consciência.

- Sim... Muitos dariam tudo para ter o que nós temos. Muitos morrerão sem saber o que é isso que nós temos.

Ele ergue a taça em sinal de respeito, e vira-a em sua boca novamente, bebendo em respeito a eles, os mendigos do mundo, lamentando por eles que nunca saberão o que é o ouro.

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Em Um Minuto, Por Um Segundo

Domingo, Fevereiro 03, 2008

Sem querer, ele esbarra no relógio na parede, que cai, estilhaçando o vidro que protegia os ponteiros. Com a queda, os ponteiros entortam, mas ele não percebe. Recolhe os pedaços de vidro e recoloca o relógio em seu lugar.
Os ponteiros continuam a bater normalmente, durante alguns segundos, até que o longo ponteiro se encontra com o médio, e lá permanecem. Com o segundo entrelaçado ao minuto, o tempo não andava.
Pareceria poético e belo. Eles se encontraram e não mais quiseram se soltar. Sob regras que diziam que deveriam se cruzar a todo minuto e não por mais que um segundo, foram contra tudo e todos e, frente a olhos inexoráveis, abraçaram-se forte, derrubando todas as lógicas, regras, leis e ordens. O mundo ignoraram, e o tempo pararam.
Mas o tempo precisa continuar a andar. É preciso que concessões sejam feitas. Os ponteiros precisam abrir mão daquilo pelos propósitos maiores; pelo tempo; pelo mundo. Precisam se soltar, se libertar um do outro para que a ordem se reestabeleça, para que tudo volte a funcionar. E com a tristeza de uma consciência não desejada, os ponteiros se desentortam. Soltam-se. Libertam-se.
Despedem-se.
A ordem flui novamente, com as chagas dos preços que se pagam, cicatrizes de tudo que deve-se abrir mão por.
E o segundo se vai, com a minimo consolo de poder estar de volta dentro de um minuto, por um segundo, pelo resto dos tempos.

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Destempo

Sábado, Fevereiro 02, 2008

Ele sai correndo atormentado pela casa. O piso torna-se escorregadio com suas lágrimas. Pega todos os relógios de parede, um por um, arranca o fundo, e coloca-os de volta com a frente virada para a parede. Ao terminar de virar o último, o grande na parede principal da sala, senta-se numa cadeira virado de frente para o relógio invertido, e começa a enxugar as lágrimas, tentando conter o choro.

Seu irmão, vendo-o, absolutamente sem compreensão, fixa o olhar nele ao perguntar séria e lividamente.

- Que porra...!? Por que fez isso com os relógios!?

Ele começa a tentar responder, e ao perceber que só o que sai de seus lábios são grunhidos em notas desformes, sentindo o choro sair de dentro de si, pára e respira, tentando se recompor novamente. Com calma, usando longas pausas, responde, sem ousar tirar os olhos do grande relógio na parede, que agora batia seu longo ponteiro em sentido inverso.

- Estou esperando. Daqui há algumas horas, estaremos de volta no hospital, na sala com ela. Estou esperando voltar a chance que perdi de dizer a ela que a amo.

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Hoje o Circo Foi Embora

Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Hoje o circo foi embora.
E com ele, as montanhas de luzes, que refletiam todas as cores de mim.
As bailarinas carregam consigo os passos que dançamos juntos em meu coração.
Meu coração, que o Mágico retirava da cartola todas as noites. Meu coração, branco, peludo, e de grandes olhos vermelhos. Dentro da cartola foi colocado, para nunca mais ser retirado.
Nunca mais o vi, nem a cartola, que se foi com os ventos céu acima.
Ventos antes protegidos pela lona. Lona que hoje não há mais, pois circo não há mais.
Lona arrancada, deixando à vista todas as estruturas de tudo aquilo. Estruturas que ninguém queria ver. É feio. Quero ver as cores. Quero ver o circo.
Quero ver os trapezistas, me pegando e jogando ao céus... Me faziam voar, dançar pelas nuvens. Eu via o mundo todo. E o mundo todo era colorido. E o mundo todo era feliz.
Mas hoje já não mais.
O circo se foi, eu caí das nuvens, caí no chão. Meu picadeiro era lama, e lá mergulhei, afundei, me perdi de mim.
Já não sei mais quem sou, nem que lugar é esse. É tudo escuro, nada brilha, nada se acende, nada se ilumina.
Hoje o mundo é noite sem fim, e por ela caminho, sem razões ou previsões, apenas esperando meu dia nascer de novo, reluzente, cheio de cores, brilhando, pessoas gritando, felizes, felicidade em si, em mim, e todos nós.
Vou andar.
Vou andar até meu circo voltar.

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A Opacidade da Vida

Domingo, Janeiro 20, 2008

A mãe, então, retira os gelos da fôrma. Enquanto os coloca nos copos, a menina olha deliciosamente admirada para os gelos que, fortemente, brilham como cristais. O olhar ingênuo da menina logo brilha igualmente.

- Nossa... Como é bonito, né mãe?

- Sim, é mesmo. Nem parece de verdade.

A menina olha meio confusa.

- Por quê?

Com a consciência de uma seca verdade, o olhar da mãe se esvai ao responder morbidamente para a menina, como quem declara a morte a um jovem.

- Porque a vida real não é bela assim.

Ela mergulha então os últimos gelos no copo que, em meio à cor do suco, perdem totalmente seu brilho, tornando-se foscos e sem vida, assim como o olhar da menina a partir de então.

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De Justiça, Ética, e Moral

Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

- Olhe... Vou ser muito sincero com você, rapaz. Acho muito nobre tudo isso, mas enquanto você estiver aqui conosco, é aconselhável que pegue toda essa sua ética e moral e esconda-as numa gaveta bem longe. Você não usará nada disso aqui.
Ah. E se você quer mesmo meu conselho, digo que pegue isso e destrua em flamas, porque, de verdade, depois de viver tudo isso aqui, você nunca mais terá coragem ou vontade de usá-las novamente. Acredite.

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Dramatic Premise

Terça-feira, Janeiro 08, 2008

O que você faria se todos os seus amigos começassem a morrer ininterruptamente?

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Christian Verona

Sábado, Janeiro 05, 2008

Um golfinho nada pelas águas de forma graciosa, divertida. Atrai os olhares de todos, que se divertem, acham-no lindo em seus movimentos quase circenses.

O golfinho mergulha às profundezas. Outros se juntam. Em questão de minutos, ele está coberto de sangue. Não seu, de outros. Sua violência é camuflada por sua graciosidade. Esse é um típico golfinho.

Esse é Christian Verona. Sua beleza dá-lhe acesso a tudo que quer. Não importa quem seja, o poder que tem, a vida que leve... Ela se deixará levar pelo olhar ingênuo e rosto juvenil de Christian. Em minutos de conversa, a pessoa já estará confidenciando-lhe os segredos mais implosivos. "Qual o problema?", pensam. "Um rapaz tão carinhoso, atencioso...". Nunca faria qualquer mal. Nunca faria qualquer mal. A maior ilusão que Christian as faz cair. Elas mesmas nunca acreditariam se ouvissem. Só entendem quando é tarde demais, depois que ele já lhes tomou tudo que quisera. Mas aí já é tarde. Tarde demais até para avisar aos outros do demônio que os controla.

- Porque esse "demônio" que me julga também te controla.

Ninguém jamais o derruba. Ninguém tem influência, ou poder, ou simplesmente coragem. Christian Verona lhes tira tudo isso.

- Não pode me derrubar. O anjo que vê em mim é um demônio há muito já caído. Daqui não há mais para onde descer.

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Precauções

Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

Lave bem seu coração depois de usá-lo. Perigo de infecções, resultando em amputação.

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Mecânica

- Você continuaria me amando normalmente se soubesse que te amo igualmente?

- Não. Meu amor por você depende da incerteza e da falta de reciprocidade. Agora não te amo mais.

- Então já não posso mais te amar também, porque meu amor por você depende da certeza de sua eternidade, e o amor que você sente por mim não é puro.

- Se engana. Meu amor por você é puro. Só a razão dele é que não.

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No Escuro

Terça-feira, Janeiro 01, 2008

Eles começam a se despir lentamente. Dan pega em suas mãos, dá um beijo no canto de sua boca, e dá a volta, até ficar às suas costas. Pega uma venda e começa a colocá-la nele, que o impede.

- Não... Por quê? Eu quero poder te ver.

- Porque eu quero que você me ame pelo que sou, não pelo que aparento ser.

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Démon

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

- Save me now, for I am Death, and shall not have the mercy of the end.

- Salvação nenhuma tens a ti reservada, pois, pelos caminhos da eternidade por demônios sejas conduzido.

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Honra de Homens

- Te amo como meu amigo, meu irmão, meu pai, meu filho... Mas sabes que deve ser feito.

- O sei bem. Mas amor nada tem a ver com isso. Não camufle a lama com flores. Seja homem, honre teu ato. Não perca a dignidade e o faça tão cedo possa.

