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Povo, Burguesia, Clero e Realeza

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Sinto que estou cada vez mais cansado da burocracia.

Cansado de todo o sistema, de todas as coisas que somos obrigados a nos "encaixarmos" para podermos "ser alguém".

Sinto saudade dos tempos em que podia ocupar algum tempo com minha espiritualidade.

Tenho a certeza absoluta de que esse é o tipo de post que faria o Anjo* feliz, que o faria vir, ler, e ainda soltar o comentário de que, se eu não tenho tempo agora, depois terei menos ainda, e terminaria dizendo que ficava feliz por eu estar me preocupando com tudo o que está acontecendo.

Me encontro agora em um reencontro com questionamentos antigos, em sua maioria sobre a relação sociedade e burocracia/espiritualidade e auto-conhecimento.

Sinto-me escrevendo novamente no Filogicologia Moris**, fazendo grandes questionamentos sobre a vida e sua forma de ser vivida, com a diferença de que agora já sei a resposta para grande parte deles, embora tenha vários outros que surgem ao longo do tempo.

Fazia tempo que não escrevia de forma tão pessoal; na verdade, fazia tempo que não escrevia de forma pessoal.

Espero que um dia eu consiga ter o "momento eu" que tanto quis, embora todos os meus planos futuros sigam contra isso.

Nunca imaginei que poderia ser tão difícil abrir um paralelo equilibrado entre a vida burocrática e a espiritual. Para algumas (várias) pessoas, talvez não seja um problema tão grande, por simplesmente não darem tanta importância à sua espiritualidade. Muitíssimas pessoas nesse mundo em que vivemos sequer se lembram do detalhe "religião". Digo "religião", mas não assimilem isso como um sinônimo de "espiritualidade", não. Religião é o veículo usado para exercer sua espiritualidade. Para algumas pessoas, espiritualidade é apenas um detalhe da Religião. Pessoas que vivem seguindo a mesma religião, durante anos, que passam a vida em louvor a essa religião, modificam toda a sua vida em função dessa religião, mas se esquecem totalmente de sua própria espiritualidade. A religião nada mais é do que uma forma de exercer algo que existe em você desde o princípio.

Algumas pessoas não dão tanta importância a tudo isso, e é por isso que conseguem viver suas vidas tão facilmente, em relação a espiritualidade. Eu dou muita importância a isso, por isso é tão difícil para mim conciliar tudo. Não porque "se importar com a espiritualidade" torna difícil viver a vida normal, mas porque eu não descobri ainda tudo o que acredito, o que torna difícil seguir qualquer espiritualidade, já que nem ao menos sei totalmente de que isso consiste.

Existem pessoas que acreditam que eu sei tudo o que acredito e o que não acredito, e assim sou totalmente feliz com minha religiosidade. Talvez seja essa a imagem que eu passo, mas não é bem assim. E eu passei o ano de 2006 muito distante de tudo isso, muito mesmo. Passei o ano seguindo o que algumas pessoas passam a vida inteira repetindo: "eu não preciso de religião, eu acredito em muitas coisas de diversas religiões, e isso é suficiente pra mim". Não estava mentindo, acredito mesmo em muitas coisas de várias religiões diferentes, e não preciso dizer que sigo-as para poder acreditar, então acabo criando uma própria religião, seguindo minha própria espiritualidade; mas durante esse ano, dizer aquilo não tinha significado algum; eram palavras vazias. Havia me desinteressado pela questão, aberto mão dela para viver uma vida superficial, e usei minhas próprias palavras como justificativa.

O ano se passou, e me cansei da "vidinha" levada. Começo a sentir saudade de tudo aquilo que me constituía. Tudo aquilo que me consiste, mas que não as vejo mais. Preciso revê-las. Preciso voltar a me ver como aquela criatura grandiosa, coberta de detalhes que estão além de uma visão científica; voltar a ver o mundo naquela visão rica e deslumbrante, que só ela poderia me mostrar que tudo aquilo era muito mais do que algumas pessoas vêem.

Preciso recuperar a humanidade que me foi tirada por mim mesmo. Preciso abandonar a humanidade que me foi tirada por mim mesmo.

Preciso voltar a ser eu.

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De Brilhos e Pedras

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Conhecemos pessoas novas.

Ficamos fascinados por aquela pessoa, toda aquela beleza, aquelas palavras saindo de forma tão doce e delicada, aqueles questionamentos tão filosóficos.

Ficamos apaixonados por aquela pessoa, queremos conhecê-la mais e mais, e então começamos a conhecê-la, mais e mais.

Vamos cada vez mais fundo, e começamos a ver que a beleza não era tão bela, as palavras não eram tão doces, os questionamentos não eram tão filosóficos.

Profundo, fundo, a fundo, e percebemos que aquela pessoa tão especial não era tão diferente de nós mesmos.

Ou então, toda aquela semelhança que tinha conosco, na verdade era mais diferente do que imaginávamos.

De repente, o brilho do diamante se perde, tornando-o, mesmo que ainda um diamante, apenas mais uma pedra preciosa.

É preciosa, é rica, mas ainda assim, uma pedra.

