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Pessoas!
Sábado, Julho 30, 2005
Um momento por favor. Preciso silenciar.
Em greve espiritual com as palavras.
No Light 'Til Shadow
Quinta-feira, Julho 28, 2005
...E lá não haverão boas ações. Haverão, mas serão poucas, e essas poucas serão ofuscadas pela futilidade, hipocrisia, e superficialidade da enorme maioria restante. A morte se tornará algo comum, independentemente das várias formas que aconteçam. Pessoas se dirão contra as guerras, sempre, e independente do motivo, mas nunca farão algo significativo para acabá-las. Essas pessoas serão chamadas pelos mais jovens de "pipocas" (as pessoas que só agitam). Gírias serão algo comum. Na verdade, lá, a própria língua original será substituída por centenas de gírias, que serão usadas (imperceptivelmente) para simplificar as palavras, e tornar a comunicação mais rápida, porque as pessoas estarão ocupadas pensando na roupa que vestirão.
...E lá não haverá misericórdia. Poder será o propósito de tudo. Qualquer boa ação, bom olhar, sorriso agradável... tudo terá um segundo propósito, uma "segunda intenção". Aliás, esse termo será muito comum lá, mas eles não perceberão que ele representa muito mais do que apenas um termo comum. Todos os que tiverem poder irão querer mais poder. Grande parte das más intenções serão camufladas. As poucas pessoas "sem máscaras" serão as odiadas pelas outras pessoas, as que irão à julgamento, as que serão tidas como as poucas que estragam a sociedade. Essas pessoas serão as mais honestas.
...E lá não haverá sensatez. Até os mais inteligentes se desapontarão ao perceber como eles são. Até os mais pensadores se perderão nos pensamentos. Até os mais filósofos falarão besteiras que nunca teriam dito normalmente. Os mais superficiais serão os mais felizes, os mais seguros. Todos serão bonecos, simples seres vivos, fazendo o que foram programados para fazerem, dizerem o que deverão dizer, pensar o que foram programados para pensar. Tudo será uma grande simulação, um grande programa de simulação de vidas, onde tudo está conectado, todas as ações são previsíveis, mas ninguém nunca percebe. Os pouquíssimos que perceberão o que a coisa realmente é serão tidos como loucos, anarquistas, filósofos baratos, ou então os poucos que terão poder para mostrar essa realidade à massa, serão tidos como "bons artistas", e nada mais.
...E lá não haverá percepção. Todos os temores criados por um órgão comunicativo antigo e poderoso, que todos acreditavam, na verdade estava realmente acontecendo. Todas as desgraças previstas estarão acontecendo debaixo de seu nariz, e ninguém perceberá. Todas as predições serão levadas ao pé da letra, e o que realmente significava, se perderá no meio da ignorância, e quando esta realmente acontecer, ninguém perceberá. Lá, todos viverão sobre o óleo na água, sem nunca quererem saber o que tem através do óleo, e no fundo da água, mesmo sabendo que lá há todas as respostas, mas por pura preguiça, talvez, não irão querer abrir um mero espaço entre o óleo, pra mergulhar na água tão misteriosa.
...E lá não haverá luz até escurecer. Não haverá bondade, até haver a maldade. Não haverá felicidade, até haver a tristeza. Não haverá luz, até haver sombras.

Marcadores: Ensaio
Off The Records I
Domingo, Julho 24, 2005

Eu to precisando desenvolver o meu lado espontâneo. Diz a lenda que eu sou bom nisso. Em vir do nada e começar a falar qualquer coisa. Mas se eu ficar separando tudo por parágrafozinhos, pontos, vírgulas, letras maiúsculas, perde toda a graça. Então...
agora sim... eu to conversando com o Serj... a conversa vai render um post, mais pra frente, que eu vou escrever talvez quando terminar aqui.. meu irmao tah aki atras assistindo um dvd do los hermanos, e tah deitado no meu sofa... antes ele tava só deitado, em cima dos meus cobertores.. agora ele resolveu se enrolar no cobertor dele... com certeza absoluta vai dormir no meu sofa...e se fizer isso, eu durmo no colchao dele... huahua... amanha [hoje mais tarde] tem corrida.. f1 é foda... o raikkonen ficou com a pole.. vai largar na frente... o rubinho só sai em decimo quinto...montoya, coitado, decimo nono, se nao me engano.... ano que vem a BMW vai entrar como equipe na f1... vai ser interessante...eles compraram a sauber, que é onde tah o outro brasileiro, felipe massa... diz a lenda que ele ja ta querendo renovar contrato com eles, pra continuar na futura bmw... mas o futuro é incerto, futuro nao existe....
