Um olhar
sábado, setembro 29, 2012 § 1
Dois quilos, ela disse.
Ele pensou nos olhos dela quando selecionou a peça mais atraente e menos
gordurosa, ela era magra, e tão agradável de se ver, poderia picar seus dois
quilos de carne para sempre para segurar sua presença um pouquinho mais próxima
da dele, mas ela não era para ele. Deveria ter um marido para o qual se
preparava para cozinhar, e talvez dois filhos, era nova, mas eram dois quilos,
queria que tivesse-lhe pedido meio, apenas meio, cozinharia um pouco para si,
solitária, deixaria um pouco para o dia seguinte, solitária, por que não meio?
Poderia dizer algo engraçado e trocar um sorriso sequer, mesmo que fosse meio
quilo de sorrisos, se contentaria com pouco, mesmo que pouco fosse muito para
ele. Mas não, pesava o saco na balança e o que a balança esfregava em sua cara
eram dois quilos e oitenta e dois gramas de pura tristeza, ela iria embora e
cozinharia para outro que não ele, não podia fazer mais nada. A etiqueta que
colocava agora era o seu adeus silencioso, e o que mais o torturava era saber
que ela nunca saberia de seu amor, mesmo que fosse rápido, ligeiro, só meio
quilo de amor, desperdiçado e abandonado. Talvez se tivesse lhe confessado,
esta estória seria outra. Ao pensar em seus olhos, ele poderia ter enxergado a
verdade dela. Saberia quantos filhos, maridos, amantes ela tem apenas pelos
seus olhos, mas tudo que ele conseguiu enxergar foi sua própria estória com ela
e o que sabemos agora é que essa estória não poderia acontecer, pois ela se foi
para o caixa, com seus olhos, suas verdades e seus dois quilos de mistério.
A fila não era grande, mas o tempo passa diferente para cada um, e para
ele o tempo corria, a perderia de vista, perderia seus olhos, e só o que seu
corpo conseguiu fazer foi abandonar sua faca sobre a tábua, dar a volta no
balcão e ir atrás dela.
Ela já está com sua sacola em mãos e se vai, e o que seus olhos não lhe
disseram era que ele vinha logo atrás, as manchas vermelhas gritando por
atenção sobre o uniforme branco, suas botas fazendo um barulho maior do que sua
intenção, mas ela não o nota, o carrega até sua casa, e ela entra, solitária.
Ele aguarda do lado de fora, não conseguiria enfrentar os olhos dela,
dizer que a amava desde já, e se sua família chegasse?
Se sentou em uma mureta e com seus olhos sobre a casa aguardou o início
de uma estória alheia, um protagonista que não ele para abraça-la e não mais
solta-la, filhos para beijar e lhe preencher a vida, amigos para dividir os
anseios, mas tudo o que o tempo mostrava era ele próprio sentado em uma mureta.
Ninguém chega, ninguém se ama, ninguém se preenche além da noite com suas
estrelas. Como ele poderia aceitar que aqueles olhos estivessem sozinhos? Sem
alguém para se confessar, alguém para se refletir. Não poderia permitir.
Se levanta e vai em direção a porta, desarmado, desnudo, carregando
apenas seu amor, mesmo que breve, mesmo que imprevisível, era seu, e era tudo
que podia dar, tudo para ter de volta aquele olhar, deixar o penetrar, deixou a
coragem o alcançar e bateu na porta uma vez apenas, sabia que ela o ouviria, e
o ouviu, a porta abriu, mas não o viu.
Ele a vê, vê seu corpo, mas ela não abria os olhos.