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Interpretação do Oceano

Domingo, Novembro 26, 2006

Todos os meus posts são abertos a interpretações, claro (sendo "interpretações" diferente de "conclusões"). Eis que um amigo meu me deu sua interpretação do post Oceano, que "poderia ser uma visão do mundo; pensando na vida naquela seqüência". Eu não entendi, então ele explicou na prática. Aí está sua versão do oceano:

O mundo e sua sujeira
Não agüento mais essa imundice
Eu já estou com tanto nojo
E queria fechar o nariz pra esse fedor
Mas na verdade, eu que sou desprezível
Eu sou tão ridiculo
Um ser patético
Que vive sempre na maior estupidez
Vivendo de minha mentira
Com medo da minha falsidade
Perante o mistério
Nesse mundo de irrealidade
Minha versão, minha surrealidade
Que traz minha profundidade
Meu desconhecimento
Do conhecimento
Que causa impacto
E admiração
Perante uma beleza
Que me traz o interesse
Que me faz querer dar meu carinho
Com toda doçura
Em busca da felicidade
Por amizade
Mas no final, volto à realidade


O significado real, claro, não tem absolutamente nada a ver com isso, mas eu também não vou explicar. A graça de se ler um post como aquele é justamente poder pensar, tentar decifrar o significado, ter sua própria interpretação; cada coisa no mundo tem significados diferentes para pessoas diferentes. Não cabe a mim quebrar essa regra.

 

Eu

Sábado, Novembro 25, 2006

sou homem. sou mulher. sou cavalo. sou lobo. sou árvore. sou flor. sou areia. sou pedra. sou sol. sou lua. sou luz. sou breu. sou seu. sou eu.

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Gerundiando Dia-a-Dia

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Pessoas andando
Fugindo
Correndo
Pensando
Saindo
Entrando
Subindo
Controlando
Digirindo
Motivando
Ensinando
Caindo
Levantando
Pulando
Aprendendo
Abrindo
Fechando
Virando
Esquecendo
Sumindo
Se esvaindo...

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O Jogo

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

Uma vez, eu estava no troleibus.
Aquele sol que corroía tudo parecia entrar lá também, como se teto não existisse, talvez fosse fruto da nossa miserável imaginação e desejo.
Era um fator a mais que tornava tudo aquilo mais cansativo.
Mais sonolento.
Mais dorminhoco.
Espertos eram o que carregavam óculos escuros. Fechavam os olhos e dormiam imperceptivelmente, até que o peso do corpo desmoronando para o lado os acordava abruptamente.
Havia um jovem sentado diretamente à minha frente.
Talvez não diretamente.
Estávamos em X.
Quatro lugares.
Duas duplas.
Uma de frente à outra.
Talvez 14, 15 anos no máximo.
Não parecia se importar muito com tal calor.
Talvez tal calor horripilante seja fruto da minha miserável imaginação.
Eu, claro, óculos escuros.
Não pela técnica inteligente do sono secreto, mas porque teria um longo e exaustivo dia pela frente, de caminhadas longas, debaixo de um sol horripilante, que definitivamente não era fruto da minha miserável imaginação.
O jovem aparentemente sabia do truque dos óculos escuros.
Estávamos em quatro pessoas.
Duas éramos nós.
Duas abriram mão dos óculos escuros.
Sem outros personagens para se divertir, parecia que o jovem iniciara um jogo comigo.
Estava decidido a descobrir se eu era um dos exautos trapaceiros de óculos, ou um dos poucos dispostos e atentos ao mundo afora.
Fixava os olhos em mim periodicamente, quando percebia minha posição estática por tempo prolongado, esperando o tombar de meu corpo, que seria a conquista do jogo.
Viagem de uma hora.
Uma hora de jogo.
Não caí para os lados.
Não tirei os óculos, provando estar atento ao mundo afora.
Talvez eu nunca descubra a quais conclusões o jovem chegou.
Talvez ele nunca descubra o que se passava por trás dos óculos.
Talvez ele nem quisesse saber de fato.
Às vezes, lamento por ele.
Às vezes, me divirto.
Sei que ele nunca vai saber exatemente que fim teve o jogo.
Me divirto por carregar um segredo.
O pobre jovem jamais acertará quem ganhou o jogo, se eu realmente permaneci admirando o mundo afora, ou um outro mundo distante e silencioso.
Trapaceei.
Fiz os dois.
Senti a beleza de ver os prédios correndo freneticamente ao meu lado, em sentido contrário.
Senti a sutileza do escuro e calmaria que só se encontra nas profundidades de nosso próprio inconsciente.
Intercalados.
Por períodos curtos, cada.
Me divirto por saber que só fiz isso, por perceber o jogo em que fora colocado.
Talvez, em caso contrário, tivesse permanecido admirando o mundo afora, como todos os dias.
Talvez o jovem espectador nunca descubra.
Ou, às vezes penso, o jogador nem existisse.
Talvez o jogador seja apenas fruto de minha miserável imaginação.
Talvez o jogador fosse eu.
Talvez o jovem sentado diretamente à minha frente, talvez não diretamente, fosse o personagem colocado no jogo.
Talvez quem estivesse trapaceando era ele.
Talvez eu nunca descubra.

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Oceano

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Sujeira
Imundice
Nojo
Fedor
Desprezível
Ridículo
Patético
Estupidez
Mentira
Falsidade
Mistério
Irrealidade
Surrealidade
Profundidade
Desconhecimento
Conhecimento
Impacto
Admiração
Beleza
Interesse
Carinho
Doçura
Felicidade
Amizade
Realidade

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Camy

Terça-feira, Novembro 21, 2006

Camy

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