- Abandone esse manto de amargura, meu irmão, que verá que é por amor que isto faço. É pelo amor que tanto sinto por ti que o faço olhando em teus olhos. Abrace-me. Encontre em meus braços o amor do fim.

O outro, então, caminha, de cabeça erguida, e o abraça.
Ele segura a cabeça do outro, conforme esse vai perdendo as forças aos poucos, caindo ao chão.

- Adeus, meu irmão.

Limpa sua adaga, guarda-a bem, e se vai.

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Confissões de Amor

Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

Sinto, às vezes, certo ciúmes.
Não, de ninguém.
Sinto, às vezes, certo ciúmes das palavras bonitas que nunca sairam de mim.
Certas vezes, gostaria de exprimir de mim a paixão efeverscente de Thalita Peron. Sua simplicidade para dizer tudo em muito pouco, para resumir o amor em três linhas, e nos fazer parar no final para nos mostrar que, não não, o amor vai muito além disso.
Sinto, às vezes, vontade de agradecê-la publicamente por carregar consigo seu caderninho de anotações.
Agradecê-la por expressar tão bem em palavras o amor inteiro que sinto. O amor em mim, de todos os dias.
Continuarei a escrever sobre tudo, sobre as tristezas e amores de todos... Porque de mim não preciso escrever. O amor que sinto está nas palavras dela.

Minha confissão é uma carta de agradecimento.
Obrigado.

A você,
Thalita Peron.
Minha irmã.

Obrigado.

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De Poder e Movimento

Ele, então, sai correndo até o armário em seu quarto, que revira, até encontrar sua câmera filmadora. Tenta ligá-la enquanto volta correndo à sala. Pára em frente a seu amigo, há certa distância, e segura firmemente a câmera apontada a seu amigo, enquanto olha diretamente nos seus olhos, e diz, com uma assustadora segurança e determinação:

- Mãos ao alto.

O amigo permance calado por algum tempo.

- Isso não é uma arma.

Ele respira fundo.

- Sim. Isso é.

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Flores, Meu Amor

Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Porque, você sabe, são flores que trago hoje para você. São clichés, sim, sei bem, mas toda beleza é cliché, porque toda felicidade que existe, existe para todos, e tudo que é belo para todos é cliché. Então, de todas as belezas, escolhi a mais sincera. De todos os clichés, selecionei a dedo o de perfume mais doce, o mais macio e gracioso, o cliché mais gratificante. De todos os clichés, escolhi você. As flores são só para acompanhar.

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Dare

Domingo, Dezembro 16, 2007

Te desafio, Morte.

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Teatro de Areia

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

- Não sei. Talvez quando estava mentindo, estava dizendo a verdade. Já não sei mais. Meus personagens falam através de mim, usam minha boca... Não, não... NÃO! Eu falo através de meus personagens, uso sua boca... Não, não... Não? Sim. Sim, sim... Sim? Sim o quê? O que falei? Eu falei? Não não, não falei. Eu atuei. É diferente. Estou incorporando outros personagens, outras vidas. Estou vivendo a vida dos outros. Não. Estou mentindo. Estou vivendo minha vida disfarçada da vida dos outros. Estou atuando. Estou..? Atuando..? Não. Estou contando verdades disfarçadas de mentiras. De personagens. Estou vivendo outros personagens sob a carcaça de mim mesmo. Ahm.. Não. Estou vivendo minha carcaça disfarçada de outros personagens.

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Coração

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

- Pare de chorar.

- Não consigo. Já disse. Meu coração está se rasgando.

- "Rasgando"? Não seria rachando? Quebrando? Despedaçando?

- Não. Rasgando. Se tivesse se despedaçado, seria simplesmente como uma pedra se quebrando. Doeria na hora. Mas não. Vivo a tortura de sentí-lo se repuxando, esticando, rasgando aos pouquinhos... Rasgando. Não quebrando, não rachando. Rasgando. As pessoas que lamentam ter o coração despedaçado não sabem o bem que isso é.

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Dialogue

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

- Maybe...

- Maybe what?

- Maybe you don’t know what you say.

- It’s gonna be like that from now on?

- Like what?

- "You this, you that..."

- That depends.

- On what?

- On what you wanna be. I can stop talking right now, but it doesn’t depend on me. I don’t talk because I want to, I talk because you give me reasons to.

- Where are you trying to get to?

- Nowhere. Just like I said, doesn’t depends on me. We can go anywhere, it just depends on you.
The world is too perfect when I’m with you. You can take me to Hell, that it’s gonna become a comfortable place, if I’m there with you.

- Are you saying I should go to Hell?

- I’m saying you should take me anywhere; I’m yours. I’m yours as I was never anyone else’s.

- Don’t you think it’s missing a little bit of pride in you?

- Don’t you think it’s missing a little bit of passion in you?

- I don’t need passion.

- Sure, just like I don’t need the oxygen in my lungs either.

- Of course you need. Without it, you’ll die.

- Exactly.

- What’s your point?

- You.

- You’re already here, me too.

- Maybe...

- Maybe what?

- Maybe your way to see the distance is different than mine.

- I doubt it. I measure in meters, like everyone else.

- The world is too theoretical for you. You measure in meters, but you can’t measure passion like that.

- But I told you already I don’t need passion.

- And who said I was talking about you?

- Oh, so that’s how it’s going to be?

- How what?

- "You this, you that...”

- Dejà vú feeling.

- Maybe you should start keeping your words to yourself.

- Maybe you should start listening more what people have to say to you.

- And what do you have to say to me?

- Nothing.

- What do you mean “nothing”?

- Well... It’s not a matter of what I have to say to you, but a matter of what you’ll be willing to listen.

- Why do you persist with all these words games? Don’t you ever get tired of this sick game?

- You consider word a sickness? Oh, now I get your great health.

- Your tentative to offend me won’t take any effect.

- Already did.

- How?

- You just mentioned it; sign that you noted, so, it had effect.

- Leave me in peace.

- Maybe...

- Maybe what?

- Maybe you don’t know what peace is.

- Maybe you don’t know who yourself are.

- And who are you to discuss who am I or am I not?

- I am the person you love.

- I do not love you. I never did.

- You love me, yes. You feel passion, you feel love, you feel hate, you feel pain, you feel pleasure. You feel pleasure in hating me, and feel hate in loving me.
I’m everything you ever wanted, everything you never wanted. I am everything.

- Including arrogant.

- And who are you to tell me what am I or am I not?

- I am the person you hate. You love to hate me, you feel pleasure in hurting me. Perhaps that’s our greatest problem.

- What?

- I love you and I hate you, and I need your despise, to love you more and more. And you need my love, to despise me more and more. You fell in love with me. Fell in love with despising me, and I fell in love with been despised.

- Maybe...

- Maybe what?

- Maybe you’re wrong.

- Maybe you haven’t fell in love with despise?

- Maybe I’m not in love with anything.

- Maybe we should stop right here.

- Why? Have you reached the conclusion that you mean nothing to me?

- I have reached the conclusion that I mean everything to you, but it’s not apt to me to announce it. You shall realize, but on your own, and in the right time. And by the time you realize I mean everything to you, you won’t mean anything to me anymore. And even then, we’ll still be in the same place we were from the beginning, proving that, wherever are our choices, I am everything to you, and you are everything to me.

- Maybe...

- Maybe what?

- Maybe, simply, as always, maybe.

______

> Original em PT > Clique aqui.

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Vivian Franco

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

Com uma perna frente à outra, sem mover qualquer outra parte do corpo, ele caminha até a poltrona. Com sua taça de Mitolo erguida à altura do peito, ele deixa claro que aquele recinto é seu.
Senta-se levemente, olhando fixo para o outro, jogado sobre o sofá no extremo oposto da sala.
Uma pessoa comum poderia achar, à primeira vista, que seus olhos fossem inexpressivos. De uma escuridão absoluta, seus olhos tinham uma sedução bem diferente de as de seus irmãos.
Seus olhos negros criavam um abismo, onde a pessoa que o olhava, sem perceber, se deixava levar pela sua profundidade, leve e sutilmente.
Vivian não precisa de sorrisos de canto, Vivian não prostitui seu olhar. Sua concentração é sua sedução. Enquanto as pessoas se deixam flutuar nas águas negras de seus olhos, ele permanece imóvel, petrificado, petrificando os outros como gelo, deixando sem reação, sem controle, sem conseguir respirar, ofegando, suando...

Vivian Franco domina invisivelmente como um vampiro no espelho. Quando você percebe, seu sangue já escorre por sua boca. E você gosta, você sente prazer, você agradece, ofegando em sílabas distorcidas, "obrigado...".

Vivian leva a taça à boca, e desvia o olhar, com a feição inalterável, bebendo suavemente, enquanto responde em sua mente "Não agradeça. Não o fiz por você".

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Replay #

Domingo, Novembro 04, 2007

É... Na falta de novidades, vou indicar um post de um pouco mais de um ano atrás, o Diálogo.

Quem ainda não leu, digo que costumam falar bem dele (apesar de eu discordar).
-> http://mouris.blogspot.com/2006/07/dilogo.html

Estou repostando-o porque, em breve, trechos desse diálogo poderão ser vistos em outro lugar.