Ela o recebe, o deixa entrar. Ele se senta, a chama pelo olhar, mas era
inútil, ela mantinha os olhos fechados, e assim se senta a sua frente. Permite
que ele se prepare, se encontre, para assim poder chegar, mas ele permanece em
silêncio. Quer dizer a ela tantas coisas, tantos amores, entrega-la tantos
quilos de paixão, mas ele não vê seus olhos, o protagonista de sua agonia. Ela
os mantém em segredo, confinados, sabe de sua paixão, sabe que ele os ama,
percebeu ao vê-lo anteriormente, e por isso os cala, cala seus olhos, silencia
tudo que eles poderiam contar, congela todos que eles poderiam hipnotizar. Seus
olhos em silêncio param o que o tempo poderia revelar. E ele se aflige, se
perde, não encontra a origem de seu desejo, não encontra seu propósito, seu
motivo. Ela está ali, mas ele se vê só, seus próprios olhos estão sozinhos, não
se refletem, não se espelham, apenas permanecem, na rima do silêncio. Sem seu
olhar, ele não pode mais amar, e ela sabe disso, o testa, o priva de suas
joias, quer saber a distância de seu amor, se o mesmo a alcança ou se
reserva-se a apenas seus olhos, e com o silêncio dele ela ganha, estava certa,
está só, como tantas outras vezes, e para sempre será, mas isso ele não quer,
ela não pode viver só, seus olhos não podem estar sozinhos. Mesmo que ele não a
veja por completo, ele a quer bem, a quer quente, a quer macia, mesmo se ela
não confia a ele a riqueza de seus olhos. Sente crescer em si o desejo do
cuidado, do afeto, quer cuidar de seus olhos mesmo se eles se ocultam, mesmo se
mantém-se em segredo, quer iluminá-la mesmo se ela reserva-se ao escuro, mas
não tem como dizer isso a ela, seus próprios olhos estão falando sozinhos, ela
não o vê, não vê os olhos deles contarem a ela o quanto a querem mesmo sem
vê-la. Com seus olhos fechados, tudo que ela vê é silêncio, é vazio, é
solitário, ela está novamente só, pois ele não diz, não se demonstra, não
confessa que deseja apenas seus olhos, e ela não aguenta mais o esperar, já
entendeu que ele não a quer, não é preciso mais se prolongar, e então decide
dizer que se vá.
Abre seus olhos para vencer essa disputa, e está pronta para olhar nos
olhos dele e mostrar que seus olhos são tudo o que ele quer, mas o que ela
encontra é um beco sem saída. Ele está ali, mas com os olhos fechados.
Está disposto a viver sem vê-la para tê-la bem, tê-la quente, tê-la
macia, não quer seus olhos, quer seu amor, mesmo que para isso precise viver no
escuro, e ela o vê assim, amando-a mesmo no escuro, e assim se percebe
equivocada. Não está mais sozinha.
Levanta-se e vai em direção a ele, e encosta seus finos dedos nos olhos
dele, que abre aos pouquinhos, deixando-o iluminar-se. Ele a vê, ela o vê,
finalmente podem-se refletir, preencher um ao outro. Ela perdeu a disputa,
estava equivocava, mas ganhou uma riqueza maior. Ganhou os olhos dele.
Viagem as nuvens
sexta-feira, agosto 10, 2012 § 1
Queria buscar, trazer-me assim, sem fim, as reticências de mim prolongando-me em um eterno "sim", sem precisar me prestar a moldar meu pensamento, deixando meu sentimento ali, disforme, displicente, uma abstração desvalorizada daquilo que sou senão um desejo de ser, transcender-me a um alimento do meu mundo, suas cores nutrindo um desejo de viver, seus sabores agraciando um prazer de ser, de saber poder ter em si as faíscas do reviver, reconhecer ser o próprio condutor do vagão contendo minha vida, sendo transportada até o local ideal para abrir-se em luz, iluminando aquele que sou e aguardo ser, podendo assim crescer recolhendo e reunindo os fragmentos de mim, me tornando enfim eu, talhado em desejos e fixado em pensamentos, deixando que meus sentimentos espalhem-se pelo chão por onde flutuo, impulsionando-me a subir cada vez mais as nuvens que descrevo e desejo que sejam aquela casa formada para abrigar-nos exatamente como somos, seja como for, sem pensar sobre o que nos falta, pois isso não procede.
