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Das Maturidades

domingo, agosto 28, 2011 § 0

Quando adolescente, para ser aceito em grupos, você aprende a fumar cigarro.
Para ser aceito em grupos quando adulto, você aprende a cheirar.

Hipermetropia

domingo, outubro 24, 2010 § 0

É reconfortante constatar que o problema do ser humano não passa de uma simples hipermetropia.

A proximidade para o ser humano sempre o faz exergar sua vida disforme.

Tudo o que nós precisamos é apenas nos distanciarmos um pouco para conseguirmos enxergar as coisas como elas realmente deveriam ser.

Um Cuspe na Cara e Outras Criatividades

sábado, outubro 23, 2010 § 0

A humilhação de um ser humano contra outro é a maior e mais sincera demonstração de desumanidade por aquele que humilha.

As Longas Projeções

§ 0

O lamentável para o ser humano é sua constante limitação a apenas alguns poucos breves momentos de lucidez.

Durante todo o restante do tempo, ele insiste em agir apenas como uma rasa projeção de um personagem equivocado, tentando sempre ser alguém que não ele próprio.

O lamentável, verdadeiramente, é ser impossível de se enxergar a pessoa que ele realmente deveria ser, a não ser através de alguns daqueles poucos e breves momentos de lucidez.

Carma

quarta-feira, outubro 20, 2010 § 0

O decepcionante para alguns é a constatação de que, sim, merecemos a vida que temos.

Para outros, só o que existe é a chance de construir sua vida como sonha.

E, no fundo, estamos falando todos o mesmo.

Como eu gostaria de tirar sua roupa

quinta-feira, julho 01, 2010 Comments Off

Existem perguntas que não se faz.

Como uma breve consciência prévia de uma resposta despida, certas perguntas não fazemos, como conscientes prévios da nudez do outro.

No fim, de qualquer forma, estamos ambos, ele e eu, conscientes, precavidos e, o mais importante, nus.

Aritmofobia

quarta-feira, janeiro 06, 2010 Comments Off

É quase como se fosse uma ofensa. Um golpe. Um tiro. Um tiro à queima roupa. Seja quem for, é certo que reagirá como se estivesse nu frente a essa pergunta, como se isso certificasse seu próprio valor; como se você custasse o quanto recebe.

"Qual seu salário?"

Os pêlos dos braços se arrepiam, a espinha gela, sentimos nossa coluna levemente se repuxar, pedindo para que troquemos de posição, e disfarçar o tamanho constrangimento, para então darmos uma resposta qualquer que estejamos habituados a dar de acordo com nossa personalidade.

Alguns são sinceros e declaram-se constrangidos; optam ou não por responder; respondem mentiras; e alguns poucos, raríssimos, respondem diretamente, secos, tão objetivos quanto a própria pergunta fora anteriormente, sem medo de um número, de o que ele possa representar, da reação que o outro possa ter, de seus julgamentos, independente de tudo. Seco. Um número. Uma resposta.

Esses são raros. Talvez sejam esses os que não temem seus objetivos. Nem temem não alcançá-los.

Talvez, o constrangimento do número seja pela confrontação. Não por revelar um segredo interno, por revelar o quanto vale seu dia-a-dia, por revelar quais restaurantes você pode freqüentar e quais não, quanto você provavelmente dá de gorjeta... Por nada disso. Talvez o medo seja pela confrontação de se enxergar até onde você foi na sua própria expectativa. Talvez, nos sentimos tão nus frente à pergunta por enxergarmos, naquele momento, o quão próximo estamos de nossas conquistas. E é esse o medo que temos.

Trabalhamos não pelo número. Nunca foi pelo número. Quantas vezes trabalhamos por números pequenos considerando a realização que aquilo nos traria? Mas, hoje, enxergamos o número como um parâmetro para medir nossas conquistas.

Nos envergonhamos frente à pergunta pelo medo de olhar nossa "barra de status". Para ver até onde nossa barra está cheia. Quanto falta para completá-la. Pelo medo de criarmos o paralelo entre a idade que temos, entre tudo o que já fizemos, o quanto já sofremos e vivemos, e o quanto já conquistamos. Porque esse paralelo, sim, nos dará o resultado de quanto falta para chegarmos aonde queremos. E é preciso uma confiança enorme para olhar para o resultado dessa equação.