Aguardem.
;D

 

Rascunhos de Ventos

Quinta-feira, Outubro 11, 2007

E ainda que nos chamem de loucos, lhes diremos que o são todos.

E que nos peguem, nos joguem pra cima, e rodopiemos no ar, que cairemos nas pontas dos pés e começaremos a dançar.

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Sobre os Últimos Hiatos

Terça-feira, Setembro 18, 2007

Acho justo explicar:

Criei esse blog há quase 3 anos atrás. E já era, então, o terceiro.
Nunca fiz parte daquele remoto grupo de bloggers que usam seu espaço como diário pessoal. Também nunca fui daqueles que mantém temas específicos ou coisa do tipo.
Foi para ter uma forma de representar o mundo em que vivo. A escrita, para mim, desde que criei o MOURISMENT, serviu de um formato para se expressar coisas que sinto, que vejo, que penso. E assim então tentei usar de todos os formatos literários possíveis para tal, misturando-os, explorando-os. Até que cansei das estruturas comuns de narração, e parti pra invenção de novas (novas para mim). Foi aí que surgiu Cidade Fantasma e Poesia de Arranha-Céu.
Ninguém faz idéia de como esses textos me orgulham. Ambos passam uma sensibilidade que só tenho lá no fundo, escondidinho. O primeiro passa uma fantasia tão simples, e tão diferente do que estou acostumado a imaginar, com meu jeito de engrandecer tudo; enquanto o segundo mistura absolutamente tudo. Mistura sensações, pensamentos, frases, exatamente como eu queria passar.
E desde estes dois textos, nunca mais senti o prazer de expressar a vida através da escrita, logo, nunca mais consegui ser bem sucedido idem.
E nem é por ter conseguido tanto com esses textos, pra mim. Foi por ter descoberto novas formas de expressar a vida.
A Literatura era minha única forma, quando eu era um pré-adolescente cheio de questionamentos e filosofias. Não era preciso estudar, nem ter prática, nada. Só precisava sentar ali e escrever.
Agora eu tenho outras formas, que necessitam prática; prática da qual hoje já tenho um mínimo para começar a explorar.
Estou trilhando o mesmo caminho que percorri com a Literatura. Eu tenho uma forma, então eu vou ir lá e usá-la de expressão. Vou usar os métodos tradicionais, outros alternativos, e então começar a criar métodos desconhecidos por mim. Até eu cansar, e partir pra uma nova forma de expressar tudo o que quiser.
Não, não estou abdicando desse blog, muito menos da escrita, só estou avisando que este espaço não é mais minha prioridade, nem onde estarão minhas novas criações. Sobre esta última parte, estou resolvendo ainda.
Mas, acho que é isso.
Continuem aparecendo (menos frequentemente, por favor), que não abandonarei isso aqui jamais. Já faz parte de quem sou eu. Já é meu terceiro braço.
E obrigado por todas as visitas nestes quase 3 anos.

Take care,

Renan.

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Blup

Sábado, Agosto 25, 2007










(tomei o exemplo do Jeff, e fui viver. volto logo mais)

 

Maqêdo | Um Olho Tapado

Sábado, Agosto 18, 2007

Passos decisos.
Ele sabe onde está indo. Carrega toda sua vida nas costas, mesmo que sejam apenas seus trapos, mas carrega. Não perguntem a ele onde vai, porque não responderá. E não fiquem em seu caminho. Maqêdo não faz curvas.

Passos rígidos.
Sem uma tontura sequer. Sem cambalear para os lados. Ele não tem mais dúvidas, hesitações, nada. Pode o mundo cair em reprimenda a ele, que não o afetará em nada. Ele sabe onde ir.

Passos de lucidez.
Pensa consigo, poucos podem gozar de tamanha lucidez. Os outros estão tão enclausurados em seus mundos ilusórios, que acabam tomando a lucidez pura e sincera de Maqêdo como a própria insanidade. Mas ele não se importa. Sabe que a perspectiva que tem com seus dois olhos o levará muito mais além que o resto do mundo com seu único olho e sua visão sem noção de distância.

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Neutro

Segunda-feira, Agosto 13, 2007

É tudo sobre a beleza do céu monocromático.
Sobre os pensamentos coloridos escondidos debaixo de nuvens cinzas.
É uma felicidade pessoal, interior. A felicidade da garoa caindo, do vento gelado...

Gotas de memórias. Memórias de amores, de abraços intensos.
O inverno é o pano de fundo.
Se não tivéssemos o frio, nossos beijos não seriam tão quentes.

É a beleza do céu monocromático.
As cores neutras que expressam mais que qualquer vermelho.
É o frio na espinha, arrepiando o corpo todo.

Arrepio de paixão.
Paixão azul, paixão cinza.

Paixão de gotas de chuva.

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Ataque de Paz

Quarta-feira, Agosto 08, 2007

É tudo sobre aquela sensação gostosinha.

Aquele momentinho só meu, todo encolhido, abraçando as próprias pernas.
Um sorriso de canto de boca, mais sincero que qualquer palavra jamais poderia ser.
Aquela sensação gostosinha de infância, de colorido.

Sou o Super-Homem! Olha minha capa grandona!

Um ataque de ingenuidade, de bondade, de transparência.
Um ataque de paz.

Sou o maior de todos! Vou proteger o mundo! Vou voaar!

Voaaaar!

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Projeto da Marca

Sábado, Agosto 04, 2007

(texto-conceito e logotipo)

Ver. Sentir. Transformar.
É viabilizar o sonho de outros.
Moldar o bruto, animar o estático.

Contemporanizar.

Compreender os tons escondidos num projeto em branco.
É o poder de evocar cores.

Evocar a arte.

eVOK design


eVOK design

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Da Série Suja

Sexta-feira, Agosto 03, 2007

Sujeira

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Prazer, Meu Nome é Renan

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Sim.
Hoje quem está escrevendo sou eu. O autor. O artista do espaço sideral. Renan Antunes. Ou Cesar também, para os mais teimosos.
Não tenho planos para esse post, não sabia como começaria, nem imagino como terminarei. Só decidi escrever. Espremer e deixar os pensamentos escorrer.
Às vezes precisamos nos dar a liberdade de vomitar as coisas. Eu preciso me dar a liberdade de vomitar as coisas.
Vomitar meus planos de viver em 6 meses o que não vivi nos últimos 3 anos, quando pedi para trancar minha matrícula da vida.
Preciso pedir desculpas às pessoas que entram em minha vida, que deixo entrarem... Que deixo acreditar entrar. Desculpem-me. Vocês, que iludo todos os dias, dando falsas esperanças, falsos planos, falsos desejos, falsos amores.
Me desculpo pelos olhares que troco com as pessoas erradas, pessoas tomadas. Peço desculpas ao meu amigo. Desculpe, não tenho caráter.
Não, não estou bêbado, não estou em crise. O que estou é ouvindo Libertines. E com um estranhíssimo desejo de me aliviar. Sabe, aquele sentimento que nos surge vez ou outra durante a vida, de necessitar purificar?
Não, não uso escudos hoje. Não hoje.
Ataque-me pedras, tiros de canhão. Só por hoje.
Hoje é um dia neutro. Estendi a bandeira cinza na janela. Não branca, cinza. É dia neutro, não de paz. Paz é ilusão, e seu antônimo está nos olhos de quem o quer ver.
E não pense que tirei o dia para vomitar em meus próprios pés, não. Estou vomitando nos outros também, tudo aquilo que pensamos durante a noite, ao acordar, ao esperar o ônibus.
É época de recomeçar, de mudar os móveis do lugar, e pra isso é preciso limpar, passar o pano sob tudo, sobre tudo. Nada está livre disso.
Época de rever, de matar saudades, gastar abraços. Relembrar os tempos em que a vida era mais sobre colocar os pés sobre a mesa. Reviver a amizade tão forte mantida por tanto tempo, entre ódio e amor, lado a lado, tanto tempo. Que depois de tanto tempo, de tanto, chegou a nada. A memórias.
Vou tomar um banho. Limpar de mim a sujeira dos outros, de relações mal-construídas, baseadas em jogos e estratégias. Não preciso disso. Nunca precisei.
Preciso também limpar minhas psicoses, efeito colateral de minha estranha imaginação. Vou pegar o bloquinho amarelo e escrever de canetão vermelho "algumas coisas não são uma conspiração da Rede Globo".
Vou pensar direito e decidir o que eu sinto.
E vou jogar, e fazer estratégias, para o bem de outros, para a felicidade de outros.
E como em muitos posts, vou ir embora sem revisar. Confio na compreensão e inteligência de vocês, para assimilar através de contextos. Também não quero saber de acentos. Quem ficou de fora, lamento. Na próxima, prometo que te trago de volta.
Junto de meu escudo, meus pseudônimos e minhas histórias, que nunca foram minhas.

