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Em Molduras Vazias
Terça-feira, Junho 24, 2008
Decidiu então comprar uma pintura. Foi direto na mais adequada a ele, larga, espaçosa, cheia de sentimentos. "Magnifico". Levou para casa feliz e na parede da sala pendurou.
Uma semana depois quis destruir. O irritava.
No dia seguinte amava novamente a pintura.
No fim de semana seguinte, o quadro se encontrava na lixeira. Ou os restos de.
Decidiu que aquele não o alegrava o suficiente. Devia haver cores frias em excesso. "Artistas e suas mensagens subliminares...". Comprou outro. Somente cores quentes. Um deserto sob toda a paixão do Sol. "Perfeito".
Em um mês, estava pendurado na parede da larga sala da vizinha pobre. "Cores em excesso. Artista exagerado".
Comprou outro. Outro. Outro. Decidiu no inverno fazer uma fogueira.
A parede então se encontrava vazia novamente. Sentou-se à frente dela e ficou em silêncio. Aguardou.
Decidiu então comprar uma moldura. E a moldura vazia pendurou. E uma televisão velha queimada comprou e na estante principal colocou. E nas paredes do espaçoso quarto, pequenas molduras vazias espalhadas esporadicamente.
"Ok. Agora posso ver e sentir o que eu quiser ver e sentir quando eu achar que deva ver e sentir."
Ele não comprou outras pinturas.
Marcadores: Prosa Livre
MOURISMENT #3
Segunda-feira, Junho 23, 2008
O mais tosco de se ter um blog por 3 anos é se esquecer do aniversário do mesmo.
Então, só pra constar: dia 19 último, quinta-feira,
MOURISMENT completou seus 3 anos de pura pseudo-intelecto-cultura. Desejem felicidades a ele.
MOURISMENT é amor.
E bora pro quarto ano.
Marcadores: Notas
Contratempo (2)
Domingo, Junho 22, 2008
(23:59)
Mouris: hahaha se perdeu em qual texto?
(00:00)
Pedro Raychtock: no do sol
(00:00)
Mouris: hahaha não entendeu?
(00:00)
Pedro Raychtock: entendi um pouco, mas bem pouco
(00:00)
Pedro Raychtock: huahuahua
(00:00)
Mouris: haha eu enrolei demais nesse texto.
não é dos bons não.
(00:01)
Mouris: não gosto de narrar cenas.
nunca gostei
(00:01)
Mouris: por isso sei que não nasci pra ser escritor de romances
(00:01)
Mouris: odeio narrar.
(00:01)
Pedro Raychtock: engraçado porque as suas narrações de cena são as mais legais
(00:01)
Mouris: hahaha
(00:08)
Mouris: mas eu enrolei demais.
poderia simplesmente ter dito "entao..o cara acordou e foi olhar lá na janela, e a porra do sol não tava la não. FODEU o cara pensou, né.... 'to ficando loco'... ai o cara olhou de nooov.. 'PORRA MEU! CADÊ O SOL CARALHO!? FODEU MANO!'
ai o cara saiu correndo né.. foi pro outro lado da casa, e tava lá a porra do sol, DO LADO ERRADO!.. a porra do sol tava do lado onde era pra se pôr... 'PORRA MEU! É O FIM! É A MORTE! FODEU'... ai o cara já tava na nóia né.. foi correndo gritar com a vaca da mãe dele... 'FODEU MANHÊ! FODEU!'... e a mãe dele né, super sussa, tava manjando de tudo já... 'ih, relaxa a bunda ae filho, tá tudo nos controle'... 'POOOORRA MAE! O SOL TA DO LADO ERRAAAADO!!!!! SE LIGA VÉIA!'... ai a mãe dele já tava ficando puta né, tava lá toda sussa preparando o cafézinho dela, e o inutil do filho vem gritando se achando a cher.. 'PORRA FILHO.. LARGA A MÃO DE SER BURRO! DEUS TA FODENDO A GENTE, TÁ ENTENDENDO NÃO!?'.. e o pior é que o muleque era tão idiota q não entendeu porra nenhuma mesmo né.. "POORRA FILHO! SE LIGA! A GENTE TÁ TUDO SE MATANDO AQUI, UM COMENDO O OUTRO, ATÉ AS CRIANÇAS TÃO COMEÇANDO A SE JOGAR DO 6º ANDAR DE DESESPERO.. PORRA MEU! SE ACHA O QUE!? DEUS FALOU 'FODA-SE MANO! VOU COMEÇAR DE NOVO, SOCIEDADE DE MERDA DA PORRA'.. AGORA PÁRA DE CHILIQUE E VAI APROVEITAR A PORRA DESSE RESTO DE VIDA DE MERDA QUE TU TEM, MULEQUE DO CARALHO!"
