Ibrikless
terça-feira, agosto 31, 2010 Comments Off
A Morte, Para o Bem
quarta-feira, agosto 11, 2010 Comments Off
Que, desde o dia em que fomos apresentados, eles ouviriam falar de mim pelo resto de suas vidas, direta ou indiretamente, independentemente.
A vontade que eu tinha era de dizer a eles que ficassem tranqüilos.
Que engolissem a amargura e aceitassem, para o bem, que eu estaria presente em seus ouvidos para o sempre, para o bem.
A vontade que eu tinha era de ser aceito, imortal, entre eles, que morreriam.
Mas a verdade eu nunca disse, aquela vontade. Ao querer que engolissem minha verdade, entendi que era eu quem deveria engolir a mentira deles, de que eram eles os imortais e eu, pobre de mim, que morreria em breve.
Viverei toda a minha imortalidade fingindo estar esperando a morte fingindo estar admirando a imortalidade deles, os que morrerão.
A vontade que eu tinha era de dizer a eles a verdade: que eu sou imortal. Para o bem.
Mas me enterrariam vivo, para o sempre.
Para o bem.
Além
domingo, julho 18, 2010 Comments Off
Talvez nunca a ultrapasse.
E ainda assim, é possível ser feliz(?).
Como eu gostaria de tirar sua roupa
quinta-feira, julho 01, 2010 Comments Off
Como uma breve consciência prévia de uma resposta despida, certas perguntas não fazemos, como conscientes prévios da nudez do outro.
No fim, de qualquer forma, estamos ambos, ele e eu, conscientes, precavidos e, o mais importante, nus.
Balanço
quarta-feira, junho 23, 2010 Comments Off
Um bom homem come o miolo e joga as cascas para voltar ao lar
quarta-feira, março 31, 2010 Comments Off
Com isso, o povo do vilarejo fica inquieto, apreensivo, com medo do destino que sua vila pode tomar sem a liderança de seu senhor.
Nos seus últimos dias, no fim de uma manhã, ciente da preocupação que tomava conta de sua pequena aldeia, o senhor decide caminhar um pouco para tentar acalmar seu povo, e chama alguns de seus mais nobres homens para acompanhá-lo. Eles aceitam, obviamente, também preocupados que possa acontecer algo com seu senhor durante o longo percurso que ele estava disposto a percorrer.
No meio do caminho, depois de pouco tempo andando, o senhor pára em frente ao que deveria ser o início de uma das florestas que circunda a aldeia, e anda em direção a ela.
“Mas, Senhor, essa floresta nós nunca exploramos.”
“Mas eu gostaria de caminhar por aqui.” E assim eles o seguem.
Já no fim da tarde, o sol se põe, e o Senhor acende sua tocha para que eles possam continuar sua caminhada. Depois de um longo caminho percorrido para dentro da mata, o senhor começa a sentir grande cansaço e dores em suas pernas, que o obrigam a parar para descansar. Seus homens se afligem largamente, temendo que o pior acontecesse a seu líder, e tentam, assim, aliviar suas dores e repor suas energias.
Apesar de todos os esforços de seus homens, o senhor se sente pior a cada minuto que passa, não obtendo forças para guiar seus homens para fora da mata novamente. Assim, um deles tem uma grande idéia.
“Senhor, dê-me sua tocha, para que assim eu possa encontrar nosso caminho para fora dessas árvores, enquanto nossos homens te carregam seguindo-me.”
E o senhor se negou a entregar-lhe sua tocha.
“Mas, senhor, se não o fizer, nós nunca sairemos daqui.”
“Desculpe-me, meu homem, mas minha tocha não posso lhe entregar.”
E assim, outro teve outra diferente idéia.
“Senhor, poderia então me dizer onde encontrar uma tocha aqui nesta mata, já que a conhece tão bem, para que assim eu possa levar nossos homens para fora daqui.”
O senhor abre um grande sorriso, e responde-lhe.
“Isso eu também não posso fazer.”
Antes que o homem pudesse questionar seu líder, outro homem já se pronunciava, com o peito cheio e a voz límpida de quem havia matado a charada.
“Senhor, carregar-te-ei em minhas costas, e o senhor nos guiará para fora dessa terra sem fim.”
O senhor abre um sorriso ainda maior que o anterior e diz, com a voz já fraca das dores que sentia e da força que perdia.