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Parênteses #

Terça-feira, Julho 31, 2007

Acabou que nem comentei, mas só pra não passar batido, aviso que abri outro blog (leia-se "projeto de portfolio para pessoas desprovidas de dinheiro") para deixar algumas peças feitas (peças que, por sinal, podem todas ser encontradas aqui).

O endereço é renan-art.blogspot.com, e também está lá embaixo nos links do blog.

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O Incerto Silêncio

Terça-feira, Julho 24, 2007

Ao longo de toda minha vida, ouvi inúmeras vezes elogios de todos os tipos. Fossem minhas notas no período escolar, fosse a camisa pólo horrível que minha mãe gostava tanto, ouvi todos os tipos de adorações que pudessem descarregar sobre mim.

Passou-se anos, muitos anos, e continuam a me elogiar. Elogiam hoje coisas específicas da pessoa que me tornei, elogiam as casas que construí, que projetei. Elogiam a família imperfeita que amo tanto, os filhos perfeitos, pedaços de mim. É o resultado do que eu queria, das vontades que tinha, da pessoa completa que sempre quis ser. Do melhor que eu sempre quis ser. Melhor pra mim, melhor entre os concorrentes, o melhor entre todos.

E todos os elogios, sei que são sinceros. Eles elogiam o que vêem, o que sabem. Mas moldei isso durante toda minha vida.

Durante toda minha vida, tive desejos, metas, sonhos... O que as pessoas elogiam, e elogiaram durante toda minha vida, é o que eu tive, o que tenho. O que conseguir ter. E isso só é possível para elas porque nunca souberam do que nunca tive.

Nunca saberão de minhas pinturas borradas, minhas encenações frustradas... Nunca sequer imaginarão a quantidade de recusas que recebi de todos os festivais de cinema que anseei tão intensamente. Não sabem nem que fiz filmes.

Só sabem do arquiteto renomado, de suas construções faraônicas, de seus "pedaços de si mesmo espalhados pelo mundo", como alguns costumam ilustrar. Só sabem de meus cálculos, de minha matemática, física, estética... De tudo que tanto sei, mas nunca consegui inserir onde realmente quis.

Vivi uma vida em segredo. Enquanto todos me viam falar, gritar, só eu conhecia meu silêncio. O silêncio da incerteza, que depois se transformou no silêncio da derrota.

São meus sonhos tropeçando no caminho da vida, e ficando por lá, de cabeça baixa, sem jamais chorar. Só um silêncio, meus sonhos acenando distante enquanto continuo andando, e um "quem sabe na próxima vida?".

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A Porta

Quinta-feira, Julho 19, 2007

Pode entrar em minha casa.
Invadir meu quarto.
Mas sujará seus pés de lama.

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Linha Reta

Quarta-feira, Julho 18, 2007

Ela começa num ponto e termina num outro.
Mas não gira, não faz curva, não sobe, nem desce.
Ela representa o tempo.
Um tempo com começo, meio e fim, onde o fim se vê do começo, sorrindo seguro no horizonte, lá longe.
Ela representa o tempo.
Mas não o meu.

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Fênix

Terça-feira, Julho 17, 2007

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Maqêdo | Alienação por Amor

Domingo, Julho 15, 2007

A rua está movimentada como em qualquer outro dia.
Entre pessoas transitando, o casal conversa na calçada, próximos à esquina.
Estão alegres, entrosados, conversam como quem se conhece há anos. Logo vão se despedir. Cada um precisa ir para um local diferente agora.
Maqêdo olha de longe.
Está na esquina, ignorando os carros e pessoas passando. Só vê o casal.
Por algum motivo, eles o confortam. Seu entrosamento lhe dá uma sensação de leveza.
Olha fixo para eles, sacode os braços, está aprovando-os. Eles sim têm amor. Amor sincero. Disso Maqêdo entende.
Eles riem, percebem-no ali, percebendo-os. Riem desconcertados, lisonjeados. Têm a aprovação de Maqêdo. Isso é algo para poucos.
Ninguém mais o vê em celebração à emoção.
Se abraçam novamente, em comemoração.
Maqêdo abre seu sorriso sujo, sorriso sincero.
Em tanto tempo de vida (ninguém jamais saberá quanto), viu poucas vezes amor assim passar.
Vê concreto, muros, carros, mas ele já se esquecia do amor. Gradativamente foi sumindo de sua realidade, como um reflexo da realidade exterior, do mundo em que vive.
Ele sorriu, mas não só pelo casal. Sorriu por todos. Todos que se amam, que se gostam... Sorriu pela felicidade, pelo compartilhar, pelo dividir.
Sorriu por lembrar que em meio às pedras de sua cidade, sempre nascerão flores.
Maqêdo se sente leve.
De pouco em pouco, estão tirando o peso da sobriedade de seus ombros.
Está sentindo novamente a graciosidade da alienação.
A alienação por amor.

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Artista do Espaço Sideral

Sábado, Julho 14, 2007

Me perguntam quem sou
Respondo "sou a dor"
Sou frescor
Sou conhecimento, sou a razão
Calor
Tesão

Querem saber que faço
Que asso? Quem caço?
Caço todos, todo dia
Vivo da carne de outros
Ardendo na minha, que agonia
Vivo do sangue, sou vampiro
Libertino

Me perguntam que cor tenho
Minha mão é vermelha
A outra é azul
De pintar o céu
Pintar o amor
Sou pintor
Sou escultor
Sou artista do mundo
Do universo
Do espaço sideral

Mineiro da Lua
Eletricista do Sol
Gari do lixo espacial

Me perguntam de onde venho
De seus desejos
Seus devaneios
Venho do bueiro, do esgoto
Do mar receoso
Das flores do canteiro

Cheiro a magnólias
A tulipas

Meus abraços de hera
De rosas vermelhas
Espinhos sinceros
Espinhos de amor
De um amor perfeito

Tenho mão vermelha
A outra azul
De pintar o céu
Pintar o amor
Sou pintor
Escultor
Sou artista do mundo
Do universo
Do espaço sideral

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Palavras (3)

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Certas vezes, tenho a sensação de que meu único pertence real são minhas palavras. No dia em que perdê-las, não serei mais nada. Estarei morto.

Se um dia perder minha visão, sem poder ler, ou minhas mãos, sem poder escrever, ou minha voz, sem poder recitar, enterre-me.

Enterre-me vivo.

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Poesia de Arranha-Céu

Terça-feira, Julho 03, 2007

O barulho dos carros não atrapalha. Até complementam. Fazem parte de uma sinfonia. São a base da música, o papel de parede, o cenário daquela peça.

Os atores são muitos, incontáveis, inimagináveis. Andando pelo infinito cenário, se tromba com todos eles, de todos os tipos.

Vou andando, vejo aquele de olhar distante, encostado na parede, procurando algo, alguém, onde está ela? Devo esperar? Estou preocupado. Olha esse cara bizarro passando, que cabelo é esse? Meu cabelo está bom? Deve estar muito chamativo. Aquele cara na parede tá olhando pra mim...

Pelo cenário, vê-se de tudo, de todos, todos os tipos, acostuma-se com tudo. Aquela roupa incompreensível se torna tão comum, divertida, te alegra os olhos. Pessoas felizes, sendo elas mesmas, as invejo, as admiro, me inspiram.

Inspiro outros, vejo nos olhares, olhares trocados, roubados, será que estava olhando pra mim? Como era linda. Droga, deixei passar. Será que estava olhando pra mim? Como era lindo. Droga, deixei passar.

Olhamos todos, procuramos alguém que procure também. Alguns já acharam, são felizes, os invejo, os admiro. Encontro-os nos becos escuros, nas salas de cinema, nas cadeiras de bar lado a lado, de braços dados, no meio da rua, num abraço apertado. Se beijam como jovens apaixonados, como se fosse o primeiro amor, a primeira paixão, a recriprocidade, a sensação de inédito, sensação de amor, meu Deus te amo, como te amo. Quero ficar aqui pra sempre, ele fala baixinho no ouvido dela, que estremece, te amo também, te quero pra sempre, pensa consigo. São amores fortes, amores de todos os tipos, de toda intensidade, ou sem felicidade, nem amor, só amargura, uma discussão no meio da rua, lágrimas caindo, gotas de chuva, o céu está cinza, está feio, sem alegria, sem amor, só uma recordação da tarde de sol que antes fora, só recordações, de um tempo bonito, de um céu cor de rosa. Aquela rosa que te dei. Te amei. Agora é só neblina. O tempo não vai melhorar. Preciso embora. Agora.

Vou correr, trombar com outros. O cenário é grande, os atores são muitos, são brutos, vazios de tudo. É oco, sem nada dentro, sem história, sem passado, olha pro nada, olhar vazio, vê nada, espera nada, nem ninguém, sem alguém, sem propósito, sem começo, nem meio, nem fim.

É noite, penduram a lua no fundo do cenário, atrás dos prédios, sorridentes, espectadores. Assistem a peça, os atores andando de um lado pro outro lá embaixo, cada um com sua história, sua felicidade, tristeza, sua pressa, sossego, cansaço, estou exausto, estou tão animado, a noite está linda, ficarei aqui pra sempre, meu celular está tocando. Cada um com sua história, seu começo meio e fim, suas conversas, meu celular está tocando, seus coadjuvantes, é meu irmão, e seus compromissos, preciso ir embora.

