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Sem Título

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Se pensarmos direito, na verdade, os títulos são algo estúpido.
Explicando:
Nós passamos horas, dias, meses, sabe-se lá quanto tempo, para fazer o nosso trabalho, seja um poema, seja um filme, seja uma crônica, etc. Independentemente de que tipo de obra estamos criando, ela se tornará algo importante para nós, poderá se tornar algo complexo, uma obra muito boa, que consumirá enorme parte de nosso tempo e esforço. Depois de tanto sofrer, tanto mudar, tanto consertar, pensar, revisar, até que enfim, chegamos ao Ápice de nossa obra¹, nós revisamos novamente para poder escolher um título. Nós pegamos toda aquele nosso esforço horrivelmente gratificante, e cometemos o ato ignorante de tentar resumir tudo aquilo em uma única frase, ou palavra. Nós somos pretenciosos o suficiente para acharmos que tudo aquilo pode ser resumido em um único termo.
Podemos até pensar por um outro caminho: os títulos são algo que identificam nossa obra. É o nome do qual os outros o reconhecerão. O título então é apenas uma forma de identificar nossa obra, em meio as inúmeras outras. Mas, então, estamos cometendo mais um erro: tendo em vista que o título é apenas uma forma de identificar nossa obra, então, no momento em que a nomeamos, automaticamente estamos comparando-a com "n" outras obras, já julgando-a boa, ou ruim, ou razoável, assim fazendo-se perder todo o verdadeiro crédito que a obra merece.
Explico: quando nós nomeamos a obra, estamos automaticamente comparando-a a outras obras, porque ao escolhermos o nome, esse nome normalmente já estará em uso por outra obra, logo, não será uma forma de identificar sua obra, mas sim, de criar um novo nível para ela, colocando-a no mesmo patamar das outras obras de mesmo título, fazendo-a ser criticada, baseada nas outras obras, e não como ela apenas; ao dar o título a sua obra, visando identificá-la, na verdade, voce está tornando-a apenas mais uma obra.

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*

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

E, se você prestar atenção, você perceberá que Kukulkan, o Deus mais importante para os maias, é também o mesmo Deus Quetzacoatl, deus dos ventos e criador da Terra, Sol e da Lua, o mais venerado pelos astecas, só que, infelizmente, nenhum deles se integrou ao movimento da arte cubista, que foi trazido ao Brasil na Semana da Arte de 1922, pela artista Anita Malfatti, que aos três anos foi levada para a Itália para tentar fazer uma cirgurgia em seu braço direito, que era atrofiado desde a infância, mas a cirurgia não foi bem sucedida, então desde lá ela aprendeu a usar seu braço esquerdo, diferentemente dos orbitais moleculares, que não tem braços nem pernas, nem nada desse tipo, mas são uma região do espaço onde ocorre a interpenetração de orbitais atômicos de elétrons desemparelhados.

 

Quinta-feira, Outubro 20, 2005








oops!

+ info
+ cyberfreaks

 

Argument¹

Quarta-feira, Outubro 19, 2005

"Não são as pessoas que sofrem, mas as que assistem, distantes e sem dor, ao sofrimento.
Talvez. Mas acho que minha opinião é a básica da multidão, se for analisá-la geralmente: acredito que realmente quem sofre são as próprias pessoas no primeiro plano, e elas apenas.
Como Lala's disse, as que assistem, assistem distantes e sem dor. É justamente essa distância que as neutraliza da dor. Sem dor, logo, sem sofrimento.
É justamente por essa apatia que possivelmente apenas 3 perceberam o sofrimento do cachorro na estrada [o próprio cachorro, o motorista que o atropelou, e uma única pessoa que se importou]. A audiência é a personagem menos importante nessa trama. A audiência não opina, não se comove, quando se comove, nada faz; a trama continua correndo normalmente, da forma que ela [a audiência] achou que deveria correr. É essa apatia da audiência que cria esse muro invisível entre ela e os personagens. É isso que faz com que o cachorro seja deixado lá, agonizando, sozinho, num silêncio abafado. A audiência passa com seus carros a todo momento, em sua alta velocidade, assistindo à peça improvisada na estrada. Eles passam, eles vêem, eles até sentem algo [não necessariamente; e muito variado entre os membros da audiência], mas nada fazem. Eles continuam assistindo à peça enquanto lhes for possível, acreditando que nada podem fazer; aquele é o curso que a história deve seguir. E é esse pensamento, esse sentimento, que cria o muro da apatia entre quem vê, e quem é visto.
É isso que me faz acreditar que quem sofre é apenas aquele primeiro personagem da peça, e não os que assistem à dor. Os que assistem apenas estão lá, na sua grande maioria, apenas apreciando o espetáculo.

