Eu devo ser um "stop-compulsive". Dessa vez, mal durou 10 dias. Mas ok... acredito que às vezes eu preciso ter a ilusão de que dei um ponto final em algo, num momento em que eu estava cansado dela, mesmo sabendo que dali algumas semanas, eu reataria com ela. Nesse caso [e em algumas outras vezes], meu blog.
Bom, dessa vez, eu reatei com ele, mais por uma falta do que fazer, do que por saudades [coitado]. Tenho mais a dizer do que imaginava. Nessas vezes em que dou um tempo com meu blog, eu percebo o quanto eu tenho o que dizer. Com o blog aberto, eu sei que eu tenho a opção de vir até aqui, e dizer o que quero. É por uma sensação de estabilidade que isso ocorre; o blog estar aberto me deixa estável, mesmo que eu não queira vir até aqui falar o que penso, eu me sinto aliviado por ter essa opção. Por isso, é bem mais facil ter um blog aberto, pouco atualizado, que ter um blog fechado, sem possiblidade de atualização.
Tendo isso dito, vamos ao próximo post.
Esse é um texto que eu escrevi numa aula de matemática, no meio de 2005, da qual eu não sabia nada, porque tinha
boiado na aula anterior, ai naquele dia, estava pior ainda. Aí, para não ter uma aula completamente inutilizada, ao invés de ficar desenhando coisas nada a ver na carteira, peguei meu caderninho e escrevi; aparentemente, é uma das coisas que faço de melhor.
Comentários, em asterisco, no final do texto; porque, como sabemos, ninguém é a mesma pessoa de 7 meses atrás.
"
É estranho, olhando dessa forma. Parece que certas pessoas tem um ritmo diferente de evolução prório. Parece que certas pessoas amadurecem da sua forma, no seu devido tempo, independentemente da pressão que sofra*.
Cada pessoa tem o seu ambiente, seu espaço, suas idéias, seus jeitos, sua família, o que acaba fazendo com que elas criem o seu próprio limite**.
Mas mesmo sabendo disso, é estranho olhar as pessoas, separadamente, e ver o seu ritmo de evolução, comparando-o com o seu próprio.
Nesse fim de férias, foi interessante. Não foi uma uma volta completa às aulas, porque nessa tal primeira semana, pouca gente foi. Mas foram as "mais importantes", por assim dizer. Lá estavam o povo que eu ando, o povo que eu já andei, e o povo que eu nunca andei...
Mas então.. Nesse primeiro dia, eu reparei em umas garotas. Eu, na hora, lembrei dos meus tempos da 6ª ao meio da 8ª série da escola. Elas estavam usando roupas exageradas para uma escola. Não eram roupas vulgares, ou "espalhafatosas". Eram apenas roupas que eu sei que elas não usariam na escola em um dia normal. Roupas que elas usam pra sair, se encontrar com amigos. E alguns acessórios também, tipo óculos-de-sol, estilo surfista. Tudo, como que para se destacar.
Mas eu não reparei tudo isso por achar ridículo uma colegial fazer isso, ou qualquer coisa do tipo. Me chamou a atenção porque eu reparei que essas garotas são comparáveis a mim. Mas não absolutamente. Deixe-me explicar:
Nesse período da escola que eu mencionei antes, eu costumava fazer isso. Eu escolhia minhas roupas, não relevando o que me fazia me sentir bem, mas as que chamariam mais atenção, as mais bonitas, as mais caras.. E tudo isso, eu ainda estava na 7ª série. E isso piorava nas voltas das férias. Era o momento de surpreender, a época onde você tinha que chamar a maior atenção possível dos seus amigos, e dos outros também.
Mas, mesmo conhecendo isso perfeitamente, até por experiência própria, eu estranhei uma coisa: a época em que essas tais garotas estavam fazendo isso.
Quando eu me preocupava tanto com essas coisas, eu tinha só 13 anos. Essas garotas, no entanto, tinham os seus 15, 16 (e dependendo do caso, essa diferença de idade faz bastante diferença).
Mas "a coisa" mesmo, é que, enquanto essas garotas começam essa história de roupas, vaidade, viver pelos outros, eu já saí dessa faz tempo, na época em que elas estavam dando seu primeiro beijo. Agora que elas começam a fazer isso, eu já "desencanei", já descobri que o que importa mesmo é como eu me sinto sobre eu mesmo. Enquanto elas começam esssa coisa, que eu garanto que não vai terminar bem, eu já tenho minhas crises existenciais sobre assuntos indiscutivelmente mais importantes que a falta de roupa nova no meu armário.