“Isso, meu homem... Isso eu nunca faria também.”
Seus homens ecoam reprimendas pela floresta, perplexos com a atitude de seu líder que, a essa altura, já queriam abandonar ali, mas não o faziam porque tinham medo da floresta desconhecida que não sabiam como abandonar, e então decidiram ficar ali, à espera do amanhecer para, então, encontrar o caminho novamente. Mas a cada hora que passava, a fome apertava seus estômagos vazios cada vez mais, se tornando impossível ignorá-la.
Assim, no meio da noite, um dos homens do senhor entra na mata, abandonando o grupo. Os outros homens, ao notar sua ausência, riem e chamam-no de covarde e egoísta. Mas com tamanha fome, alguns já começam a considerar a idéia de fazer o mesmo, e abandonar o grupo em busca de comida antes que outros fizessem o mesmo.
Depois de a fome torturar-lhes por uma hora, os homens vêem uma pequena luz no meio das árvores se aproximando rapidamente, fazendo grande barulho por sobre as folhas caídas, e se preparam para atacar quando, então, notam ser o desertor voltando, agora com uma tocha feita de lenha e de parte de sua própria roupa. Ele, então, vira para o senhor e lhe diz, sem qualquer cautela:
“Senhor, agora tenho uma tocha e não importa o que disseres, irei procurar nosso caminho para fora daqui enquanto outros te carregam, ou seus homens morrerão de fome aqui e suas famílias ficarão desamparadas, e isso eu não quero.”
O senhor, então, levanta-se tranqüilamente e posiciona-se próximo ao homem da tocha.
“Carregar-me não será necessário. Mas, podemos ir, então?”
Os outros homens então, surpresos, questionam.
“Mas, senhor, não estavas machucado e desgastado?”
“Estou velho, mas ainda posso caminhar de volta ao meu lar.”
“Por que não o fez, então?”
“Porque nós precisávamos encontrar nosso novo líder antes que o velho líder morresse de uma hora para outra, sem nunca poder transmitir seus conhecimentos.”
“E por que não me passou sua tocha, para que eu pudesse nos guiar de volta para nossa vila?” o primeiro homem indagou.
“Porque um líder não é alguém que entregamos uma tocha acesa dizendo-lhe ‘lidere’. Um líder é aquele que não hesita em entrar no breu da mata desconhecida em busca de lenha para criar sua própria tocha e liderar seu próprio povo.”
E então o senhor apaga sua tocha no chão, deixando-a ali, e agrupa-se com os outros nobres homens restantes, esperando, então, que o homem com a nova tocha diga-lhes o caminho, para que todos reencontrem o conforto de suas famílias, em sua vila, ordenadamente.
Aritmofobia
quarta-feira, janeiro 06, 2010 Comments Off
"Qual seu salário?"
Os pêlos dos braços se arrepiam, a espinha gela, sentimos nossa coluna levemente se repuxar, pedindo para que troquemos de posição, e disfarçar o tamanho constrangimento, para então darmos uma resposta qualquer que estejamos habituados a dar de acordo com nossa personalidade.
Alguns são sinceros e declaram-se constrangidos; optam ou não por responder; respondem mentiras; e alguns poucos, raríssimos, respondem diretamente, secos, tão objetivos quanto a própria pergunta fora anteriormente, sem medo de um número, de o que ele possa representar, da reação que o outro possa ter, de seus julgamentos, independente de tudo. Seco. Um número. Uma resposta.
Esses são raros. Talvez sejam esses os que não temem seus objetivos. Nem temem não alcançá-los.
Talvez, o constrangimento do número seja pela confrontação. Não por revelar um segredo interno, por revelar o quanto vale seu dia-a-dia, por revelar quais restaurantes você pode freqüentar e quais não, quanto você provavelmente dá de gorjeta... Por nada disso. Talvez o medo seja pela confrontação de se enxergar até onde você foi na sua própria expectativa. Talvez, nos sentimos tão nus frente à pergunta por enxergarmos, naquele momento, o quão próximo estamos de nossas conquistas. E é esse o medo que temos.
Trabalhamos não pelo número. Nunca foi pelo número. Quantas vezes trabalhamos por números pequenos considerando a realização que aquilo nos traria? Mas, hoje, enxergamos o número como um parâmetro para medir nossas conquistas.