(00:08)
Mouris: "e ae o muleque sumiu né! e a porra do sol começou a se por.. ÀS SETE DA MANHÃ! ÀS SETE DA MANHÃ!"
(00:08)
Mouris: "ai a véia pensou
(00:09)
Mouris: 'vou bater uma siririca né.'
(00:09)
Mouris: FIM.
Marcadores: Short Scenes
Da Liberdade da Alma
Sábado, Junho 21, 2008
Um dia, seremos todos andróginos. E então, quando nossos corpos estiverem libertos, a sociedade estará pronta para a liberdade da alma quando, então, deixará de se preocupar sobre "a que" amar, para se preocupar com "a quem" amar.
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16''
Quinta-feira, Junho 19, 2008
Ele tirou então o telefone do gancho, discou um número qualquer, e assim que atenderam, gritou com toda a força que tinha durante dezesseis segundos, até perder o fôlego, e desligar.
Marcadores: Short Scenes
Contratempo
Terça-feira, Junho 17, 2008
Eis que ele, acostumado a acordar pontualmente às 7:00 e ir direto à janela do quarto, onde conseguia ver belamente um Sol recém nascido, no dia de hoje se depara com um imenso vasto de nada no horizonte, ao invés do forte brilho do Sol que tanto gostava de admirar.
Fica confuso e duvida de sua lucidez.
Volta à janela, e ainda nada lá, apesar de a manhã estar tão clara como sempre. Repara então nas sombras que, hoje, surgem no lado oposto ao qual deveria.
Corre para o lado oposto da casa, e escancara a porta, se assustando de imediato com um Sol inesperado. Com urgência, corre até ela na cozinha, que preparava o café, de pé, no exato mesmo lugar e com a mesma serenidade de todos os dias.
- Você está vendo!?
- O quê filho?
- O Sol!
- Sim. Vi sim.
- Mas.. O quê... !? ...
- Isso é Ele desistindo - ela diz, tranqüilamente, enquanto vira o bule sobre a xícara, que serve então a ele.
Ela percebe a contínua expressão de confusão nele, e tenta ser mais clara.
- Ele desistiu de nós. Como um artista que erra o traço, ele está, agora, apagando. Desistiu de nós e decidiu recomeçar do zero.
Pronuncia as últimas palavras virando a xícara em direção aos lábios, enquanto admira, apaticamente, as sombras no chão se aproximando de si, em efeito de um Sol nascente que, na verdade, começava a se pôr.
Marcadores: Short Scenes
Be the Miracle
Segunda-feira, Junho 16, 2008
"Be the miracle", escrito graciosamente em caneta bic azul sobre o post-it, que agora se encontrava grudado num cantinho da tela do computador do outro, que fica com um secreto sorriso no canto dos lábios ao ler as sutis palavras, com a gostosa sensação de ter a chance de fazer tudo dar certo desta vez.
Marcadores: Prosa Livre
Antes Que Você Perceba Ser Humano
Sábado, Junho 14, 2008
Vou viajar pelo mundo, e abraçar corpos desconhecidos como fossem meus amantes de 20 anos de história.