Somos nós mesmos tudo aquilo que precisamos ter.
Somos nós mesmos tudo aquilo que precisamos ter.
Libertação
domingo, agosto 05, 2012 § 0
O vento passeia as páginas, que dançam embaralhando meus sentimentos, me fazendo correr atrás de minhas cores para descobrir onde estou senão em vários lugares, despido da carne que me envolve, humilde ao mostrar-me cru, abstendo-me dos temperos da ingratidão.
Quero-me assim, livre para sentir, esculpindo meus sentidos em torres de imaginação, perdendo-me pelas florestas do meu coração, carregando em minhas costas apenas a moeda da ignorância pronto para troca-la pelo conhecimento, que me entregam a preço de banana, ocupados demais comercializando toda a materialidade pesada demais para que possamos sequer carregar conosco para onde formos e, acredite, nós vamos embora uma hora e, então, aquele encoberto de bens estará nu, e o nu se verá coberto dos bens da alma, que cuido com carinho levando-a a escola da vida para aprender o que eu posso fazer para que eu possa ser, sem me apressar ou escorregar pela tempestade do caminho.
Vivo da liberdade do pensamento, que planto em meus atos para ver-se aflorar em libertação, ciente de que o sentimento é aquilo que podemos dar, sem precisar esperar o gracejo do cumprimento, sendo nós mesmos a resposta para nossas perguntas.
A verdade é o chão onde pisamos, que pode-se abrir ao mais leve hesitar, tragando-nos para onde não queremos ir, tornando-nos aquilo que não queremos ser.
O que podemos fazer é trilhar, sem precisar enxergar, confiando na escuridão da verdade: de que nascemos para ser feliz, portanto, não precisamos nos preocupar em escolher. Só o que precisamos fazer é sentir.
Quero-me assim, livre para sentir, esculpindo meus sentidos em torres de imaginação, perdendo-me pelas florestas do meu coração, carregando em minhas costas apenas a moeda da ignorância pronto para troca-la pelo conhecimento, que me entregam a preço de banana, ocupados demais comercializando toda a materialidade pesada demais para que possamos sequer carregar conosco para onde formos e, acredite, nós vamos embora uma hora e, então, aquele encoberto de bens estará nu, e o nu se verá coberto dos bens da alma, que cuido com carinho levando-a a escola da vida para aprender o que eu posso fazer para que eu possa ser, sem me apressar ou escorregar pela tempestade do caminho.
Vivo da liberdade do pensamento, que planto em meus atos para ver-se aflorar em libertação, ciente de que o sentimento é aquilo que podemos dar, sem precisar esperar o gracejo do cumprimento, sendo nós mesmos a resposta para nossas perguntas.
A verdade é o chão onde pisamos, que pode-se abrir ao mais leve hesitar, tragando-nos para onde não queremos ir, tornando-nos aquilo que não queremos ser.
O que podemos fazer é trilhar, sem precisar enxergar, confiando na escuridão da verdade: de que nascemos para ser feliz, portanto, não precisamos nos preocupar em escolher. Só o que precisamos fazer é sentir.
O que serei
quinta-feira, agosto 02, 2012 § 0
Tô de boa
Quê; vou dizer?
Melhor guardar, deixar aflorar, para que eu possa desdobrar e, assim, poder amar
Vou embora
Vou buscar
Ser, para poder dizer
É mais fácil viver
Sem pensar
Quero abraçar
Retomar a ação ao desejo
Só saborear
Me lambuzar com o gosto de suas vontades
Abdicarei de suas verdades para me tornar seu sonho
Não temerei
Dormirei em você até acordar seu corpo
Não vou voltar atrás
Estarei à frente
Rente a liberdade
Que a saudade me exprima
E ilumina minha paixão
Vivendo da inação
Serei engolido pela inércia de minha razão
Preciso; não
Sou de antemão o desvio do meu destino
E afirmo com precisão
Vivo da ilusão
Se querer é não ter, prefiro não te ter para sempre te querer
Seduzindo-me com sua ausência
Me enlouquecendo pela abstinência
Deixando que a vivência me ensine
A não poder
A não sofrer
A não viver
A não ter
Para que eu possa ser
Você
Quê; vou dizer?