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Really Moment of Pride

Sexta-feira, Outubro 14, 2005

Dessa vez sim, cosegui. Deu trabalho, mas foi legal..hehe. É meio complicado no começo. A idéia é achar uma seqüência certa dos itens que estão nas laterias, para o bloco marronzinho se transformar numa espécie de parque de diversão em miniatura.
Nesse link tem uma análise da equipe do IDG Now! sobre o joguinho. Dá pra ter uma boa idéia do que é.
Clique na imagem pra ir direto pro jogo. =]


 

Eye of the Beholder #2

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

Certo. Talvez eu passe muito tempo olhando para as coisas. Principalmente, depois que se encontra a mesma pessoa duas vezes.
[...]
No domingo da corrida de F1 no Brasil, há um pouco mais de duas semanas, eu fui no Carrefour com a minha mãe. Na fila do caixa, eu realmente não poderia deixar de notar uma moça que estava logo atrás de nós.
O olhar dela era absurdo. Eu não conseguia acreditar. Era um olhar de uma tristeza tão profunda, tão profunda, que eu achava que estava vendo demais.
Ela carregava algumas poucas coisas nos braços, enquanto estava na fila [não reparei no que eram]. Ela as segurava abraçada, enquanto mantinha um olhar extremamente disperso. Ela olhava pra tudo, mas eu percebia que não via nada. Parecia tão distante. Mas não parecia que estava distante da forma como ficamos quando pensamos em algo importante. Era uma distância que parecia estar relacionada com a tristeza dela. Parecia que ela não via nada, não pensava em nada, apenas estava ali, sobrevivendo. Parecia que não via muito sentido em viver; achava mais lógico apenas sobreviver.
Eu nunca vi um olhar de tristeza maior e mais profundo que aquele.
E, segunda-feira passada, lá estava ela, no meu ônibus. A mesma moça de pele branca e cabelos negros lisos, que lhe tampava metade do rosto.
Sentada, no banco à minha frente, não pude deixar de perceber que era ela.
Inicialmente, hesitei um pouco. Achei muito difícil encontrar aquela mesma moça alta que vi no Carrefour; até que lembrei que o Carrefour ficava há uns 35 minutos dali.
E, mesmo estando um pouco difícil conseguir ver os olhos da moça, eu percebi que ela continuava carregando aquele olhar. Na verdade, foi por isso que eu a reconheci.
Desta vez, ela carregava uma bolsinha preta, o que me levou a achar que só levava o básico. Talvez ela estivesse carregando mais alguma coisa, mas não reparei. Apenas a pequena bolsa preta e azul, e alguns cadernos.
Às vezes, olhava para fora da janela. Novamente, me pareceu que não via nada, embora olhasse.
Não fazia muitos movimentos, principamente bruscos. Quando se mexia, era um movimento leve, quase imperceptível. Talvez não quisesse ser notada.
Soltou alguns espirros. Espirros realmente baixos; quase não se ouvia. Era aquele tipo de espirro que você reprime ao máximo, pra passar despercebido pelo maior número de pessoas possível. Isso, somado aos movimentos leves, me levou a acreditar que ela realmente não queria ser notada. Talvez ela já não se sentisse mais notada. Talvez não visse mais sentido em ser notada.
Às vezes, olhava para o interior do ônibus. Dessa vez, me pareceu que realmente não via nada. Às vezes, reparava em alguma pessoa ou outra, mas nada demais. Na enorme maioria do tempo, simplesmente se distanciava. Talvez, se eu a chamasse, ela demoraria alguns vários segundos pra me perceber. Mas, em nenhum momento no ônibus, o olhar dela superou a tristeza de quando a encontrei no hipermercado.
Naquele dia, me parecia que ela tinha perdido a pessoa que mais amava, há alguns meses, e ainda carregava a dor insustentável. Aquele olhar de quem perdeu a única coisa que lhe sustentava, e agora apenas se arrastava ao longo da vida. No ônibus, me parecia que tinha encontrado algo que lhe fazia feliz durante alguns momentos, mas que ainda sentia a profunda dor daquela perda.
Bom, realmente, essa é uma das minhas melhores formas de arrogância, por achar que posso traduzir todos os sentimentos de uma pessoa que nunca vi antes, através de um simples olhar.
Mas, de qualquer forma, aquele realmente foi o olhar mais triste que já vi. E duvido que vá encontrar outro pior que aquele tão cedo.