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Strangers

Domingo, Junho 24, 2007

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Darmagedom II

Terça-feira, Junho 19, 2007

Dois anos completos de MOURISMENT.

Quanto tempo demorará pra eu tomar vergonha e fechar essa espelunca?

 

Tudo Que Esqueci de Dizer

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Vou deixar esse espaço em símbolo a todas as coisas que tentei dizer e não consegui, todas que eu lembrei e esqueci, e todas as que pensei mas nunca direi.

Todas as coisas de agora, de antes, e pra sempre. Tudo que eu não disse está aqui:




































































Obrigado.

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Fitas de Cetim

Quarta-feira, Junho 13, 2007

E quem quer entrar na dança?
Pra frente, pro lado
Tropeçar, cair de quatro
Na boa vontade, quase alcança
Mas a dança é nossa
Tão formosa
Rápida
Misteriosa
Na boa vontade, quase alcança
Mas ninguém balança
A dança é nossa
A dança é minha
Vou rápido e brusco
Você só caminha
Te jogo pra cima
Você é minha
Cai no chão
"Não sou não"
A dança é um solo
Não cabe mais ninguém
É muito perigoso
Posso machucar alguém.

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Escuro

Terça-feira, Junho 12, 2007

De quem é o rosto que você vê quando deita a cabeça e fecha os olhos?

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Invencível

Sábado, Junho 09, 2007

Certas vezes, preciso me lembrar de que as pessoas que gosto não têm uma armadura da invencibilidade como eu.

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Concretismo

Sexta-feira, Junho 08, 2007

Se a mentira tivesse um formato, indiscutivelmente seria uma esfera brilhante prateada, e à exceção de um microscópico racho na parte inferior dela, uma esfera perfeita. O gosto, obviamente, uma deliciosa mistura do doce do mel e do cacau.

A verdade, por outro lado, certamente seria um fragmento uniforme viscoso numa coloração meio rosada, meio albina, coberto de uma gosma esbranquiçada, com um repulsivo gosto azedo de remédio para lumbriga.

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Para Meu Dia Nascer Feliz

Quinta-feira, Junho 07, 2007

Cores

Porque certas vezes é preciso largar mão, parar de se preocupar, parar de enxergar cinza em tudo.

O mundo é colorido demais. Só precisamos ver.

Preto e branco jamais nos levarão a qualquer lugar. Cores saturadas não nos trarão felicidade.

Certas vezes, é preciso enxergar o céu roxo prendendo a respiração, brincando de quem agüenta mais tempo sem respirar. Ou árvores amarelas, se fingindo de ouro, mostrando todo seu brilho.

É preciso enxergar cores mesmo onde não tenha. Porque, se virmos, então terá. Nosso mundo será tão colorido quanto quisermos. Só depende de nós, de nossos olhos, do que queremos ver.

Não podemos deixar o daltonismo nos dominar, e tomar nossa percepção.

O mundo é colorido sim.

E nós iremos ver.

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Maqêdo | A Máquina

Quarta-feira, Junho 06, 2007

Maqêdo permanece em pé. Mantém um olhar seco, centrado, enquanto alimenta os pombos em sua volta.

Não tem preocupações. Hoje não é dia de preocupações.

Respira com calma, e viaja os olhos pelo chão enfestado de pombos, enquanto pedaços de pão voam de suas mãos.

Não está interessado no que está à sua volta. Não, não hoje.

Maqêdo acredita sinceramente que a única forma de tudo se resolver, é com cada um fazendo sua parte. Ele vê o mundo como uma grande máquina operada por incontáveis pessoas, mas a máquina só funciona quando todos, absolutamente todos, fazem apenas a sua parte, e nada mais. Nenhuma interferência.

Ele acordou, e veio calmo até os pombos. Sabia que nada mais existia no mundo para fazer. Sua parte era aquela. Sua função na Grande Máquina era aquela, então concentrou-se, e fez o melhor que pôde.

Nada mais em volta importava. Não devia se importar. Só devia se concentrar ali, em si mesmo, e em seus pombos.

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Dança

Terça-feira, Junho 05, 2007

Dança

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Grafismo Natural

Segunda-feira, Junho 04, 2007

Árvore de Deus

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Dor

Domingo, Junho 03, 2007

Tantos caminhos, tantas certezas, tantos riscos, tantas pretenções.

Tanta certeza de que chegaria "lá", naquele trono coberto em ouro.

Tantas pessoas vistas, conhecidas, usadas, deixadas...

Meu ego traçou meu caminho.

E o destino, previsto em nuvens de riquezas, concretizou-se um Império de Sujeira.

Tudo que tive, dissipou-se em cinzas.

Nunca mais verei nada daquilo, nenhum deles, nada mais.

Meu abismo pútrido eu conquistei, e é só o que me resta.

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Genialidade

Sábado, Junho 02, 2007

Você é especial, você tem idéias inteligentes, inovadoras, únicas. Mas elas não valem de nada enquanto você não executá-las.

Você pode ser um gênio, mas se ninguém mais viu isso, você é um gênio apenas dentro de si, porque toda a sua genialidade vai morrer com você.

E se tudo de especial que você tinha, você deixou morrer consigo, então você nunca teve nada de especial.

Nada de genial.

Nada.

Porque a genialidade não está nas idéias, mas na execução delas.

Ter idéias e não executá-las ainda é não ter idéias.

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Mundo/Tempo Pt. 2

Quinta-feira, Maio 31, 2007

O que nós temos são valores.

São valores próprios, valores dos outros, da sociedade, de nossos amigos, de nossos parentes. Carregamos conosco a mais variada quantidade de valores. Carregamos os nossos, respeitamos os de nossos familiares, consultamos o de nossos amigos.

Nós também temos metas. Metas nossas, só nossas. Mas, devemos conquistá-las através de nossos valores próprios, respeitando o de nossos familiares, e consultando o de nossos amigos. Como conciliar tudo? Conciliar todos, todas as opiniões...

Até onde devemos seguir o roteiro pré-formulado para nós? Devemos seguí-lo? Ou devemos criar o nosso próprio roteiro, seguir nossos instintos..? Devemos confiar em nós mesmos?

Como convencer os outros de que o seu roteiro é o melhor para você? É o seu filme, você é o diretor, e você realmente confia no roteiro. Não aquele editado e reformulado pelos executivos do estúdio, mas aquele escrito pelo roteirista que ninguém conhece, mas que você sabe que é bom. Aquele roteirista que você sabe que tem talento. Como você vai convencer todas as outras pessoas envolvidas no filme, todos os produtores, os patrocinadores, todos, de que aquele é o caminho que você realmente acha que deva ser seguido?

Você realmente tentará convencê-los, ou abrirá mão, seguindo seu caminho, produzindo-o independentemente, ao lado de pessoas que nunca precisou convencer para estarem do seu lado?

São valores, muitos valores... Valores demais para um único filme.

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Mundo/Tempo

Terça-feira, Maio 29, 2007

Você já teve aquela sensação de que a vida é curta demais pra você? De que o mundo é grande demais para ser aproveitado tão rapidamente?

Aquela sensação de saber que, não importa que caminhos você escolha, você nunca vai aproveitar tudo que quis, tudo que quer, tudo que quiser...

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Strangers: Parker

Sábado, Maio 26, 2007

strangers

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Maqêdo | Lágrimas e Rezas

Sexta-feira, Maio 11, 2007

No mundo, há muitas pessoas que rezam. Não importa quando, como, nem com que freqüência. Mas existe um ponto em que todas, de alguma forma, acabam rezando. Seja numa confissão de desejo baixinho para si mesmo, figurando algo na mente em troca, seja ajoelhado, lamuriando aos prantos.

Maqêdo reza. Ele anda agitadamente, apoiado em seu pedaço de madeira, e vai até o local o mais alto no meio das pessoas, literalmente no meio, onde todas passam rapidamente com seus móveis de quatro rodas. Olha bem em volta, olha para todos, para tudo, fixamente. Ergue seu cetro, e começa a lamentar em voz alta, tão alta, que ninguém o ouvia. E ele sabia disso. Lamentava por isso também. Todos, tão preocupados com suas próprias vidas, fazendo ruídos ensurdecedores com suas carroças à gasolina, e ninguém o ouvia.

Ele grita, chacoalha seu cajado aos céus, lágrimas escorrem por seu rosto negro, suas barbas brancas. Lamenta por eles, todos eles. Anda em seu gramado, balançando, chorando, pedindo que mudem, que vejam, que entendam.

Fecha a cara, aponta o cajado para um, bem distante, e gira em torno de si mesmo, apontando para todos, enfurecido, praguejando, blasfemando.

As pessoas seguem reto, seguem rápidas, intocáveis, inatingíveis.

Maqêdo perde-se de vista, deixado para trás. Transforma-se num ponto pequeno, bem distante, ao fundo do espelho retrovisor. Maqêdo desaparece para sempre, até o dia seguinte.