É preciso uma confiança enorme para declarar, de forma seca e objetiva, um número. Um simples número. É preciso ter calma, viver plenamente, sem dúvidas, sem deixar nada passar, para se ter a tranqüilidade de olhar para si mesmo em terceira pessoa e ficar contente com a vida que se tem. É preciso confiança para se olhar o quanto falta para chegarmos aonde querermos e dizer que "está tudo bem, logo vem".

Só uma vida vivida vividamente, dia-a-dia, pode nos dar a calma necessária para poder enxergar tudo aquilo que ainda não somos e ainda assim não entrarmos em pânico.

De Espaço

quinta-feira, julho 17, 2008 Comments Off

Descobrimos então que ali, naquele cantinho escondido, havia um vazio.
E ali resolvemos guardar nossa alma, com a ingênua certeza de que algo sem conteúdo devesse pertencer a um local inexistente.

Da Liberdade da Alma

sábado, junho 21, 2008 Comments Off

Um dia, seremos todos andróginos. E então, quando nossos corpos estiverem libertos, a sociedade estará pronta para a liberdade da alma quando, então, deixará de se preocupar sobre "a que" amar, para se preocupar com "a quem" amar.

Concretismo

sexta-feira, junho 08, 2007 § 0

Se a mentira tivesse um formato, indiscutivelmente seria uma esfera brilhante prateada, e à exceção de um microscópico racho na parte inferior dela, uma esfera perfeita. O gosto, obviamente, uma deliciosa mistura do doce do mel e do cacau.

A verdade, por outro lado, certamente seria um fragmento uniforme viscoso numa coloração meio rosada, meio albina, coberto de uma gosma esbranquiçada, com um repulsivo gosto azedo de remédio para lumbriga.

Genialidade

sábado, junho 02, 2007 § 0

Você é especial, você tem idéias inteligentes, inovadoras, únicas. Mas elas não valem de nada enquanto você não executá-las.

Você pode ser um gênio, mas se ninguém mais viu isso, você é um gênio apenas dentro de si, porque toda a sua genialidade vai morrer com você.

E se tudo de especial que você tinha, você deixou morrer consigo, então você nunca teve nada de especial.

Nada de genial.

Nada.

Porque a genialidade não está nas idéias, mas na execução delas.

Ter idéias e não executá-las ainda é não ter idéias.

Mundo/Tempo Pt. 2

quinta-feira, maio 31, 2007 § 0

O que nós temos são valores.

São valores próprios, valores dos outros, da sociedade, de nossos amigos, de nossos parentes. Carregamos conosco a mais variada quantidade de valores. Carregamos os nossos, respeitamos os de nossos familiares, consultamos o de nossos amigos.

Nós também temos metas. Metas nossas, só nossas. Mas, devemos conquistá-las através de nossos valores próprios, respeitando o de nossos familiares, e consultando o de nossos amigos. Como conciliar tudo? Conciliar todos, todas as opiniões...

Até onde devemos seguir o roteiro pré-formulado para nós? Devemos seguí-lo? Ou devemos criar o nosso próprio roteiro, seguir nossos instintos..? Devemos confiar em nós mesmos?

Como convencer os outros de que o seu roteiro é o melhor para você? É o seu filme, você é o diretor, e você realmente confia no roteiro. Não aquele editado e reformulado pelos executivos do estúdio, mas aquele escrito pelo roteirista que ninguém conhece, mas que você sabe que é bom. Aquele roteirista que você sabe que tem talento. Como você vai convencer todas as outras pessoas envolvidas no filme, todos os produtores, os patrocinadores, todos, de que aquele é o caminho que você realmente acha que deva ser seguido?

Você realmente tentará convencê-los, ou abrirá mão, seguindo seu caminho, produzindo-o independentemente, ao lado de pessoas que nunca precisou convencer para estarem do seu lado?

São valores, muitos valores... Valores demais para um único filme.