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Moment of Pride

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Ranking Tune Ups

 

Behind The Wall of Sleep #1

Sábado, Outubro 08, 2005

Entro numa sala.
Carregava talvez algumas coisas nos braços. Parecia que estava com meu fichário da escola, tentando pegar alguma coisa de dentro.
Percebi que a sala em que eu entrava, era a esperada. Mas tinha alguma coisa diferente. No próprio momento, senti que eram os móveis que tinham mudado de lugar.
Acredito que era uma suposta secretaria da minha escola. Era a função daquela sala, mas eu ainda sinto que aquela sala é de outro lugar. Visivelmente, não é a secretaria da minha escola, embora eu tivesse ido até lá para resolver alguma coisa do tipo, mas ainda não consigo descobrir que lugar era. Precisaria de várias horas, sozinho com meus pensamentos, pra conseguir descobrir que lugar era aquele.
A sala tinha uma espécie de hall de entrada, onde ficaram alojados alguns armários de arquivos, com uma mesa quadrada logo de frente para a porta, onde pode ser que houvessem várias coisas, ou nada. Não me lembro. Exatamente na porta, dando talvez uns 6 passos, eu chegava à mesa, e logo atrás dela, encostados, estavam uns 3 ou 4 armários de arquivos, do mesmo tipo utilizado na secretaria da minha escola. E os armários também encostavam na parede, atrás. Então, por eles estarem juntos da mesa à frente, era impossível abrir um dos armários.
Depois de atravessar a porta, virando à esquerda, e dando uns 4 passos, eu chegava a uma mesa retangular, que tampava toda a passagem para o outro lado, porque se esticava de uma parede à outra. Era daquelas mesas em forma de L, onde a curva ficava para o outro lado da sala, no lado da parede onde ficavam os armários. Em frente ao armário mais próximo da mesa também estava uma cadeira, virada de ponta-cabeça. Era uma cadeira azul, e logo na hora eu reparei que ela se assemelhava muito ao celular que meu irmão vai me dar. Não sei explicar essa semelhança entre uma cadeira e um celular, mas eu sei que havia, e eu percebi.
Do outro lado da mesa ficava uma cadeira, do tipo usada por secretárias em escritórios. Sobre a mesa havia alguns papéis, um porta-canetas, e algumas outras coisas, que não sei o que eram, nem se realmente existiam ali.
Do outro lado da mesa em L também havia uma sala maior. Era uma sala grande, com várias partes divididas por aquelas paredes plásticas de cor bege, que não sei o nome. Dentro delas não sei o que havia.
Eu entrava na sala, tentando tirar alguma coisa do fichário, para entregar a possível pessoa que trabalhasse lá, que nunca apareceu, quando eu fui me aproximando da mesa quadrada. Eu ouvi alguns chiados, e leves barulhos de asas. Parei, pra me certificar de que realmente estava ouvindo aquilo, e para descobrir o que era. O som foi se aproximando de mim, até que eu abaixei e cabeça, e vi uma pomba meio cinza saindo debaixo, vindo em direção a mim. Eu acredito que atrás da mesa ainda havia outra pomba, preta, mas não tenho certeza, nem sei por que eu acho isso, mas tenho a leve impressão de que vi essa segunda se movendo por trás, enquanto a cinza vinha sobre mim.
Dei vários passos rápidos em direção a parede mais próxima, pra dar espaço a pomba para sair pela porta, porque me deu a impressão de que vinha sobre mim por não ter outro lugar para ir.
Ela não parecia estar muito interessada na saída, e enquanto eu me encostava na parede, percebi que começava a ter certas tremulações, que constumo ter quando estou nervoso (tenso), e quando tenho um medo misturado com surpresa e susto. A tremulação foi leve, mas em velocidade rápida, mostrando que era do tipo de quando estou com medo, surpreso, e assustado.
No próximo momento, estou tendo a tremulação, super assustado, virando pro lado direito no meu sofá, me embaralhando nos cobertores.
[...]
A história repentina das pombas no sonho, tem uma ligação direta com os acontecimentos daqui do condominio. Explicando:
Tem uma senhora, que mora no andar acima ao meu, que resolveu ficar jogando arroz para as pombas, de manhã. Aí então, vários dias eu acordei assustado com as malditas pombas batendo na janela da sala, porque é no térreo, aí elas comem como porcas o arroz da senhora, e vem no parapeito da janela para cagar.
Aí, houve uma vez que eu resolvi abrir uma parte da cortina pra bater na janela, para espantá-las, mas tinha uma delas exatamente em frente à fresta que eu abri, então, como eu não esperava encontrá-la ali, eu dei uma hesitada, e tive um susto, o que gerou uma rápida versão daquela tremulação de espanto. Daí, as pombas no meu sonho.
A sala, eu descobri onde era enquanto eu escrevia aqui. Há alguns dias, eu fui numa S.O.S. Computadores da minha cidade, pra ver os preços e horários de um curso específico. E lá, havia uma sala, com uma mesa em L, com uma cadeira de secretária do outro lado, alguns papéis em cima, um porta-canetas, e várias partes da sala divididas por aquelas paredes plásticas de cor bege que eu não sei o nome.
Mas ainda não descobri a ligação com a secretaria da minha escola. Deve ser porque nesses últimos dias eu fui lá várias vezes, por mim, e com amigos, para resolver coisas relacionadas aos cursos técnicos do ano que vem.
Mas acho que a secretaria foi o de menos na história.
E mais um sonho resolvido.