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Maqêdo | Apresentação

Terça-feira, Maio 01, 2007

Existe um homem. Ele pode ser visto todos os dias.

Faz uso de uma camiseta e calça, ambas pretas, ambas velhas, ambas rasgadas, sujas, fedidas. Sapato, em estado igual, com exceção à cor, marrom.

Como acessório, carrega um cobertor às costas. Xadrez. Velho. Rasgado, sujo, fedido.

É visto todos os dias, religiosamente, no mesmo centro da cidade, através das ruas, dos pontos de ônibus, dos olhares amedrontados, das expressões de desprezo e repugnância.

Coisa que poucos sabem, é que ele retribui as expressões de desprezo e repugnância igualmente.

Caminhando meio torto por entre as multidões de pessoas receosas, pessoas vomitando olhares, ele, com seu copo descartável branco na mão direita, o ergue de forma sutil, uma ofensa que só ele compreende, enquanto resmunga palavras desconhecidas e impronunciáveis, desdenhando essas pessoas vazias e fáceis vivendo em seus mundinhos vazios e fáceis.

Ele as desdenha, com prazer. Pessoas rasas, com morais tortas e dignidade rachada.

Rí das pessoas escorregando para longe dele. Rí do medo inexplicável que elas criam dentro delas. Com tantas coisas terríveis no mundo, em suas casas, nelas mesmas, elas resolvem sentir medo dele.

Olha de canto para elas, de forma sutil e despreocupada, cuspe ao chão, e pára ao lado da única pessoa que o ignorou como ele deveria ser ignorado, e murmura sons de reprovação às outras pessoas, como um amigo que puxa o outro para difamar próximo à orelha.

Continua andando. Resolve dar algo a elas, algo que elas se recusam a dar a ele. Ele as ignora. Ignora da mesma forma como elas deveriam ignorá-lo, e não o fazem. Porque era só isso o que ele queria. Era só o que ele era. Algo a ser ignorado.

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Árvore Genealógica (Revisited)

Segunda-feira, Março 26, 2007

Árvore Genealógica

*Clique pra ver em tamanho grande.

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Mito

Quinta-feira, Março 22, 2007

Mitos, histórias, ilusões, mentiras...

...Mentiras, ilusões, histórias, verdades.

Mitos, verdades, fantasias, realidades.

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O Deserto dos Pássaros Aquáticos

Quinta-feira, Março 15, 2007

Eles não sabiam o que eram, nem por que existiam. Mas isso nunca foi problema.

Para eles, mais importante do que saber o que eram, ou sua razão no mundo, era saber que eles existiam.

Não importava o por que, ou pra quê. Só importava saber que eles estavam lá, vivendo.

Todo o resto, eram detalhes ínfimos.

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Árvore Genealógica

Terça-feira, Março 13, 2007

Family Tree, by Mouris

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Diário de Lavínia Opperman

Sexta-feira, Março 09, 2007

5 de Agosto de 2039

Depois de tantas coisas escritas, sentimentos transcritos, histórias narradas, apenas agora fui parar para perceber como consigo falar de mim mesma de forma tão casual, fluida, quase como se estivesse conversando com meus amigos.

Devo ter herdado isso de minha mãe. Às vezes noto em mim a agitação e animação que ela costuma ter quase sempre. Certamente não foi de meu pai que herdei isso.

Pessoa fechada, ao mesmo tempo que descontraído. Fala, e se deixar, fala bastante, mas nunca sobre si próprio. Nunca entendi bem isso, apesar de já termos conversado sobre. Às vezes penso que, talvez, se ele não fosse tão sério e fechado, não teria chegado tão longe na vida. Mas mesmo assim, às vezes sinto falta daquela liberdade nas conversas como tenho com minha mãe. E tudo isso acaba sendo engraçado, porque por mais distante que ele se coloque, é dele meu maior afeto (e que minha mãe não leia isso!). Não sei bem por que, mas sempre, desde pequena, eram os abraços dele que mais me emocionavam e confortavam, eram as conversas dele que mais me interessavam, era dele quem mais sentia falta nas férias.

Mesmo assim, não é exatamente algo que eu pretenda ter com meus filhos. Não quero nutrir essa barreira na minha relação com meus filhos. Na verdade, acho que eu nem deveria estar pensando nisso agora; é muito cedo ainda (e sempre digo isso, e sempre acabo pensando nisso). É, acho que estou fadada a ser uma dona-de-casa. Só não sei bem quanto tempo ficarei casada com meu marido. Espero que até lá eu tenha resolvido esse meu lado meio-apático.

Minhas amigas costumam comentar sofrerem do mal da falta de interesse depois de algum tempo. Comigo é quase o inverso. Eu demoro pra me apegar a alguém. Diz minha mãe que herdei isso dela, porque meu pai era o homem mais apaixonado que ela tinha visto até então, enquanto ela nunca foi de se surpreender facilmente. Isso é comprovado pelo fato de eles só terem começado a sair oficialmente muitos anos depois de se conhecerem. Eles dois têm história, acredite.

Às vezes fico olhando meus amigos, brincando de descobrir qual deles será meu marido. Alguns dias dá empate, em outros ninguém ganha. É justamente esse meu medo. De que, num dia, meu marido seja o homem mais lindo do mundo, e na semana seguinte, seja apenas aquele senhor de rosto sério e sombrancelhas franzidas que mora em minha casa. Ninguém tem controle sobre isso. Todos nós sabemos que tudo é eterno enquanto dura. Então, acabo chegando na conclusão de que é simplesmente um risco a correr. Acredito que não devemos nos perguntar se estamos dispostos a passar o resto da vida com aquela pessoa, mas se estamos dispostos a concretizar o que temos agora, e dispostos a lutar pra que aquilo dure o máximo possível.

Apesar de que, com certeza, quem me conhece diria que não sou a pessoa certa pra falar de relacionamentos duradouros; principalmente meus ex-namorados. Nunca deu certo de fato com qualquer um deles. Era algo bom, que me rendia história e experiência, mas eu sinto como se eu nunca houvesse tido uma história especial, aquela coisa deliciosa que guardamos conosco pelo resto da vida, mesmo que não tenha terminado como gostaríamos ou esperávamos.

Receio que eu nunca vá ter uma história especial assim. Que eu nunca terei músicas, lugares, objetos que me transportassem pra um universo passado, outra vida, outros sentimentos, outras pessoas...

Mas aí eu me lembro que sou jovem. Muito jovem. E apesar de isso ser relativo, eu sou de fato jovem, muito jovem, o que me dá grandes esperanças de viver algo assim futuramente. Acho que só devo esperar.

Não. Meu pai brigaria comigo se me ouvisse dizer que preciso esperar. Me mandaria viver a vida, viver cada momento, e não esperar o grande acontecimento, mas viver minhas histórias, que sozinhas traçarão o caminho até o grande acontecimento, a grande história. E terminaria dizendo que esse papo de "histórias especiais" são idiotices, porque tal coisa não existe, ou existe demais, dependendo do ponto de vista. Porque não existe uma grande história especial em nossa vida, mas um grande número de histórias, histórias que montam nossa vida, e que tornam nossa vida especial.

Então, vou viver minha vida. Por mais que erros possam ser cometidos, e escolhas mal tomadas, é um risco que eu decidi correr. Não posso mais esperar grandes pessoas em minha vida. Agora é hora de eu procurá-las, e torná-las especiais.

Ninguém fará isso por mim, senão eu mesma.

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Daquela Nostalgia - 1 Ano

Quinta-feira, Março 01, 2007



[__________]

Porque isso é tudo que eu poderia descrever em palavras.

[...]

03:44

 

Toilets

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Toilets

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Cidade Fantasma

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

A poeira no parapeito de uma janela. Ela continua aberta pela metade, do mesmo jeito que estava quando a abriram pela última vez.

O vento sopra forte lá fora, puxando as cortinas, fazendo-as dançar em ritmo frenético, ao som intenso da voz do vento, assobiando baixinho, bem agudo, elogiando a dança que observa atentamente com um de seus olhos.

O vento carrega consigo inúmeros olhos, que vagam pela cidade, assistindo a tudo. Com seus braços fortes, agita as árvores, querendo que dancem como as cortinas, mas elas não foram feitas para isso, e começam a resmungar contra o vento, emitindo um som seco, como folhas se chocando, e caindo na terra molhada. Terra molhada, que estava a admirar a discussão acima dela, concordando com o vento, porque estava brigada com a árvore desde que percebeu que ela nunca foi sua amiga; só estava usando-a para abrigar suas longas e irregulares caudas.

Havia cansado dali, e começou a andar pela avenida principal. Todas as ruas eram feitas de pura terra, o que dava a ela uma certa sensação de orgulho.

Admirava as construções ali localizadas. Grandes casas de madeira enfileiradas lado a lado, do começo ao fim da avenida. Esta era a cidade.