Mundo/Tempo

terça-feira, maio 29, 2007 § 0

Você já teve aquela sensação de que a vida é curta demais pra você? De que o mundo é grande demais para ser aproveitado tão rapidamente?

Aquela sensação de saber que, não importa que caminhos você escolha, você nunca vai aproveitar tudo que quis, tudo que quer, tudo que quiser...

O Segredo do Medo

domingo, janeiro 21, 2007 § 0

As pessoas têm medo de segredos.

Não.

O que as pessoas temem é não saber o segredo dos outros.

Ninguém tem medo dos próprios segredos. Ele está seguro, seguro conosco, protegido. O que nós sentimos pelos nossos próprios segredos não é medo, é remorso e/ou arrependimento, e acabamos confundindo esse remorso por medo.

E quanto aos segredos alheios, também não é medo que sentimos. É uma mistura de insegurança, curiosidade e inveja. Inveja de querer saber o que apenas elas sabem (porque saber é poder, e poder é algo que todos almejamos); curiosidade de saber o que pode ser tão importante que deva ser guardado; e insegurança de que aquilo possa te afetar de alguma forma caso fosse descoberto (porque, afinal, somos nós a questão, sempre).

As pessoas têm medo. Claro que tem. Mas não é medo do segredo, não é medo das outras pessoas. As pessoas temem a si próprias. Temem as coisas terríveis que são capazes de fazer, e que só elas sabem que poderiam.

As pessoas são seus próprios medos.

Você é seu próprio medo.

De Brilhos e Pedras

segunda-feira, novembro 27, 2006 § 0

Conhecemos pessoas novas.

Ficamos fascinados por aquela pessoa, toda aquela beleza, aquelas palavras saindo de forma tão doce e delicada, aqueles questionamentos tão filosóficos.

Ficamos apaixonados por aquela pessoa, queremos conhecê-la mais e mais, e então começamos a conhecê-la, mais e mais.

Vamos cada vez mais fundo, e começamos a ver que a beleza não era tão bela, as palavras não eram tão doces, os questionamentos não eram tão filosóficos.

Profundo, fundo, a fundo, e percebemos que aquela pessoa tão especial não era tão diferente de nós mesmos.

Ou então, toda aquela semelhança que tinha conosco, na verdade era mais diferente do que imaginávamos.

De repente, o brilho do diamante se perde, tornando-o, mesmo que ainda um diamante, apenas mais uma pedra preciosa.

É preciosa, é rica, mas ainda assim, uma pedra.

A Cirurgia

terça-feira, outubro 17, 2006 § 0

A cirurgia foi inventada no dia em que o primeiro homem se atreveu a ir dentro de uma mulher.

(Em conseqüência disso, também foi inventado, além da cirurgia, o segundo homem).

Geralmente Pessoas

domingo, outubro 08, 2006 § 0

Algumas vezes, na presença de alguma pessoa, eu começo a perceber como a pessoa é única. Começo a reparar em como a pessoa é rica de características, de sentimentos, de histórias... E começo a perceber que uma pessoa é algo realmente extraordinário.

Não uma dúzia de pessoas, não 300.000 pessoas, mas uma pessoa.

E é nisso onde eu me pergunto, "por que as pessoas generalizam tanto"? Por que raios as pessoas tratam a si mesmas de uma forma geral, descompromissadas, desinteressadas?

É um pecado que uma pessoa só fique feliz se vir que conhece 400, 600, 1000 pessoas.

É preciso que se veja as pessoas de forma única, porque é isso; cada pessoa é uma pessoa. É preciso que as pessoas entendam que uma pessoa significa muitas coisas, muitos sentimentos, muitos pensamentos. Uma única pessoa é um "englobamento" de N características, de N histórias, e de N sentimentos. E parece que as pessoas estão se limitando a se tratarem de forma geral, como números, como se todas essas coisas que uma pessoa carrega significassem nada; como se tudo o que elas representam são números.

E é esse tipo de pensamento, esse tipo de ação superficial, que cria esses individualismos que matam uma sociedade, e a própria pessoa, fazendo-a se fechar em si, acabando sozinha, sem se importar com ninguém, mas querendo a todos.