hoje só dando uma passadinha mesmo...pra nao passar o dia em branco...porque eu costumo postar de dois em dois dias, entao vim hoje... apesar de nao ter certeza de que ja fazem dois dias o ultimo post..mas nem ligo...eu estava a fim de escrever aos ventos, e nao tem graça escrever assim e guardar pra depois....
apesar de que esse texto nao ta com o tesão de verdade, porque eu acabei de fazer palavras ao vento naquele bloquezinho estranho da microsoft, aquece space... entao aqui é mais ou menos uma continuação....
acho que meu irmao vai mesmo dormir no meu sofa..e ele tah em cima dos meus cobertores, entao vou ter que usar uma manta pequena aqui que ficou no outro sofa.... mas beleza...
to com sono..
de novo
e vou embora....
vou dar um role por uns blogs escolhidos nos meus links ai do lado...
té mais
[alias... foto do barrichello que eu achei no site do uol]
Fostfolter
Sexta-feira, Julho 22, 2005
É preciso gritar! É preciso gritar o máximo possível, destruindo qualquer vestígio de cordas vocais. É preciso explodir. É preciso o barulho ensurdecedor ao lado da orelha, penetrando profundamente o ouvido, até explodir tudo de dentro. É preciso sair correndo e socar a cabeça na porta oca da cozinha. É preciso estrangular. É preciso estrangular a latinha de refrigerante e atacá-la contra a superfície mais próxima e resistente possível, com a maior força que conseguir. É preciso sair correndo, e correndo, e correndo, de encontro ao carro mais veloz, que esteja vindo de frente, pegando por baixo, fazendo girar, capotar por cima, e cair novamente no chão. É preciso pegar a música mais violenta e botar pra tocar enquanto destrói a parede com uma marreta de 5 quilos. É preciso brigar. É preciso sair socando a pessoa mais cretina que ver pela frente. É preciso fechar a mão, e levar o punho o mais forte e preciso possível de encontro aquela bochecha gorda e hipócrita. É preciso gritar novamente, como se o mundo estivesse acabando, e você se importasse com ele. É preciso gritar novamente, como se seu amor estivesse morrendo na sua frente e nada houvesse para fazer. É preciso gritar novamente, como se estivesse ouvindo Sepultura com uma angústia profunda e profunda, intensa e intensa, inexplicável, indescritível. É preciso gritar novamente como se odiasse tudo e todos, sem nem ao menos saber por quê. É preciso gritar novamente como se nada soubesse, como se nada gostasse, como se nada entendesse, como se soubesse apenas que quer gritar.
Marcadores: Ensaio
Pausa
Terça-feira, Julho 05, 2005
Momento para descansar o cérebro.
[ou o que deveria estar lá]
...
Eye of the Beholder #1
Segunda-feira, Julho 04, 2005
Há alguns dias atrás, eu encontrei um senhor no ônibus em que eu estava. Acho que eu estava voltando pra casa de algum curso meu, então devia ser por volta das 17:15. Como de costume, o ônibus estava cheio, então eu permaneci em pé. E no banco em minha frente, estava um senhor. Era a cadeira do ônibus que fica sobre a roda traseira, então a cadeira fica mais acima, então o senhor estava basicamente na mesma altura minha.
Eu tenho o costume de ficar olhando as coisas em volta de mim, então, normalmente, eu olhei para o rosto do homem. Ele aparentava estar entrando na casa dos 50 anos, mas com força pra aguentar mais uns 15. Tinha o topo da cabeça liso, mas em volta era grisalho. As sombrancelhas também, brancas. Se não me engano, tinha uma barba também, não muito grande. Ele parecia um simples senhorzinho, voltando do trabalho. Parecia meio magro, com roupas simples, e segurava uma bolsa retangular com alguns detalhes.
Logo na primeira olhada que eu dei nele, eu frisei o seu olhar. O seu olhar foi a coisa que mais me impressionou. O motivo de me fazer vir aqui.
Foi a primeira pessoa que eu não consegui entender o olhar, definir. Ele olhava pra frente, com as costas levemente curvadas, talvez conseqüencia da idade. Para alguém desatento, o seu olhar poderia ser tido como de cansaço. Mas não era, não simplesmente. Parecia uma mistura de cansaço com nojo, às vezes. Porque a cada olhada que eu dava, o olhar parecia mudar. E sempre sem absoluta definição. Incrível. Eu olhava uma vez, começa a pensar em alguma definição, e quando eu olhava novamente, eu via que não era nada do que eu estava pensando. Eu aposto que se eu fosse olhar para aquele olhar dele novamente, exatamente agora, eu seria obrigado a apagar todas as tentativas de definição já ditas até agora.