Não entendia bem o que acontecia em cada uma daquelas casas, mas já havia percebido que cada uma abrigava objetos diferentes dentro, que as pessoas entravam para levá-las. Eram, na verdade, lojas de comércio, intercaladas por casas convencionais, onde famílias numerosas costumavam se comprimir dentro.

Elas não gostava muito destas tais construções, porque nunca podia ver dentro delas. Todo chão era revestido de tábuas de madeira. Era, aliás, uma certa intriga entre a terra e a madeira, porque apesar de a terra poder ver praticamente tudo ao longo da cidade, era a madeira quem podia ver dentro destas lojas. A madeira, aliás, costumava sempre se vangloriar por isso.

Mas ultimamente, não pôde rir tanto. Suas tábuas haviam se tomado de poeira, e vivia sendo atacada por antropofágicos cupins. Não sabia mais o que fazer. Ela não sabia se cuidar sozinha. Sempre esteve sob os cuidados dos homens, mas desde que estes desapareceram da cidade, nada mais foi o mesmo.

Ninguém jamais soube o que aconteceu com os cidadãos. Nem os ventos, com seus incontáveis olhos invisíveis, nem a terra, que se alastrava pela cidade, dando superfície a tudo e todos. Desde que eles sumiram, a cidade havia entrado nos chamados Novos Tempos.

Por muito tempo, indagou-se quem tomaria o controle depois do Tempo dos Homens. Nunca se proporam a votar, porque aquilo nunca foi uma democracia. Mas quase todos concordavam na certeza de que seria a terra. Era uma das mais velhas e experientes, esteve lá desde a criação, e podia ver praticamente tudo, e desde que os homens desapareceram, ver dentro das lojas e casarões já não tinha importância, porque nada mais acontecia lá.

No dia em que todos acordaram, e viram que os homens haviam desaparecido, a terra já estava se tratando como a nova comandante. E foi, por algum tempo. Mas ainda havia um concorrente aos Novos Tempos que todos haviam negligenciado. Antes mesmo que a terra pudesse começar a fazer suas mudanças, já podia-se notar a estranha movimentação de alguém insignificante, até então.

Sem os homens para limpá-la e exterminá-la de todos os lugares, a poeira começou a crescer e se alastrar. Começou a tomar todos os lugares, se expandir em todos os cômodos de todas as casas, encrostar-se mais e mais nos objetos, quase como camuflando tudo do resto do mundo.

Ninguém esperava aquilo. Estavam todos chocados. E, numa cidade onde a chuva havia se cansado das intrigas e ido embora há muito tempo, somente o vento poderia tentar algo contra o ataque massivo da poeira.

Mas, onde havia poeira, não havia vento, e onde havia vento, não havia poeira. Assim, estabeleceu-se uma trégua. A cidade se dividiu em dois comandos: o ancião, mas ainda fortíssimo, vento; e a inteligente, mas subestimada, poeira.

Foi a trégua que se manteve por muito tempo, já que os homens nunca voltaram, nem nunca voltariam.

Os homens foram pegos numa cilada, planejada pelo ambicioso e egoísta mar.

Vendo a ganância dos homens, e seu crescente domínio, resolveu propôr a eles que viessem morar em sua casa. Argumentou que se sentia sozinho, abandonado pelas árvores, pela terra, até pela insignificante poeira.

Os homens, então, se aproveitaram da solidão do mar, para conquistar o segundo dos Três Reinos.

Migraram então para o mar. Foram, um a um, caminhando pelos tapetes de areia, entrando no abismo das águas.

Mas, eles haviam se esquecido que seu eterno aliado, o ar, era o eterno inimigo de seu irmão, o mar, e não seguiu-os para o fundo das águas. Nem sabia que os homens pretendiam tal coisa, e os próprios homens haviam se esquecido da longa briga entre mar e ar, e acabaram se perdendo nos longos corredores da mansão do mar, o eterno traiçoeiro que havia sido abandonado por todos. E continuaria assim, porque seu único aliado em muitas eras, o homem, enganou e matou em sua malevolência inexplicável.

Alguns diriam que os homens morreram sem conquistar o Terceiro Reino; diriam que conquistou o Reino da Terra, e morreu tentando conquistar o Reino das Águas, sem nunca conseguir conquistar o Reino dos Céus, eternamente cobiçado pelos homens, desde antes mesmo de se acostumarem com o Reino da Terra, o reino que lhes foi dado.

Mas eles conquistaram sim, tudo. Viveram na terra, perderam seus corpos nas águas, e dominaram os Céus com suas almas.

Enquanto a terra viveria eternamente sob as conseqüências dos atos dos homens, o mar se viu obrigado a fazer drásticas mudanças em sua imensurável mansão de água, agora que estava fadado a ter os corpos de todos os homens alojando seu reino. E, depois de tudo isso, a alma dos homens agora dançava pela imensidão dos Céus, num ritmo frenético, ao som intenso da voz do vento, assobiando baixinho, bem agudo, elogiando não a dança, que observava atentamente, mas a força do homem, sua vontade, mesmo que misturada com ganâncias e arrogâncias, porque, ainda assim, era uma determinação que ninguém jamais viu, ou veria novamente. Nem no observador vento, nem na esperta poeira, nem na experiente terra.

Era algo reservado aos homens, e a eles apenas.

Era isso o que os deu chances de conquistar os Três Reinos. E era isso o que os tornava aquilo que eram, aquilo que foram, aquilo que sempre serão.

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Homem

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Já cheguei a achar que não poderia mais me surpreender comigo mesmo; que já conhecia quase tudo de mim; que só o que ainda não conhecia, era o que eu ainda mudaria em mim mesmo futuramente.

De repente, encontrei em mim um homem de esperança. Talvez sempre tenha sido assim, talvez tenha acabado de me tornar. Não importa. É o que sou agora.

Sinto correr em mim a esperança, esperança de segundas chances, esperança de que conseguirei o que quiser e lutar por.

Sinto correr em mim a força de vontade que esteve oculta há muitos anos, o poder de luta que havia perdido quando o mundo começou a se tornar fácil para mim.

Já cheguei a achar que não voltaria a ser o que fui outrora. Mas estava errado. Voltei a ser, e voltei mais forte.

De repente, acordei um homem de força, de esperanças, de vontades.

De repente, acordei um homem.

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VOLP Interativa

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

O novo site da VOLP Interativa está no ar. Por enquanto, algo básico, mas mais pra frente, reformularemos nossa identidade, desde a concepção do logo até o layout do website, seguindo à risca o conceito de interatividade. Mas por ora, está aí.

www.volpinterativa.com

Abraços (e nos indiquem!).

 

De Pesares, Vidas e Verdades

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Caminhando lentamente, ele chegou. Deu uma boa olhada em volta, sentindo uma espécie de desapontamento, porque era exatamente como as pessoas diziam (e ele, claro, esperava algo mais).

Parou no grande portão, e logo um senhor veio atendê-lo. Não viu de onde ele surgiu, mas também não se importava muito; naquele lugar, qualquer coisa era possível.

"Bem vindo" o senhor de cabelos brancos disse, em tom simpático. "Então é aqui?". "Sim, é aqui, e um pouco mais além, até mais ou menos o infinito". "Lugar simpático", terminou a conversa, de forma abrupta e irônica; não se sentia muito confortável com o senhor de cabelos brancos; era cliché demais para seu gosto.

"Então, agora é hora de você me perguntar se me arrependo de meus pecados, e blá blá blá, e então eu entro, certo?"

"Onde você ouviu essa baboseira? Eu tenho uma pergunta, sim, mas não é nem próxima disso. Só depende dela, e você então fará parte do enorme grupo que se encontra além deste portão, um grupo formado por muitos, muitos que você passou a vida ouvindo sobre, muitos que você nem imagina que tenham existido, outros que são os primeiros de todos. Mas você precisará responder com sinceridade, não importa qual seja a resposta."

"Vamos, estou morto, mas o tempo continua passando."

"O Tempo. Hahaha. Os homens nem imaginam o que isso realmente significa" pensava ele, mas deixou para explicar isso em outra hora mais apropriada.

"A única coisa que você precisa me dizer, jovem, é se existe algo que você se arrependa de ter feito, sem essa coisa de pecado que os homens inventaram. Você se sente tranqüilo com todas as decisões que tomou na vida, tenham sido boas ou ruins? Você gostaria de voltar e corrigir erros passados? Ou você não se arrepende de qualquer uma das idiotices que fez, das pessoas que fez sofrer propositalmente, das mentiras que contou...?"

Ele ainda estava um pouco intrigado. Era mais ou menos o que ele esperava, o tal papo do arrependimento, mas não tinha certeza do que deveria responder. Resolveu ir na sorte, seguindo o conselho de responder com sinceridade.

"Não. Não me arrependo de qualquer coisa. Menti, blasfemei, julguei, ignorei, ofendi, e tantas outras coisas, e não, não me arrependo de qualquer uma delas."

"Ótimo", o velho dizia, enquanto os portões iam se abrindo. "Siga a trilha, e encontrará o lugar que esteve reservado a você eternamente."