Nos envergonhamos frente à pergunta pelo medo de olhar nossa "barra de status". Para ver até onde nossa barra está cheia. Quanto falta para completá-la. Pelo medo de criarmos o paralelo entre a idade que temos, entre tudo o que já fizemos, o quanto já sofremos e vivemos, e o quanto já conquistamos. Porque esse paralelo, sim, nos dará o resultado de quanto falta para chegarmos aonde queremos. E é preciso uma confiança enorme para olhar para o resultado dessa equação.
É preciso uma confiança enorme para declarar, de forma seca e objetiva, um número. Um simples número. É preciso ter calma, viver plenamente, sem dúvidas, sem deixar nada passar, para se ter a tranqüilidade de olhar para si mesmo em terceira pessoa e ficar contente com a vida que se tem. É preciso confiança para se olhar o quanto falta para chegarmos aonde querermos e dizer que "está tudo bem, logo vem".
Só uma vida vivida vividamente, dia-a-dia, pode nos dar a calma necessária para poder enxergar tudo aquilo que ainda não somos e ainda assim não entrarmos em pânico.
Do Gato Maduro e a Velha Senhora
terça-feira, novembro 10, 2009 Comments Off
Leva sua vida de forma bastante solitária, mas sempre sorridente para com todos os outros. Na verdade, ninguém nunca desconfia de que ela seja uma senha bastante infeliz e insatisfeita.
Ela anda pelas ruas, homens e mulheres brancas, negras, de pele amarela, de tecido, vários sempre acompanhados, casais. Ela inveja secretamente isso. poder ter alguém consigo.
Um dia, um gato pula o muro para dentro de seu jardim. Tenta afugentá-lo, mas sem sucesso. Ela imagina que ele esteja com fome, e alimenta-o. O gato volta freqüentemente a partir de então, até que vira um novo morador da casa da velha senhora.
Com o passar do tempo, seu afeto pelo novo companheiro é tão grande que a velha senhora começa a misturar seus sentimentos, se apaixonando pelo gato maduro, mesmo que este nunca tenha mostrado grande empatia por ela. Talvez fosse isso que o tornasse tão atraente.
A velha senora tenta de todas as formas se aproximar do gato, forçando-o a se aproximar dela, até de forma literal, pressionando o corpo do gato conra si. O gato, tentando se afastar, gruda as longas unhas na pele de tecido da velha senhora e, descobre então, ser tão agradável afiá-las ali como fazia no sofá, na cama, e tem tudo que grudasse.
O gato não se afasta mais da velha senhora, sempre grudando e puxando suas longas unhas da pele de tecido da velha senhora, que inicialmente, acha a realização de seu sonho servir para o gato de alguma forma.
Depois de certo tempo, a senhora repara o enorme desgaste em sua pele devido ao gato, e repara estar se tornando cada vez mais desforme. A velha senhora, então, se determina a se afastar do gato o quanto antes, tentando expulsá-lo de sua casa, tirando sua comida, tudo que lhe interessava, mas ele não desistia, e se tornava ainda mais intolerante e determinado a afiar suas unhas na velha senhora, mesmo que não tivesse mais comida nem ela aparência, e continua, e continua, até que da velha senhora de tecidos não sobra nada além de intermináveis fios de tecido pela casa e só restado lá o gato maduro.
Maqêdo | Além das Pedras e Areias
terça-feira, março 03, 2009 Comments Off
Como um personagem incomum que, dentro de sua própria história, enxerga teu narrador como um de si. Um igual.
Maqêdo, como um personagem incomum, sem sê-lo de fato, aponta-me seus dedos grossos de sabedoria encardida olhando em desencontro aos olhos meus, dizendo-me silenciosamente que conhece mais do mundo que minhas palavras conhecem dele.
Este vê-me.
Como alguém incomum, alguém além, este testa-me a compreensão mostrando-se capaz de atravessar certos limites que acreditamos existir, enxergando além das pedras e areias com as quais nos encobrimos, reclusos, além da carne, além dos olhares, além das linhas, além do fim, além de nós, além de mim.
Este vê-me.
Ele
terça-feira, julho 29, 2008 Comments Off
Sombras da Cidade
quinta-feira, julho 24, 2008 Comments Off
Meus amigos e eu sempre acabavamos por entrar nas intermináveis discussões sobre a existência ou não de fantasmas. Sempre havia opinião de qualquer um dos lados da questão. E então havia eu - o que se mantinha em silêncio, se lembrando das sombras desenhadas nas paredes antes de dormir.
