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No braço, um abraço

domingo, setembro 29, 2013 § 0

Contato que trago é errado.
Se mostro um afago é descaso.
Um amparo ao lado, "que raso".
Até um beijo, um abraço, "que vago".

Te olho, "que amargo"
Te pinto e descarto
Decido meu amor no braço.

O que posso é tentar
Não apenas sonhar
Te amar é meu puro desvendar.

Este caminho é corrido
Até já conhecido
Me volto e me animo
Mas não passo de seu eterno amigo.

O que posso é viver
Paralelo a você
Até que possa enfim
Te merecer.

Frio, o calor

sábado, agosto 24, 2013 § 0

O toque
o frio
o toque
no frio
o frio
no toque
aquece
a despedida
no toque
do frio

O verso da prosa

quarta-feira, janeiro 16, 2013 § 0

A prosa é brava
mas disfarça
a farça
que me alveja

E a gente embarca
sem se despedir
e sem perceber
que estamos prontos para nos reconhecer

Já parti
e me transformei
ao regredir
àquilo que senti

E gostei
daquilo que me tornei
e agora sei
que não retornarei

Estarei comigo
conhecendo meu destino
e me determino
a ser meu amigo

Agora me planto em seu abrigo
para ser seu
e se me colhe com afinco
posso enfim ser eu

O que serei

quinta-feira, agosto 02, 2012 § 0

Tô de boa
Quê; vou dizer?
Melhor guardar, deixar aflorar, para que eu possa desdobrar e, assim, poder amar
Vou embora
Vou buscar
Ser, para poder dizer
É mais fácil viver
Sem pensar
Quero abraçar
Retomar a ação ao desejo
Só saborear
Me lambuzar com o gosto de suas vontades
Abdicarei de suas verdades para me tornar seu sonho
Não temerei
Dormirei em você até acordar seu corpo
Não vou voltar atrás
Estarei à frente
Rente a liberdade
Que a saudade me exprima
E ilumina minha paixão
Vivendo da inação
Serei engolido pela inércia de minha razão
Preciso; não
Sou de antemão o desvio do meu destino
E afirmo com precisão
Vivo da ilusão
Se querer é não ter, prefiro não te ter para sempre te querer
Seduzindo-me com sua ausência
Me enlouquecendo pela abstinência
Deixando que a vivência me ensine
A não poder
A não sofrer
A não viver
A não ter
Para que eu possa ser
Você

Trinca de desejo

terça-feira, julho 10, 2012 § 0

O desejo é aquele que fica
reassimila
e se esvai
Se sai
realinho
e me conduzo
Se deduzo
reascendo
e me guardo
Só aguardo
relembro
e me distraio
Se retraio
realmente
me desfaço
Se rechaço
reaprendo
e renasço.

A pergunta das cores

domingo, julho 01, 2012 § 0

Gosto de escolher a cor, mas ela não muta-se
O que se modifica é o que não quero
Querer é solidificar para ver-se derreter
Condenso o que quero, e estremeço se reparo
Notar-me é um refúgio, onde me enalteço
Estilizo meu quarto e maquio meus livros
A palavra é rasa, mas afogo-me sem ver
O que exergo é invisível, e se descrevo, deixa de ser
Sou só, mas se escrevo, idem
O mesmo idealizo, e tão breve recrimino
Incrimino-me no cinza, mas apago rosa
A rosa não criei, e se só eu sei, então deixei
Abandono o ismo, e abraço o ade
A verdade é só saudade
Reencontro minha liberdade no desuso de outros
Eu pedi, eu recolhi
O lixeiro é o sultão de uma vida desperdiçada
Valorizo o real, e realizo o patriarcal
A família é unida, e nunca se desvencilha
Me desvio do que anseio, desejo o que não quero, e o que quero não recebo
O receio me recria, e da vida, desconheço
Apresentam-me um amarelo, mas meu azul já o esverdeou
A transformação inebria, e a brisa se perdeu
Busco a pergunta de uma cor preferida, mas a resposta foi você quem me deu.

Olhares

sexta-feira, junho 29, 2012 § 0

Sentou
Me olhou
Desolhou

Me olhou
Sorriu
Desolhei

Vem

quinta-feira, junho 28, 2012 § 0

Vem se agrupar,
se ver, ver,
e se for,
se ir,
se não voltar,
não vou amar,
se ir,
e se for,
se vem,
se agrupar;
Vou amar.

Descontínuo

terça-feira, junho 19, 2012 § 0

Nada continua, tudo descontinua
Olho no olho, dente no dente
Vesícula desajeitada, mulher caída
Dente no olho, vida passada

Uma desatenção sabida

sexta-feira, junho 08, 2012 § 0

Hora de chegar
O desejo se realizar
O ser se verbalizar e, assim
se tornar
Um desejo respondido
Uma lâmpada externada
e a luz restaurada
O concerto programado
de um conserto assistido
O anseio nutrido de uma voz declamada
A paz cantada da alma memorizada
Uma voz sentida
Seus sentidos retomados numa conversão proibida
E, ainda, exaurida
aclamada e, ainda,
consentida
Uma subversão ao polemizado
Um pensamento gravado
O doce saboreado sob a condensação infindável do conhecimento pleiteado por conhecido
Um Saber desejado
Uma presença abstraída enquanto
abnegada
O quieto inquieto
Uma cabeça que se ergue
Se argumentaliza sem se negar
Seu retomar se equilibrar
Sua escrita se desenhar
Seu colorir se realizar
Seu repetir se exaurir
E sua paz permanecer
Uma vontade destilada
Concretizada após
fermentada
Uma mancha predestinada
Sua linha recobrada
O não dito reconhecido
E o rito concluído
Uma desatenção amada e,
portanto
sabida.