Eu acho que tudo isso pode parecer mesquinho, prepotente, mas eu não estou falando tudo isso por me achar melhor que essas outras pessoas***. Não. Só vim até aqui escrever tudo isso porque achei interessante esse "ritmo de evolução", o fato de que cada pessoa é o que é, não importa o que digam, façam, etc****. O fato de que cada pessoa tem sua própria vida é o que define o seu ritmo de evolução (apesar de que isso me pareceu meio contraditório*****).
Bom, é uma coisa a se pensar melhor a respeito.
Mas é interessante.Marcadores: Discussões
Blog desaberto não-abertamente fechado.
Estava aqui na mesa num intervalo da minha leitura sobre várias coisas [quem lê, pensa quem sou
o intelectual], comendo uma espécie de rocambole vendida a 1 real, valendo uns R$5, quando aparece a plaquinha de avisos do MSN Messenger, avisando que Tal Pessoa entrou. Aí, mastigando, deliciosamente, aquele pão envolto de muito chocolate, relembro do que disse a ela uma vez, certo dia em que tive um dos meus ataques alérgicos à sociedade, em que começo a querer ajudar todos que consigo. Estávamos falando sobre não sei o que, mas consegui levar o assunto a uma coisa que eu realmente desprezo e lamento: aquela típica sessão de auto-exposição em que as pessoas se colocam.
Isso não é tão relacionado com aquela coisa de escrever sobre seus pensamentos, sobre seus sentimentos, de uma forma simples, natural. Não é isso. É aquela auto-exposição completamente desnecessária, em que a pessoa coloca à disposição do planeta inteiro seu estado de espírito naquela hora, ou um sentimento seu, normalmente escondido, que só você conhece, e ainda assim, tenta negar sua existência às vezes.
Usando como exemplo, existe o próprio MSN Messenger. Em talvez possíveis 80% dos casos, aquela espécie de "sub-nick" é usada pra falar coisas como "
there's nothing for me here, it's all the same" [usando um exemplo real]. Poderia citar dezenas de outros casos, mas, digamos que seja "anti-ético".
Nessa conversa com a Tal Pessoa, eu tentei mostrar pra ela como era desnecessário e perigoso se expor da forma que ela o fazia. Em vão. Ela tratou minhas palavras como se fossem tolices ditas ao vento, e continuou com suas várias frases auto-explicativas. O único lado positivo dessas frases é que elas tornam superficial o pobre do status, que só diz se você está ausente, ocupado, e etc, enquanto elas próprias dizem se estão felizes, tristes, magoadas, e etc.
Mas preciso explicar: a pessoa está mal, foi sacar o dinheiro do banco, foi roubada, voltou pra casa, encontrou seu marido com a empregada, fugiu correndo chorando, foi atropelada ao atravessar a rua, a ambulância bateu no caminho, agora ela não tem uma perna, marido nem dinheiro. Nem por isso ela precisa ir até o
sub-nick dela, ficar se lamentando, para todos saberem. Tudo bem que neste caso, isso não seria necessário, e aliás, depois de tudo isso, ela nem teria computador, idem para MSN Messenger, e esse exemplo foi horrível. Mas, normalmente, principalmente os adolescentes, ficam lá publicando todo o seu estado emocional, o que além de desnecessário, é perigoso, porque, assim, você se torna mais vulnerável, se expondo dessa forma, dando de mãos beijadas, todo o seu ponto fraco. E dessa vez não estou
viajando. Tenho um exemplo vivo de caso como esse, em que a pessoa foi atingida por dentro, porque se expôs mais do que poderia. Neste caso, foi com o uso dos típicos flogs. Ela [a pessoa] escreveu demais, num lugar em que até Judas descalçado de botas poderia ler, e acabou pega, de forma traiçoeira, em que a pessoa usava como armas os próprios sentimentos, pontos fracos, e segredos dela, porque estava tudo lá, pra qualquer um ler.
Tudo bem que depois de tudo isso, possa parecer inútil eu dizer, mas eu realmente não critico este ato; apenas lamento o fato das pessoas não pensarem antes de se exporem dessa forma, e ainda fazerem pouco das palavras de alguém amigo que quer abrir-lhes os olhos.
Mas eu não estou aqui para salvar ninguém de seus próprios erros.
[apenas venho até aqui, publicar mais um ataque de prepotência, acreditando que estou à altura de todos, o suficiente para criticá-los como se fossem animais ininteligentes]Marcadores: Crônica