Entrar em casas às quais nunca fui convidado e me sentar à mesa da cozinha falando sobre a novela local, esperando gentilmente que me sirvam um café, ou, oferendo-me pra tal.
Vou pegar as chaves, ajeitar o banco, e dirigir sem noção de tempo, espaço, vida, universo e tudo o mais, como fosse um jogo de vídeo game, daqueles que a gente senta e não desgruda até ter a certeza de que, enfim, acabou. E depois ainda volta e começa tudo outra vez, com a mesma paixão de antes.
Vou me apaixonar pela morena que cruzar na próxima rua à direita. Me casarei com ela, viveremos felizes para sempre, até quando não quisermos mais. E então me apaixonarei de novo, inconseqüentemente, por outras morenas, morenos, cachorros e alienígenas que a vida jogar sobre mim.
Inconseqüentemente.
Sem parar pra pensar, ou estudar, ou refletir. Apenas ir. Viver. Sem valores e regras e livros e métodos e formatos que tentem aplicar a mim. Sem valores alheios. Vou seguir a vida aos meus valores, ou até sem qualquer valor, ou moral, ou ética, ou qualquer coisa que me limite a... não viver.
Inconseqüentemente.
Vou me preocupar mais em ser feliz. Ignorar os olhares do mundo, e as expectativas sobre quem sou de pessoas que não são eu. Que não são eu. Vou me preocupar em viver.
Inconseqüentemente.
Virarei à esquerda quando tiver de virar à direita, e esperar encontrar o amor como num filme bonitinho onde tudo sempre dá certo. Tirando a parte onde tudo dá certo. Não quero que nada dê certo. Quero que aconteça. E que siga em frente. Quero crescer com cada tropeço, choro e despedidas que tiver de dar nessa vida. Todas as despedidas que tiver de dar nessa vida.
Vou parar de me preocupar em falar o correto, o belo, o esperado, o inteligente. Vou xingar e espernear por aquele que me abandonar, tudo pra crescer, e seguir em frente depois.
Vou virar jogador de futebol.
Talvez a predisposição a ser absolutamente nada do que eu pretendo me faça justamente ser o que eu deva ser. E não compreender de forma alguma o que essa frase diz é absolutamente compreensível e faz totalmente parte da arte de ser o que quiser ser, e ouvir o que quiser ouvir, e viver o que quiser viver.
Vou virar jogador de futebol, e abandonar a língua portuguesa, e cometer os maiores crimes gramaticais.
Será que, talvez, assim a gente se torne uma pessoa feliz?
O que pode me fazer uma pessoa feliz?
Vou aceitar os convites que me fizeram, terminar esse texto, e mostrá-lo a vocês. Talvez, assim, eu me torne uma pessoa feliz.
Marcadores: Prosa Livre
De Unknown Soldiers das Artes
Sexta-feira, Junho 13, 2008
Sabe... Na real mesmo, a graça é não se levar a sério.
Existem artistas de todo tipo, em todo canto. Nem precisa estar envolvido com a so-called "arte" em si, porque até os químicos, cientistas de qualquer tipo, são artistas em seus meios.
Então, na real mesmo, você pode ser artista em qualquer lugar, gênio de qualquer forma, em qualquer círculo... Mas, não tem como discutir que, o verdadeiro artista mesmo, é aquele que exerce a arte de não levar a sério.
A arte de não se levar a sério.
É essa a essência que falta a muitos, e que, normalmente, pode levar os so-called "grandes gênios em potencial" a serem absolutamente mal sucedidos e frustrados. Ou até o contrário. Talvez se levar sempre tão a sério seja justamente a essência do sucesso.
Auto-promoção talvez seja tudo.
Mas, se for mesmo...
Prefiro elogiar e admirar os gênios desconhecidos que sempre tiveram a capacidade de rir de si mesmos. Aqueles com sorrisos largos, coração grande, e chinelos nos pés.
Gênios da arte de rir de si mesmo.
Seres humanos, enfim.
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