Êxito

sexta-feira, junho 01, 2012 § 0

O êxito, aquele que não
A excitação, que não
O não, aquele que hesito.

Bem que ela sabia

quinta-feira, maio 17, 2012 § 0

Medo até de escrever
Bem que ela sabia
Quanto conhecia
Me descreveria
E eu nem perceberia

Sem querer, nem esperar

quarta-feira, abril 25, 2012 § 0

Vira,
o verso.
Um amigo,
que se foi.
Sem querer
ou esperar
nem
antecipar
a preguiça
que é o ponto final
da droga que se consome
e o resultado é
aquele
que vimos
e viramos
como o verso
ou o amigo
que se foi.
(sem querer, nem esperar)

Foco

§ 0

Um foco,
dois focos.
Três focos,
nenhum foco.

Hora de despedir-se

§ 0

Como uma letra pode ser mais clara?
Se a caneta falha,
é hora de ir embora.

Escrevo no escuro

domingo, abril 22, 2012 § 0

Escrevo no escuro,
esperando a luz.

Separo o gerúndio.

Não posso rimar,
Não posso chorar.

Diga que não estou

quinta-feira, abril 19, 2012 § 0

Poderia viver apenas para estar
E se
Estaria vivo?

Francisca a meu lado

quarta-feira, abril 18, 2012 § 0

Me dizem que não sou suficiente
E não sou, se não sei o rap

A responsabilidade que existe
Existe
E se fecha

Clausura

Meu tempo
Um tempo só meu (onde se foi?)

Quero ser
Quero viver
Não se fecha
Me diz

Onde se foi?

O fruto do ambiente em que se vive
Quero viver

Ninguém nos entende
Ninguém nos vê

O obséquio, aquele que não vou, não voltou

Onde está meu ambiente, para que nasça meu fruto?
São árvores secas
São bruxas
Pode voltar, por aquele, o obséquio?

Meu fruto se foi, caiu de maduro, e não estive lá para pegá-lo

Um sol pode vir a cair bem

Somos a planta
Somos as árvores
Somos as bruxas
E os príncipes
Em português, para que se entenda
Que se encontre
Que se encoste
E que não me deixe
Não me esqueça
Não, me ame

Os olhos
Não me esquecem
Não os esqueço

Nosso fruto

Fogem das vozes
Não se enjoa?
Só se repete, e me enjoa
Não se vão, por que?

Um sol pode vir a cair bem, só me repito,
Só me repetem, repitam comigo

Um sol pode vir a cair bem

Poderia ter-me ido
Vão me encontrar
Meu esconderijo

A espinha do movimento

Querem que os salve
Mas ninguém vem me salvar
Só me repito
E não salvo ninguém

Me avisam do que não sei
Nem quero saber
E tenho raiva de quem sabe

Vou virar a natureza

O cheiro da tinta é o quadro vivo

Sou a criança, que ficou
Não voltou
Essa é a resposta
Qual é a próxima pergunta?

Eu disse

terça-feira, janeiro 10, 2012 § 0

E vai chegar, e vai subir.
Eu disse.
Ela disse.
E quem não ouviu? Ela, que não disse.
E se não disse, e nem ouviu, tampouco subiu, e nem vai, e nem vou, porque já sou, sem nem ao menos dizer.
E nem vai entender, pulando sem nem ver, mas se quem não vê sou eu, então já não posso mais escrever.
Pulou, e se foi. Eu disse.
Ela disse.
E quem não ouviu?
Eu, que deixei de dizer.

Artista do Espaço Sideral

sábado, julho 14, 2007 § 0

Me perguntam quem sou
Respondo "sou a dor"
Sou frescor
Sou conhecimento, sou a razão
Calor
Tesão

Querem saber que faço
Que asso? Quem caço?
Caço todos, todo dia
Vivo da carne de outros
Ardendo na minha, que agonia
Vivo do sangue, sou vampiro
Libertino

Me perguntam que cor tenho
Minha mão é vermelha
A outra é azul
De pintar o céu
Pintar o amor
Sou pintor
Sou escultor
Sou artista do mundo
Do universo
Do espaço sideral

Mineiro da Lua
Eletricista do Sol
Gari do lixo espacial

Me perguntam de onde venho
De seus desejos
Seus devaneios
Venho do bueiro, do esgoto
Do mar receoso
Das flores do canteiro

Cheiro a magnólias
A tulipas

Meus abraços de hera
De rosas vermelhas
Espinhos sinceros
Espinhos de amor
De um amor perfeito

Tenho mão vermelha
A outra azul
De pintar o céu
Pintar o amor
Sou pintor
Escultor
Sou artista do mundo
Do universo
Do espaço sideral
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