Melhor guardar, deixar aflorar, para que eu possa desdobrar e, assim, poder amar
Vou embora
Vou buscar
Ser, para poder dizer
É mais fácil viver
Sem pensar
Quero abraçar
Retomar a ação ao desejo
Só saborear
Me lambuzar com o gosto de suas vontades
Abdicarei de suas verdades para me tornar seu sonho
Não temerei
Dormirei em você até acordar seu corpo
Não vou voltar atrás
Estarei à frente
Rente a liberdade
Que a saudade me exprima
E ilumina minha paixão
Vivendo da inação
Serei engolido pela inércia de minha razão
Preciso; não
Sou de antemão o desvio do meu destino
E afirmo com precisão
Vivo da ilusão
Se querer é não ter, prefiro não te ter para sempre te querer
Seduzindo-me com sua ausência
Me enlouquecendo pela abstinência
Deixando que a vivência me ensine
A não poder
A não sofrer
A não viver
A não ter
Para que eu possa ser
Você
Obséquio
quarta-feira, agosto 01, 2012 § 0
Tenho medo de falar sozinho; esquecerem-me à beira de um vazio. Contemplo a verdade da retórica, e a hora não sou eu, embora o agora seja ela.
Se retorna, me contrai. Mas se vai, e não me acorda. Te quero e te espero, mas me guarda e só recorda.
Respondo a pergunta de si, mas do mi se esqueceu e não tocou. Deixou meu silêncio me cantar, e aprendi a falar a língua do um, que não dissemina nem se multiplica, apenas reproduz a lição da solidão que me ensina e não me esquece, nem me deixa e me apetece.
Cada parágrafo é o desejo de conhecer um novo um, mas não condiz, e o que se concretiza é a ausência da palavra trocada, uma confissão não raciocinada em que busco um reflexo no espelho da comunicação.
Sucinto, revelo meus desejos e te aguardo num amparo. Deixo meu enfoque apenas pela esperança do seu toque.
Batalha do meu desejo
segunda-feira, julho 16, 2012 § 0
Se não quer vir, vou obedecer. Viajo a teu encontro e te aguardo sob ti. Se te vejo, me escondo. Se me busca, te confronto. Travo a batalha do meu desejo, e se me perco, te encontro. Se te peço, é porque caço, e se me desfaço, me redimo e te abraço. Não te deixo ir porque me quer bem, mas se me quiser também, confesso que vou partir. Se te deixo, desmereço, mas se te beijo, logo aprendo e repreendo se me afogo no temperamento que me conduz sem me guiar, abandonando seu bem-estar e motorizando o desprendimento. Te descubro em um momento, e me esqueço a seguir. Cego, sigo o desmoronamento do pensamento que convir, e se te revelar, confie que será apenas para amar.
Uma só conversa
sábado, julho 14, 2012 § 0
A conversa é o motor da nossa alma. Dirige nossos pensamentos à via de si, carregando o fruto de nossa natureza enquanto amadurece na caçamba de nossa pureza.
Ela dita o ritmo dos passos que dançaremos ao tocar a música de uma palavra trocada, sorrindo as descrições de uma personalidade alcançável, enquanto tateamos uns aos outros no escuro do descobrimento.
Recebemos o presente da presença compartilhada, partindo de nômades do conhecimento a cultivadores do sentimento, plantando o próximo e colhendo a si mesmo a cada instante, soltando-se amadurecido da árvore da Vida prontos para redescobrir a fronteira do eu.