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Comentando as "Informações Demais"

Quinta-feira, Outubro 06, 2005

Até alguns dias atrás, eu sinceramente não imaginava o poder que um blog poderia ter. Na verdade, não é bem o blog, e sim o conteúdo que possui tal poder. Ainda mais quando o tal blog tem tal conteúdo.
Eu não vou mentir pra você. Eu não me supreendi. Eu sempre cogitei essa possibilidade. Mas não por você. Por mim. Porque eu sempre vi com grande admiração as semelhanças entre pessoas de mesmo sangue.
Foi estranho ler tudo aquilo, com você bem do meu lado. Na verdade, não foi bem isso.. hehehe. Eu lia tudo aquilo, só que era como se eu estivesse lendo capítulos de um livro. Talvez aquele livro já estivesse na metade. Mas eu não acho. Acho que o que eu estava lendo era um grande capítulo de um importante livro que ainda estava no começo; um livro que ainda está no começo. Sem dúvida, um dos livros mais importantes pra mim, embora eu não seja um dos personagens principais. Talvez eu apenas tenha uma participação mais indireta nesse livro. Mas ainda existem vários anos pela frente para nós dois começarmos a participar mais freqüentemente de nossos livros. O meu sem dúvida ainda está no começo, mas mesmo assim, voce já teve grande participação nele, embora não perceba.
Parecia pra mim que eu estava lendo um conto. Foi estranho assimilar toda aquela história como sendo sua. Enquanto eu lia, eu estava até um pouco apático. Eu tinha as mesmas exaltações que eu teria se fosse um livro comum. Só depois que eu li, depois mesmo, que eu consegui assimilar tudo aquilo a você. Não foi à toa que eu não falei nada enquanto você ainda estava aqui. A ficha ainda não tinha caído. Foi como quando você assiste um filme. Você primeiro fica repassando todos aqueles acontecimentos, sozinho ali, pensando, pra depois poder discutir sobre ele. Foi isso. Eu tinha acabado de assistir um filme sobre você, dirigido por você, com você como personagem principal, mas precisei de um tempo pra poder discutir sobre ele.
Mas, sinceramente, não há nada a discutir, não é? Eu realmente achei legal você ter me dado aquilo para ler. Eu realmente senti que estava conquistando mais um pequeno espaço na sua vida.
Eu estou usando o meu blog para falar sobre isso com você porque só existe um lugar em que nós dois nos encontramos; e é justamente esse lugar em que nós não podemos falar sobre isso.
Mas na verdade, eu estou também usando isso como pretexto. Porque eu ainda não consigo conversar direito com você olhando nos seus olhos. Antes de te ver como amigo, eu ainda vejo aquele cara grandão, inteligentíssimo, do qual eu passei toda a minha vida me espelhando pra tentar ser alguém decente, ao menos.
Mas mesmo assim, depois de um tempo, eu descobri que eu não preciso ficar me baseando completamente em você. Depois de todo esse tempo, eu percebi que nossas semelhanças são grandes. Eu não me vejo chegando a ser alguém como você. Mas por certos detalhes, é indiscutível nossa semelhança. Isso eu acho bem interessante, porque mesmo com tantas semelhanças, precisamos passar por tantos estágios pra conseguir quebrar barreiras invisíveis que bloqueiam a personalidade de um para o outro; quando na verdade, deveríamos ser grandes amigos. Mas também tem aquele grande fator da idade né. Épocas diferentes, amigos diferentes, histórias diferentes, assuntos diferentes.
Talvez algum dia quebraremos essa barreira.
E, sobre o tal assunto, sinceramente, eu acho normal, tanto que nem me surpreendi. Mas existe um ponto que eu achei indispensável de se dizer: lendo tudo aquilo, eu percebi, e achei honesto de te dizer, que mesmo com tantas semelhanças que eu percebi nesses 16 anos, no dia em que eu li tudo aquilo, eu percebi que nós somos muito mais parecidos do que eu esperava.