"Como assim? Eu acabei de dizer que não me arrependo de nada. Eu não deveria merecer este lugar. Deveria surgir um elevador aqui agora, me levando pra baixo, como todo mundo diz."

"Que tipo de lavagem fazem com vocês lá na Terra? Vamos lá, vou tentar deixar o mais claro possível a você. Isso aqui não é uma questão de ser bom ou ruim, como vocês gostam de colocar, porque, na verdade, esses termos nem existem; são coisas estúpidas que vocês criaram pra se auto-julgarem. Este lugar não está reservado para quem viva bem, para quem seja bom com os outros, e etc. Este lugar é para quem está de alma limpa. Não 'limpa' de não haver 'podres' carregados ao longo do tempo, mas limpa de consciência, de estar tranqüilo consigo mesmo, com as coisas que fez, com as decisões que tomou. Este é o fim. E o fim só está reservado a quem não tem mais relações com o passado. De nada adiantará ter uma vida falsa, almejando o dito 'Paraíso', se você chegar aqui sentindo que não viveu o que gostaria de viver, sentir um vazio em si mesmo. Essas são as pessoas que não estão preparadas para o fim, e são elas que voltam, e revivem suas próprias vidas, tentando então viver o que não viveram, e o fazem até terem a capacidade de chegar aqui, olhar nos meus olhos, e dizer que não se arrependem de nada, que viveram o que precisaram viver. Você já esteve aqui muitas vezes, mas pela primeira vez, atravessará os portões. O que existe do outro lado, você descobrirá logo mais, então, só te resta caminhar, como fez por todas as suas vidas. Caminhe através da trilha, e quem sabe, encontrará o fim dela. Mas não se importe com o tempo que leve, nem tente mudar o caminho; você só deve seguir o caminho que achar que deva seguir, e nunca, nunca voltar, nem se arrepender das esquinas que cruzou."

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Nota a Todos os Leitores

Domingo, Janeiro 28, 2007

Eu vou ser sincero. Não gosto de ressalvas. Acho inadmissível que o autor explique suas obras. A graça de tudo isso é que as pessoas questionem, opinem, e interpretem-nas. Mas, quando a falta de explicação de minha parte afeta a opinião das pessoas quanto a mim, é sinal de que eu preciso me pronunciar, então farei isso agora, uma única vez.

Esse blog foi criado com uma proposta inicial. Não iria ser apenas um blog pessoal, um diário digital, muito menos um lugar para publicar críticas, como havia sido o blog anterior. Esse blog, desde o início, iria ser usado, digamos que, em prol da Literatura.

Eu estava cansado da dissertação e argumentação. Até crônicas eu já estava com um pé atrás. Então resolvi escrever coisas que me proporcionassem um prazer diferente. Na verdade, escreveria algo que me proporcionasse um prazer, ponto. Porque argumentar nunca foi apreciável para mim, nem admirável. Todos temos opiniões, e expressá-las através de textos bem explicados não há nada de interessante.

Então, resolvi colocar minhas palavras em estruturas diferentes, falar sobre coisas diferentes, de formas diferentes. Foi aí que nasceu MOURISMENT, tendo a Literatura como braço direito.

É aí onde entra o mal-entendido.

Esse blog não expressa, necessariamente, o que eu sinto, o que eu penso, o que eu estou vivendo, etc. E muitas pessoas tomam meus textos como um caminho pra se compreender o que estou vivendo atualmente, e isso está errado.

Muitos textos, como o Diálogo, têm situações implícitas, que não significam, de forma alguma, que sejam situações que eu esteja vivendo, ou mesmo textos com opiniões explícitas, que da mesma forma, não significam que sejam as minhas opiniões. E também existem textos em que, não só as opiniões são opiniões de um personagem, como o próprio texto é escrito pelo personagem, e muitas pessoas confundem tais personagens como sendo eu próprio.

A idéia aqui é expressar idéias de formas variadas, mesmo que não sejam idéias que eu acredite.

Me frustra profundamente fazer ressalvas, notas explicativas, e afins, mas agora isso se tornou necessário.

Espero que eu tenha feito-me claro, e que não surjam novos mal-entendidos. Tudo aqui é de livre interpretação do leitor, mas existem certos limites, e quando a "livre-interpretação" se torna uma conclusão do leitor, e essa conclusão começa a afetar a opinião dele quanto a mim, é quando os limites entre o real e o fictício precisam ser reforçados.

A única coisa que precisa-se ter em mente, sempre, é que as palavras nem sempre são reflexo de seu escritor.

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Águas Secas de Um Corpo Sem Vida

Sábado, Janeiro 27, 2007

Há muito tempo, eu fui alguém sentimental.

Há muito tempo, roubaram a sensibilidade de mim.

Já fui doce, meigo, gentil, e tantas outras coisas nobres e admiráveis.

Hoje, sou um velho sem nada. Hoje, sou as carcaças deixadas pelas pessoas ao longo de minha vida.

Já fui jovem, belo, respeitado e admirado. Tudo isso foi roubado de mim.

Não sinto mais nada. Me roubaram a capacidade de sentir, de chorar, de me emocionar, de me irritar. Sou hoje a estátua-humana pintada de branco, que só serve para divertir e assustar.

Sou, hoje, pedaços de outros, pedaços de histórias, pedaços de experiências, de memórias. Sou um protótipo de sentimentos, um protótipo infuncional, um robô com problemas técnicos deixado de canto para a eternidade, substituído pela sua versão 2.0.

Sou hoje os pedaços que constituíram uma vida uma vez. Sou o monstro de Frankeinstein.

Mentira.

Nunca poderia sê-lo. O monstro, por mais horrível que fosse, havia sido abençoado com o poder da sensibilidade. Sou menos que o monstro. Eu sou um monstro de Frankeinstein que nunca deu certo. Não acordei, não senti, não respirei, não vivi. Só o que fui, foram pedaços. Pedaços de sentimentos, de mim, e outros.

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Distância

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

A distância não torna nossos sentimentos menos reais.

Só os torna mais ou menos intensos.

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O Segredo do Medo

Domingo, Janeiro 21, 2007

As pessoas têm medo de segredos.

Não.

O que as pessoas temem é não saber o segredo dos outros.

Ninguém tem medo dos próprios segredos. Ele está seguro, seguro conosco, protegido. O que nós sentimos pelos nossos próprios segredos não é medo, é remorso e/ou arrependimento, e acabamos confundindo esse remorso por medo.

E quanto aos segredos alheios, também não é medo que sentimos. É uma mistura de insegurança, curiosidade e inveja. Inveja de querer saber o que apenas elas sabem (porque saber é poder, e poder é algo que todos almejamos); curiosidade de saber o que pode ser tão importante que deva ser guardado; e insegurança de que aquilo possa te afetar de alguma forma caso fosse descoberto (porque, afinal, somos nós a questão, sempre).

As pessoas têm medo. Claro que tem. Mas não é medo do segredo, não é medo das outras pessoas. As pessoas temem a si próprias. Temem as coisas terríveis que são capazes de fazer, e que só elas sabem que poderiam.

As pessoas são seus próprios medos.

Você é seu próprio medo.

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Brechas Cotidianas

Sábado, Janeiro 20, 2007

Eu pretendia começar o ano com um post daqueles bons, mas não estou inspirado, e cansei de formalidades.

Então, num daqueles posts pequenos e pessoais, aproveito para reportar que finalmente conheci o Lala's. Diferentemente da outra vez, em que eu estava no lobby do Cine Bombril de um lado (esperando para assistir El Laberinto del Fauno), e Lala's do outro, conversando com um rapaz simpático, e acabaram entrando na sessão direto, dessa vez estava eu no HSBC com Ri. e Clau, matando tempo até a próxima sessão de Little Miss Sunshine (assistam!), quando Lala's e o mesmo rapaz simpático da outra noite saíram da sala onde passara Stranger Than Fiction (tenho preconceito a Will Ferrel então, não, não assisti).

O rapaz era mais tímido que simpático, mas talvez fosse isso o que o tornava simpático. Lala's, tão alto quanto imaginei que fosse, mas com a voz menos grossa do que eu previa. O Ri. riu de mim quando disse isso, porque não tinha lógica, mas tudo bem.

Para mais informações, visitem o WhaddaFuck!? do Lala's. Ele pode parecer mau à primeira vista, mas é tudo disfarce (a não ser quando o assunto é o FranzCafé).

 

Último

Domingo, Dezembro 31, 2006

Um turbilhão, tornados de sentimentos, de felicidade, de tristeza, de arrependimentos, de saudades, terminando com o acerto final de contas.

Começou no Limbo, totalmente despretencioso, até que chegou no Paraíso, e permaneceu lá durante muito tempo.

Agora me vejo no Inferno, pagando minhas ganâncias e arrogâncias.

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The Weeping Willow

Sábado, Dezembro 23, 2006

Às vezes lamento não ser a pessoa que os outros esperam que eu seja.

Às vezes lamento por eles não saberem que não sou quem eles esperam.

Às vezes lamento modificar quem sou em função dos outros.

Às vezes lamento me importar com os outros.

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