Só o que as pessoas precisam é começar a se tratar de forma especial, como se cada pessoa fosse a única pessoa. Porque, basicamente, é isso: cada pessoa é a única pessoa, a partir do momento em que sabemos que ela é única. Deu pra entender?

Só o que é preciso, é que as pessoas tratem as coisas de forma mais pessoal. Só isso.

Bonecas de Tortura

domingo, setembro 24, 2006 § 0

Eu costumo reclamar incansavelmente das crianças, mas existem certos momentos que me levam a crer que quem sofre são elas.

Nós vivemos reprimidos na nossa sociedade, sem conseguir expressar nossos verdadeiros sentimentos, sem nem ao menos conseguir agir como realmente queríamos, e então, acabamos agindo de acordo com a sociedade.

Aí então nós vemos uma criança, um bebê, e lembramos instantaneamente que ela não tem noção de qualquer coisa, não entenderá nada do que fizermos, e nem ao menos se lembrará depois. E então o que fazemos? Começamos a torturar o pobre bebê, fazendo caretas, abrindo e fechando a boca de forma grotesca, fazendo as caras mais ridículas possíveis, tudo o que nós gostaríamos de fazer normalmente e não podemos. Usamos as crianças para liberar toda a merda que temos dentro de nós, e depois, ainda temos a cara de pau de ficar reclamando que elas são um pé no saco.

Se elas lembrassem de tudo isso depois, as chances de isso se tornar tão inaceitável socialmente quanto xingar seriam enormes.

Nota Sentimental

sábado, setembro 23, 2006 § 0

Eu acho excitante e admirável aqueles momentos de êxtase e felicidade em que sentimos a maior vontade de dizer "eu te amo".

Acho realmente uma delícia aquele momento de alegria, em que nos sentimos mais propícios a dizer "eu te amo" a quem amamos de verdade.

Mas não são nesses momentos em que expressamos nosso verdadeiro amor. Dizer que amamos nesses momentos é fácil.

O "eu te amo" mais sincero e verdadeiro, é aquele que vem depois de uma briga horrorosa, em fúria com a outra pessoa... O amor verdadeiro deve se expressar em todos os momentos, e quando tornamos possível dizer "eu te amo" no momento mais tenso entre a outra pessoa, é quando sabemos realmente que o que estamos dizendo é de coração.

Ideobilidade Sensiológica

sexta-feira, setembro 22, 2006 § 0

Estamos tão certos de que conhecemos nosso mundo, nossa vida, nossa existência.

Estamos tão crentes de que temos consciência sobre o que acontece conosco.

Temos a certeza absoluta de que sabemos do que acontece a nossa volta, porque temos a visão, podemos ver o que acontece; temos o olfato, podemos sentir o odor do que nos rodeia; temos o tato, podemos sentir a presença do que é concreto; temos a audição, o que nos dá o poder de ouvir há metros de distância algum som característico de algo; e, claro, temos o paladar, o que nos dá uma característica a mais do que está em questão.

E por tudo isso, acreditamos conhecer o que acontece a nossa volta.

Mas e se algo mais está acontecendo, e não sabemos? E se algo está acontecendo a nossa volta, e não temos o veículo necessário para perceber?

Como podemos dizer que conhecemos o que nos rodeia, porque temos os 5 sentidos? Aonde entra o 6º?

E se tudo tem uma característica a mais, e nós só perceberíamos se tivessémos um específico sentido a mais? Como sabemos que tudo o que pode ser sentido de um objeto são o paladar, o tato, olfato, audição ou visão?

Talvez, afinal, somos uma espécie limitada. Talvez a existência tenha muito mais características do que o que conhecemos. Talvez sejamos grosseiros e arrogantes a ponto de pressupor que todas as coisas tenham apenas 5 caracteristicas. Talvez sejamos estúpidos em pressupor que tudo o que as coisas podem nos mostrar, é tudo o que nós podemos sentir.

Talvez sejamos realmente limitados... Limitados a pressupor que não somos limitados.
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