Hoje já não penso mais sobre isso. Me acostumei com a existência deles. Vejo-os todos os dias, em vários locais diferentes pelos quais passo todos os dias, religiosamente. E por todos os outros que acabo por ir também. Eles estão em todo lugar.
Hoje um deles estendeu o braço humilde enquanto eu cruzava ao seu lado. Resisti. Como eu disse, já me acostumei com sua existência. Não há nada que eu possa fazer. Apenas evito entrar em conflito, e então está tudo bem.
Antes que eu chegasse em meu escritório, encontrei com vários deles, distantes, ocultos nos cantos das largas ruas da capital paulista. Um menino de prováveis sete anos, uma menina de prováveis catorze, e outra de prováveis dezessete. Prováveis irmãos. Sujos. Sujos. Andavam juntos e então se espalhavam por entre as pessoas no ponto de ônibus, estendendo o braço insistentemente frente a elas que, assim como eu, aprenderam a não olhar.
Fantasmas não existem.
O sinal não abria, e comecei a ficar impaciente porque, lá longe, vi um deles se aproximando diretamente a meu carro. Meu vidro estava aberto pela metade, e isso não era suficiente. Ele era imundo. Seus dreadlocks deviam conter a maior quantidade possível de sujeiras da cidade grande. Sua calça e blusa - as mesmas desde que cruzei esta rua pela primeira vez. Hoje era de mim que ele se aproximava. De repente, me vi novamente deitado sobre a cama que não era minha, numa casa que não era a minha, no escuro, instantes antes de o sono bater. Estava vendo as sombras nas paredes percorrerem em minha direção. Mas dessa vez o sono não iria bater. Eu continuaria acordado, e o fantasma chegaria em mim. Minhas pernas tremiam.
Sua boca horrendamente torta, com sujeiras gosmentas no canto dela, e restos de comida grudados naquela barba grande crespa, e ele olhava diretamente aos meus olhos. Grunhia qualquer coisa de insano, enquanto estendia a mão preta de podridão em minha direção.
Fui firme. "É apenas um fantasma". Apertei rigidamente o botão, ao que o vidro sobe lentamente. E minhas pernas param de tremer. Não tinha mais com o que me preocupar.
"Ele não existe."
"Fantasmas não existem."
De Espaço
quinta-feira, julho 17, 2008 Comments Off
E ali resolvemos guardar nossa alma, com a ingênua certeza de que algo sem conteúdo devesse pertencer a um local inexistente.
Em Molduras Vazias
terça-feira, junho 24, 2008 Comments Off
Uma semana depois quis destruir. O irritava.
No dia seguinte amava novamente a pintura.
No fim de semana seguinte, o quadro se encontrava na lixeira. Ou os restos de.
Decidiu que aquele não o alegrava o suficiente. Devia haver cores frias em excesso. "Artistas e suas mensagens subliminares...". Comprou outro. Somente cores quentes. Um deserto sob toda a paixão do Sol. "Perfeito".
Em um mês, estava pendurado na parede da larga sala da vizinha pobre. "Cores em excesso. Artista exagerado".
Comprou outro. Outro. Outro. Decidiu no inverno fazer uma fogueira.
A parede então se encontrava vazia novamente. Sentou-se à frente dela e ficou em silêncio. Aguardou.
Decidiu então comprar uma moldura. E a moldura vazia pendurou. E uma televisão velha queimada comprou e na estante principal colocou. E nas paredes do espaçoso quarto, pequenas molduras vazias espalhadas esporadicamente.
"Ok. Agora posso ver e sentir o que eu quiser ver e sentir quando eu achar que deva ver e sentir."
Ele não comprou outras pinturas.
Da Liberdade da Alma
sábado, junho 21, 2008 Comments Off
16''
quinta-feira, junho 19, 2008 Comments Off
Contratempo
terça-feira, junho 17, 2008 Comments Off
Fica confuso e duvida de sua lucidez.
Volta à janela, e ainda nada lá, apesar de a manhã estar tão clara como sempre. Repara então nas sombras que, hoje, surgem no lado oposto ao qual deveria.