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The Past Reborns The Storms #1

Terça-feira, Outubro 04, 2005

Há talvez quase dois anos atrás, eu fui no quarto da minha mãe. Ela estava na sala, e o quarto estava vazio. Era talvez umas sete da noite; estava chovendo também. Eu devo ter passado quase uma hora e meia de pé na janela, olhando as pessoas passarem pelo lado de fora. Passou tantas coisas na minha cabeça só nessa situação, que me vez ir até a minha estante, no outro extremo do quarto, pra pegar o meu antigo fichário, um bloco de folhas gigantes que eu nunca usava, e um lapis, e começar a escrever. Foi realmente uma burrice, porque eu acabei não falando nada sobre o que eu estava pensando. Na verdade, não passou nem perto do que eu estava pensando enquanto olhava aquelas pessoas. A escrita foi algo instantâneo. Eu não pensava pra escrever. Simplesmente saia. Por isso o assunto foi-se esvaindo para vários cantos diferente. Mas foi legal.
Aí, agora eu resolvi passá-lo pro pc. É legal analisar hoje a pessoa que éramos a tempos atrás. E foi muito mais interessante fazer isso comigo agora, porque faz pouco mais de 1 ano que eu escrevi aquilo, e a forma como eu mudei é absurda. Eu olho para aquele texto e mal consigo me imaginar escrevendo metade. Então por isso eu resolvi colocar alguns comentários no texto. Os colchetes são comentários do próprio texto, mas os poucos parênteses que você achar, são comentários que eu fiz enquanto lia. Então, vamos lá.