Inaptos a reconhecer o fim, procuramos semear a eternidade de um debate, assoprando o perfume de uma dúvida ansiosos para inalar a bondade de uma resposta, redesenhando cada começo, certos de que, enfim, nos encontraremos no meio.
Maqêdo | A próxima ausência
quarta-feira, julho 11, 2012 § 0
Uma espera torna-se obsoleta se seu motivo esquece-se de ressurgir.
A dinâmica de uma máquina vê seu propósito se esvair.
Ele não está aqui, e com ele se foram os nós dos dedos, os cravos das rosas, a canela do arroz e até os pés do moleque. Seu desapego é cego, e sua presença despede-se sem voz. Quis eu que seu retorno me reanimasse, mas uma proximidade nunca pareceu tão distante.
Ele se foi.
Ele não está aqui, e com ele se foram os nós dos dedos, os cravos das rosas, a canela do arroz e até os pés do moleque. Seu desapego é cego, e sua presença despede-se sem voz. Quis eu que seu retorno me reanimasse, mas uma proximidade nunca pareceu tão distante.
Ele se foi.
Trinca de desejo
terça-feira, julho 10, 2012 § 0
O desejo é aquele que fica
reassimila
e se esvai
Se sai
realinho
e me conduzo
Se deduzo
reascendo
e me guardo
Só aguardo
relembro
e me distraio
Se retraio
realmente
me desfaço
Se rechaço
reaprendo
e renasço.
reassimila
e se esvai
Se sai
realinho
e me conduzo
Se deduzo
reascendo
e me guardo
Só aguardo
relembro
e me distraio
Se retraio
realmente
me desfaço
Se rechaço
reaprendo
e renasço.
Uma confiança colorida
segunda-feira, julho 09, 2012 § 1
Confio em minhas canetas. Elas são as carpinteiras do meu sentido. Busco a mim mesmo na retórica de outros e aguardo-me na ordem dos parágrafos.
Despir-me é um ato contínuo, e busco na condescendência alheia a tranqüilidade para comigo mesmo.
Corrijo-me a todo instante, esperando me tornar alguém que não eu mesmo, mas se nem sei quem sou, então por que tanto temperamento?
Vejo as linhas transcenderem-se em confissão.
Palavras que não me deixam partir.
Quebro a ordem, e desmascaro-me a seguir. Revejo-me a qualquer momento, e a todos a todo instante. Prevejo meu passado e relembro meu futuro apenas para esquecer-me do presente, inutilmente.
Teço o que desconheço e não esqueço da sinceridade. Me apego à realidade, e não abandono seu apreço. Decido o que continuo, e se descontinuo, desmereço. Reflito meus desejos, e me perco se aguardo.
Procuro o reflexo de mim em outros, impulsionando os sentimentos revelados a um crescimento igualitário.
Encontro o nutriente da alma.
A calma me afaga as vertentes, e conduzo-me na paz da confiança.
Busco as verdades, e se elas não forem suficientes, então perco a esperança.
Despir-me é um ato contínuo, e busco na condescendência alheia a tranqüilidade para comigo mesmo.
Corrijo-me a todo instante, esperando me tornar alguém que não eu mesmo, mas se nem sei quem sou, então por que tanto temperamento?
Vejo as linhas transcenderem-se em confissão.
Palavras que não me deixam partir.
Quebro a ordem, e desmascaro-me a seguir. Revejo-me a qualquer momento, e a todos a todo instante. Prevejo meu passado e relembro meu futuro apenas para esquecer-me do presente, inutilmente.
Teço o que desconheço e não esqueço da sinceridade. Me apego à realidade, e não abandono seu apreço. Decido o que continuo, e se descontinuo, desmereço. Reflito meus desejos, e me perco se aguardo.
Procuro o reflexo de mim em outros, impulsionando os sentimentos revelados a um crescimento igualitário.
Encontro o nutriente da alma.
A calma me afaga as vertentes, e conduzo-me na paz da confiança.