Corre para o lado oposto da casa, e escancara a porta, se assustando de imediato com um Sol inesperado. Com urgência, corre até ela na cozinha, que preparava o café, de pé, no exato mesmo lugar e com a mesma serenidade de todos os dias.
- Você está vendo!?
- O quê filho?
- O Sol!
- Sim. Vi sim.
- Mas.. O quê... !? ...
- Isso é Ele desistindo - ela diz, tranqüilamente, enquanto vira o bule sobre a xícara, que serve então a ele.
Ela percebe a contínua expressão de confusão nele, e tenta ser mais clara.
- Ele desistiu de nós. Como um artista que erra o traço, ele está, agora, apagando. Desistiu de nós e decidiu recomeçar do zero.
Pronuncia as últimas palavras virando a xícara em direção aos lábios, enquanto admira, apaticamente, as sombras no chão se aproximando de si, em efeito de um Sol nascente que, na verdade, começava a se pôr.
Be the Miracle
segunda-feira, junho 16, 2008 Comments Off
Antes Que Você Perceba Ser Humano
sábado, junho 14, 2008 Comments Off
Entrar em casas às quais nunca fui convidado e me sentar à mesa da cozinha falando sobre a novela local, esperando gentilmente que me sirvam um café, ou, oferendo-me pra tal.
Vou pegar as chaves, ajeitar o banco, e dirigir sem noção de tempo, espaço, vida, universo e tudo o mais, como fosse um jogo de vídeo game, daqueles que a gente senta e não desgruda até ter a certeza de que, enfim, acabou. E depois ainda volta e começa tudo outra vez, com a mesma paixão de antes.
Vou me apaixonar pela morena que cruzar na próxima rua à direita. Me casarei com ela, viveremos felizes para sempre, até quando não quisermos mais. E então me apaixonarei de novo, inconseqüentemente, por outras morenas, morenos, cachorros e alienígenas que a vida jogar sobre mim.
Inconseqüentemente.
Sem parar pra pensar, ou estudar, ou refletir. Apenas ir. Viver. Sem valores e regras e livros e métodos e formatos que tentem aplicar a mim. Sem valores alheios. Vou seguir a vida aos meus valores, ou até sem qualquer valor, ou moral, ou ética, ou qualquer coisa que me limite a... não viver.
Inconseqüentemente.
Vou me preocupar mais em ser feliz. Ignorar os olhares do mundo, e as expectativas sobre quem sou de pessoas que não são eu. Que não são eu. Vou me preocupar em viver.
Inconseqüentemente.
Virarei à esquerda quando tiver de virar à direita, e esperar encontrar o amor como num filme bonitinho onde tudo sempre dá certo. Tirando a parte onde tudo dá certo. Não quero que nada dê certo. Quero que aconteça. E que siga em frente. Quero crescer com cada tropeço, choro e despedidas que tiver de dar nessa vida. Todas as despedidas que tiver de dar nessa vida.
Vou parar de me preocupar em falar o correto, o belo, o esperado, o inteligente. Vou xingar e espernear por aquele que me abandonar, tudo pra crescer, e seguir em frente depois.
Vou virar jogador de futebol.
Talvez a predisposição a ser absolutamente nada do que eu pretendo me faça justamente ser o que eu deva ser. E não compreender de forma alguma o que essa frase diz é absolutamente compreensível e faz totalmente parte da arte de ser o que quiser ser, e ouvir o que quiser ouvir, e viver o que quiser viver.
Vou virar jogador de futebol, e abandonar a língua portuguesa, e cometer os maiores crimes gramaticais.
Será que, talvez, assim a gente se torne uma pessoa feliz?
O que pode me fazer uma pessoa feliz?
Vou aceitar os convites que me fizeram, terminar esse texto, e mostrá-lo a vocês. Talvez, assim, eu me torne uma pessoa feliz.
Outra de Amor e Dor
sexta-feira, maio 23, 2008 Comments Off
Ele então se curva em direção aos pés, e começa a retirar o cadarço de seu tênis. Se levanta de volta, pega o punho fechado da amiga, que começa a enrolar com o cordão, até dar fortes nós, que machucam a garota.
- Que porra...!?
- To te respondendo. É assim que me sinto.
- Com a mão pulsando de dor de tão presa que está!?
- Não a mão. O coração.
Prólogo à Vida
terça-feira, maio 20, 2008 Comments Off
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