Eu fiquei todo o caminho de volta pensando, e pensando, sem chegar em alguma solução. Parecia um olhar tão simples, mas extremamente misterioso, sem demonstrar essa condição logo de cara. Você só percebia sua misteriosidade prestando atenção. Passei quase uma hora do caminho de volta pensando em alguma definição para aquele olhar, por mais simplória que fosse. Extremamente indefinível pra mim. Parecia um olhar que passava bem perto do olhar de cansaço, mas com certeza não era.
Alguns minutos antes de chegar no meu ponto, eu dei uma última olhada. Me surpreendi quando reparei num simples olhar de cansaço. Como era de esperar, era basicamente igual ao ohar misterioso anterior, mas claro, não igual.
Eu não sei o que diferenciava os dois olhares. Muito menos consegui descobrir o que tornava aquele olhar algo tão indescritível. Parecia algo tão simples, mas ao mesmo tempo tão complexo. Dentre tantas coisas absurdas que acontecem no mundo, aquela foi com certeza a que mais me chamou a atenção (na verdade, é até uma comparação meio mediocre, tendo em vista que basicamente todos os atos humanos têm um "como", logo, não tão absurdas). Talvez aquele olhar não fosse tão estranho, so misterious... pode ser que eu estivesse divagando inutilmente sobre algo superficial, e eu não tenha percebido... mas com certeza, aquele olhar eu não vou esquecer tão cedo.
Marcadores: Crônica
Simplimento Pensalista
Domingo, Julho 03, 2005
Vivemos onde vivemos, não porque queremos, mas porque vivemos.
Estar presente é uma condição, não uma opção.
Enquanto estivermos, estaremos porque estamos, assim como morremos porque morremos, não porque queremos morrer. Inconscientemente, morremos; achamos que nos matamos, mas ninguém se mata, todos morrem.
Vivemos onde vivemos porque vivemos, não porque queremos.
Marcadores: Ensaio, Poesia
Momento de Refletir em Prosa
Sexta-feira, Julho 01, 2005
Nós precisamos parar. Nós precisamos parar de vez em quando, para olhar as folhas caírem, os carros passarem. Nós precisamos parar um pouco para pensar na vida. Nós precisar parar um pouco de pensar na vida. Nós precisamos dar-nos um descanso físico e psicologico que todos necessitamos. Nós precisamos dar umas férias ao lado esquerdo do nosso cérebro. Nós precisamos parar um pouco para olhar as crianças correrem pelo parque. Nós precisamos parar de olhar para o espelho. Nós precisamos desligar o carro. Nós precisamos guardar as contas à pagar por alguns dias a mais. Nós precisamos sentar, olhar pra frente, e olhar para o nada. Nós precisamos relaxar. Nós precisamos deitar na grama verde e macia, olhar para o céu, e ficar tentando descobrir o que cada nuvem parece. Nós precisamos parar de vez em quando para aproveitar o momento. Esqueçam o famoso "não deixe para amanhã", e deixe para amanhã. De que serviria o hoje se não pudéssemos aproveitá-lo? De que serviria o amanhã, se não pudéssemos deixar algumas coisas para ele? Precisamos enfiar a bunda no sofá, puxar um banquinho para esticar as pernas, pegar o controle da televisão, e deixar o sedentarismo tomar conta. Precisamos tirar um dia para ler aquele livro que começamos há mais de anos, e não tivemos oportunidade para terminá-lo. Precisamos fazer mais uso da cama. Precisamos comprar o travesseiro mais gordo e fofo que tiver, e fazer uso dele durante uma noite calma e confortável que você deseja há anos. Precisamos tirar as pilhas do relógio de parede, e colocar o de pulso dentro da gaveta. Precisamos parar e olhar para a água caindo do céu. Precisamos nos admirar com as coisas mais simples da vida durante pelo menos um dia. Precisamos recuperar aquela curiosidade infantil que tivemos. Precisamos rir das coisas mais obvias possíveis. Precisamos ler aquelas piadas sem graça que nosso avô contava, e soltar uma gargalhada leve e sincera. Precisamos olhar para o bolo queimado, e soltar um sorriso simpático e bem humorado. Precisamos parar de vez em quando para olhar para o chão e ver as formigas passarem com suas folhas. Precisamos seguir essas formigas, até seus formigueiros, na praça. Precisamos achar um banco de pedra na praça e sentarmos. Precisamos sentar no banco, tirar os sapatos, e pisar com os pés descalços naquela grama macia. Precisamos massagear a sola dos nossos pés naquela grama, pensando na música que mais gostamos. Precisamos cantar a música que mais gostamos. Precisamos esticar as pernas e deitar as costas no banco de pedra. Precisamos deitar no banco, olhar para o céu, e fechar os olhos.

Marcadores: Crônica, Ensaio
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