Busco as verdades, e se elas não forem suficientes, então perco a esperança.
Freqüência
domingo, julho 08, 2012 § 0
O que faremos com o tempo?
Ele vem, e se vai, deixando seus rastros de conhecimento.
Ele vem, e se vai, deixando seus rastros de conhecimento.
Quero abraçá-lo e não mais soltá-lo; torná-lo eu, imutável, invencível, e imortal.
Volúvel, modifico-me no ar enquanto sua direção mudar, tornando-me outros, inconfiáveis e irreconhecíveis.
O tempo me define quando molda a argila das minhas características.
Sou nada, e o tempo é tudo, enquanto nada contra a freqüência do mundo.
Estática
sábado, julho 07, 2012 § 0
Uma folha que cai não diz quase nada a um ouvinte desatento.
A Natureza consegue declamar mais do que nossos ouvidos sabem captar.
Não sei o que sou, mas dizem-me a todo instante.
Guardo comigo a presença de mim, quem posso confiar e nunca poderei abandonar.
Uma folha caída diz mais que meus ouvidos sabem apreciar.
A Natureza consegue declamar mais do que nossos ouvidos sabem captar.
Não sei o que sou, mas dizem-me a todo instante.
Guardo comigo a presença de mim, quem posso confiar e nunca poderei abandonar.
Uma folha caída diz mais que meus ouvidos sabem apreciar.
Medo
sexta-feira, julho 06, 2012 § 0
Ter o frio coçando o ventre nos incapacita das funções mais básicas; retira de nós o propósito do ser. Tornamo-nos o ventríloquo de nós mesmos, obrigando-nos a cumprir regras estapafúrdias que traçamos num momento de desespero, em que vimos nada ou ninguém à nossa volta além de nós mesmos rodopiando em torno de nossa própria redundância.
Queremos o que queremos e não podemos, e isso nos mata, lentamente, dentro de nossa mente amedrontada, incapaz de aguardar a vida por um momento sequer, sem nem mesmo querer descobrir quanto é um momento, sem querer enxergar ou utilizar os sentidos para com a ajuda disponível à nossa volta, certos de que somos os únicos desbravadores de nossa própria vida, uma certeza frágil e sem embasamento, certos de que a dúvida calcificará os alicerces do nosso conhecimento, sem sentir a brisa gélida de um ser descoberto e desamparado do mundo a não ser por seu único e confiável amigo: o medo.
Queremos o que queremos e não podemos, e isso nos mata, lentamente, dentro de nossa mente amedrontada, incapaz de aguardar a vida por um momento sequer, sem nem mesmo querer descobrir quanto é um momento, sem querer enxergar ou utilizar os sentidos para com a ajuda disponível à nossa volta, certos de que somos os únicos desbravadores de nossa própria vida, uma certeza frágil e sem embasamento, certos de que a dúvida calcificará os alicerces do nosso conhecimento, sem sentir a brisa gélida de um ser descoberto e desamparado do mundo a não ser por seu único e confiável amigo: o medo.
Retorno
quinta-feira, julho 05, 2012 § 0
Queria começar de trás, repetindo a história devagarzinho para ter as sensações formigarem os dedos dos pés conforme o novo chegar, mesmo sem ser tão novo, mesmo sem ser tão chegado. Aproveitar e reaproveitar cada instante como se estivesse de olhos vendados, somente ouvindo o zumbido da abelha da novidade.
Queria desenhar os trajetos já percorridos igualmente a primeira vez e ser chamado de plagiador, apenas para sentir a dor de um ventre que se abre à luz mais uma vez, recriando o milagre vez após a outra, progressivamente, e rever a felicidade para sempre.
Queria voltar os filmes premiados de minha vida e rever cada beijo apaixonado que dei nos maiores amores que vivi.
Queria viver desde o primeiro dia do encontro da alma-gêmea, e cruzar novamente cada palavra e completar cada frase e se completar a cada segundo que não passa, apenas permanece, como uma fotografia bem retirada que só nos mesmos poderíamos retirar de dentro da própria história.