 
"Sabe... eu acho que cada pessoa é destinada a fazer alguma coisa enquanto viva [talvez haja alguma coisa a ser feita depois de morta também, mas isso eu só vou saber mais tarde]. Digo isso porque é só olhar ao nosso redor e veremos pessoas trabalhando, fazendo outras felizes, sendo felizes, alimentando pássaros na praça, cuidando de seus filhos... Todas essas pessoas fazem muitas coisas em suas vidas, e eu acho que talvez haja uma em especial. Talvez cada pessoa tenha sua própria "missão". Não deve ser à toa que cada pessoa tenha um dom. Não deve ser à toa que cada pessoa seja boa em algo. Talvez seja através desses dons que cada pessoa deva cumprir sua tarefa, embora não saiba qual. E eu acredito que o meu dom seja essa minha mania de ficar admirando as coisas, pensar sobre essas coisas e, conseqüentemente, chegar a outros pensamentos, que levarão a dúvidas, questões, discussões, e enfim chegando à sabedoria¹ [embora essa palavra seja muito mais complexa do que pareça].
Não deve ser à toa que eu fique tanto tempo pensando em tantas coisas, em tão pouco tempo. Talvez todas as pessoas sejam assim e eu não saiba. Talvez todas as pessoas são assim, embora pouquíssimas demonstrem. Digo isso porque "superficialidade" é uma das melhores palavras para representar milhões de pessoas.
Talvez não seja à toa que eu esteja de pé há quase uma hora na janela do quarto da minha mãe, escrevendo isso ao som dos carros passando, e da chuva caindo.
Talvez essa minha mania de pensar sobre tudo seja meu dom e, conseqüentemente, a minha forma de fazer a minha "missão".
Ou talvez eu seja mais um louco no meio da multidão, e que será internado pela família logo quando as mesmas lerem essas palavras.
A incerteza é um dos caminhos com mais bifurcações. A incerteza leva a muitos caminhos. Uma pessoa incerta pode chegar à conclusão, à incerteza absoluta, à loucura, etc, etc, etc... Pode ser que através da incerteza do que eu realmente sou, eu chegue à conclusão de que eu sou louco. Mas, mesmo se eu fosse louco, eu seria um louco pensador [e que gosta de escrever].
Estão vendo? Em várias linhas, parágrafos, pontos e exclamações, eu me perdi do meu assunto principal. Eu não queria falar se eu sou louco ou não; eu queria falar como é estranho ser eu.
Há horas eu estou nessa janela, admirando as pessoas. E durante esse tempo eu vi várias pessoas, e pensei dezenas de coisas sobre cada uma.
Meus pensamentos são rápidos e vagos (dispersos) demais para eu conseguir transcrevê-los em palavras. A diferença entre o que eu escrevo e o que eu penso é enorme. É incrivel parar para pensar sobre os meus pensamentos [!... pensar sobre pensar...!]. Simplesmente passam muitas coisas, ao mesmo tempo, em pouco tempo, durante muito tempo. Eu me perco no meio dos pensamentos. Eu começo pensando sobre a batida do carro de hoje à tarde, e acabo no preço do pão francês que subiu. Eu tenho a leve impressão de que é assim com todos, ou com a maioria, mas me espanta pensar na quantidade de comentários superficiais que eu já ouvi. É difícil encontrar alguém que leve seus pensamentos a sério. É difícil encontrar alguém que dê atenção aos próprios pensamentos².
Na verdade, eu estou é cansado das pessoas que se preocupam com o aniversário do protagonista do filme que lançou nesta semana. Estou cansado das pessoas que ficam sabendo de um acidente de carro e vai até lá apenas para saber o que aconteceu. Estou cansado das pessoas que deixam o volume da televisão abaixado apenas para poder ouvir o seu vizinho saindo, para saber dos horários da sua vida (para saber da sua rotina). Estou cansado das pessoas que se preocupam com coisas incomensuravelmente fúteis³. Eu adoraria se as pessoas limitassem-se aos seus proprios problemas. O mundo seria muito melhor se as pessoas pensassem sobre seus atos. Mas não antes de fazê-los... depois. Eu adoraria ver as pessoas com remorso das coisas fúteis que acabaram de fazer (nesse tempo eu já estava começando a tratar as pessoas futeis menos pessoalmente, e ser mais intolerante).
Hehe... viram? Comecei falando dos dons das pessoas, e terminei falando do meu ódio da superficialidade.
Eu não gosto muito desse meu jeito de me perder, mas pode ser útil para alguma coisa. Não sei o quê (pra quê), mas pode ter.
Mas foi muito interessante me ver pensando sobre várias coisas, a partir de algumas situações (falando sobre aquela situação: olhando pela janela). Mas, conseguir passar os meus pensamentos para frases não deve ser o meu dom. Isso é algo que eu devo melhorar bastante para alguém conseguir entender o que eu estou querendo dizer.
E, aproveitando o final de assunto, eu vou indo. Minha perna, onde eu estou apoiado, já está doendo, meus dedos também, eu já escrevi uma folha frente e verso e outra só a frente, minhas folhas estão encharcadas de água da chuva, e meu prato está esfriando. Té mais... "

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Re-Opening Night

Domingo, Outubro 02, 2005

Então parece que estamos de volta... só que dessa vez sem ter o que dizer [pra variar]. Até pensei em mudar o nome da coisa para 'indefinido', ou algo derivado, porque realmente dessa vez é bem indefinido. Antes eu ainda resolvia ficar publicando meus textos deprimentes. Mas bla³. Não quero falar disso.
note pos-changing:
Desculpe pelos comentários. Antes estava com o sistema de comments do blogspot mesmo, mas ele deu muito problema, e eu prefiro o [famoso] da HaloScan mesmo. É mais simples... e é essa a idéia. E aliás, eu ainda tenho os comentários salvos, só pra você não achar que sua opinião foi em vão.
Também vários links se foram. Foi realmente dificil tirá-los. É como se eu estivesse definitivamente pondo um ponto final na minha relação [já decadente] com vários autores daqueles endereços. Mas tudo bem. O que deveria continuar, continuou.
Sobre o contador... não acreditem nele. Pelo menos 60% daquelas visitas são minhas mesmo, de quando eu fiquei arrumando o layout. Porque eu vou, mudo tal coisa, atualizo e vejo, depois eu volto pra corrigir, e lá se vai mais uma atualização. E assim foi, durante dois meses... [não que eu tenha demorado 2 meses pra mudar algumas coisas no template né, mas deu pra entender... eu acho].
[...]
Agora vamos, que preciso achar algo pra fazer num domingo consideravelmente inútil.
see ya...

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