Queria chegar e reviver simplesmente para não mais ir embora.
Queria desenhar os trajetos já percorridos igualmente a primeira vez e ser chamado de plagiador, apenas para sentir a dor de um ventre que se abre à luz mais uma vez, recriando o milagre vez após a outra, progressivamente, e rever a felicidade para sempre.
Queria voltar os filmes premiados de minha vida e rever cada beijo apaixonado que dei nos maiores amores que vivi.
Queria viver desde o primeiro dia do encontro da alma-gêmea, e cruzar novamente cada palavra e completar cada frase e se completar a cada segundo que não passa, apenas permanece, como uma fotografia bem retirada que só nos mesmos poderíamos retirar de dentro da própria história.
Queria chegar e reviver simplesmente para não mais ir embora.
A distância dos polos
quarta-feira, julho 04, 2012 § 0
Queria te dizer o quanto sinto tua falta, mas o barulho diz menos que o silêncio incessante de uma distância temporariamente irreparável, cavando o vazio numa já pequena alma, desnorteando-me de um trajeto já invisível para meus olhos unilaterais.
Perco a noção dos dias que conto religiosamente, e com ela a força que me abandona os músculos do contentamento, regredindo aos passos de uma evolução falha conforme o fim perde-se de vista e a luz parece-me ser muito cara para enxergar.
A proximidade é meu combustível, o toque energiza-me e recobra a lucidez que se esvai a cada dia que passa.
Você sabe, você me conhece, vivo do calor dos sentidos aguçados e quero reter a paixão até necrosar-me o coração. Não sei andar sozinho, caminho o trajeto do destino, que desconheço e bato cada milha ou polegada do mapa ainda em branco, aguardando-me pacientemente para retornar e trilhar a fagulha do amor, que acendo e me incendeio nesse beco sem saída.
Queimo conjunto a paz, que não me julgo pronto o suficiente para sentir, enquanto cozinho-me para me servir do banquete do aprendizado. Se essa pausa me é benéfica, serve apenas para realinhar-me na órbita dos meus desejos, que multiplicam-se conforme estou.
Não quero ser o ingrato da calma, e agradeço pelas oportunidades que crio e me recriam. Almejo apenas três por cento de tudo aquilo que pretendo, mas às vezes até pouco parece muito longe.
Ter é não ter até poder, e o que posso é tomar o tempo como amigo, e esperar que a nutrição da espera nos fortaleça. Quero-me bem, assim como a ti também.
Sempre seu,
Renan Cesar Antunes
Livro de receitas
terça-feira, julho 03, 2012 § 0
Um livro de receitas é a agenda de uma família, que não se toca a não ser nos momentos de segredo revelado, uma mágica pontual, onde confessamos a habilidade de concretizar histórias inéditas e, ainda que não, guardamos a sensação de revisitar uma ação que nos é benéfica, e diz mais sobre nós do que mil palavras assadas.
Todos os direitos reservados. Tecnologia do Blogger.
.
Capítulos
Quotation
.
.
Mais Lidos
-
O silêncio... O silêncio que precede a discussão, que abandona a briga, e que finaliza a guerra. O silêncio maldito que impulsiona o dese...
-
Nós precisamos parar. Nós precisamos parar de vez em quando, para olhar as folhas caírem, os carros passarem. Nós precisamos parar um pouco ...
-
...E lá não haverá boas ações. Haverá, mas serão poucas, e essas poucas serão ofuscadas pela futilidade, hipocrisia, e superficialidade da e...
Seguidores
Leitura
-
Grave esse diaHá 9 anos
-
zeldaHá 13 anos
-
-
-
-
B.O.Há 8 anos
-
domingoHá 11 anos
-
até BerlimHá 11 anos
-
-
DO NASCER ATÉ O ANOITECER.Há 10 anos

