A palavra vive
segunda-feira, agosto 26, 2013 § 0
Nascemos com a semente da palavra dentro de nós. Somos seu pergaminho, mantendo-a viva. Deixamos amadurecer, tomar cor, e então...
Vida!
Plantamos esta semente aqui, ali, vamos plantando a ideia em nosso caminho. Somos Elzéard Bouffier da ideologia, dos sentimentos. Cultivamos esta comunicação na esperança de se encontrar nos braços literários de outro.
Plantamos nossa palavra aguardando que outros cheguem e a reguem, a amem, digam palavras doces sobre suas folhas, sobre seus frutos; que os colham e utilizem-nos para salvar um enfermo, ou mesmo alguém que não saiba precisar do fruto da palavra.
Os frutos caem com o bater dos ventos, as sementes crescem, dão novas folhas, flores, novos frutos, novas palavras. A palavra se multiplica, a palavra se alastra, a palavra alcança.
A palavra vive.
Vida!
Plantamos esta semente aqui, ali, vamos plantando a ideia em nosso caminho. Somos Elzéard Bouffier da ideologia, dos sentimentos. Cultivamos esta comunicação na esperança de se encontrar nos braços literários de outro.
Plantamos nossa palavra aguardando que outros cheguem e a reguem, a amem, digam palavras doces sobre suas folhas, sobre seus frutos; que os colham e utilizem-nos para salvar um enfermo, ou mesmo alguém que não saiba precisar do fruto da palavra.
Os frutos caem com o bater dos ventos, as sementes crescem, dão novas folhas, flores, novos frutos, novas palavras. A palavra se multiplica, a palavra se alastra, a palavra alcança.
A palavra vive.
À procura
domingo, agosto 25, 2013 § 0
Encontre-se aqui, encontre-se ali. Encontre-se em si, encontre-se em mi.
Encontre-se assim, encontre-se sem fim, encontre-se em mim, encontre-se jasmim.
Encontre-se dor, encontre-se flor, encontre calor, encontre-se amor.
Encontre-se movimento, encontre-se temperamento, encontre-se envolvimento, encontre-se sentimento.
Encontre-se filosofia, encontre-se ideologia, encontre-se magia, encontre-se harmonia.
Encontre-se.
Encontre-se vida.
Encontre-se assim, encontre-se sem fim, encontre-se em mim, encontre-se jasmim.
Encontre-se dor, encontre-se flor, encontre calor, encontre-se amor.
Encontre-se movimento, encontre-se temperamento, encontre-se envolvimento, encontre-se sentimento.
Encontre-se filosofia, encontre-se ideologia, encontre-se magia, encontre-se harmonia.
Encontre-se.
Encontre-se vida.
Frio, o calor
sábado, agosto 24, 2013 § 0
O toque
o frio
o toque
no frio
o frio
no toque
aquece
a despedida
no toque
do frio
o frio
o toque
no frio
o frio
no toque
aquece
a despedida
no toque
do frio
Confirmação
sexta-feira, agosto 23, 2013 § 0
A confirmação é o ventre ao qual estamos convenientemente presos.
Rebele-se.
Rebele-se.
DIY
quinta-feira, agosto 22, 2013 § 0
Transcenda, transcenda-o, transcenda-se.
Seu recurso é você.
Você é seu pincel, você é sua cor, você é sua palavra.
Seu melhor pensamento é o sentir.
Seja sincero, seja verdadeiro, seja você.
Eu quero conhecer você.
Eles querem conhecer você.
Você quer conhecer você.
Seu sentimento te edifica.
Seu sentimento te traduz.
Seu recurso é você.
Você é seu pincel, você é sua cor, você é sua palavra.
Seu melhor pensamento é o sentir.
Seja sincero, seja verdadeiro, seja você.
Eu quero conhecer você.
Eles querem conhecer você.
Você quer conhecer você.
Seu sentimento te edifica.
Seu sentimento te traduz.
Fluidez
quarta-feira, agosto 21, 2013 § 0
Fluidez. Sim, esse é seu nome. Uma garota aparentemente qualquer chamada Fluidez.
Pode-se imaginar e anteceder sua personalidade, seus trejeitos, sua aparência e sentimentos, apenas por seu nome. Mas isso funciona apenas para nós, que estamos aqui, à beira de uma página, à beira do papel, à beira da poesia da árvore.
Já conhecemos a estrutura das intenções da palavra. Deciframos uma criatura apenas por seu nome mas, curiosamente, nossas expectativas e atitudes tornam-se outras se esta bela criatura existe.
A vida de Fluidez é uma enquanto atrelada às cores de uma caneta. Outra, quase oposta, quando atrelada à realidade da carne, dos órgãos, do respiro.
Tu tratas Fluidez com simpatia ao lê-la e imaginá-la.
Tu tratas Fluidez com amargor ao vê-la, conhecê-la, apertar-lhe as mãos.
"Fluidez? Que patético."
Assim como ela, escolheremos todos à viver uma vida nas páginas à atrever a enfrentar uma realidade cotidiana apoética.
Você conhece Fluidez.
Ela passou pelo seu caminho, você tirou sarro e seguiu adiante. Você a esqueceu para depois admirá-la em belas palavras de descrição.
Encontre-a hoje, ela está em todos os caminhos, em todos os lugares. Veja-a, ouça-a, ouça-a, ouça-a.
Uma palavra proclamada não pode valer menos que uma palavra escrita.
Pode-se imaginar e anteceder sua personalidade, seus trejeitos, sua aparência e sentimentos, apenas por seu nome. Mas isso funciona apenas para nós, que estamos aqui, à beira de uma página, à beira do papel, à beira da poesia da árvore.
Já conhecemos a estrutura das intenções da palavra. Deciframos uma criatura apenas por seu nome mas, curiosamente, nossas expectativas e atitudes tornam-se outras se esta bela criatura existe.
A vida de Fluidez é uma enquanto atrelada às cores de uma caneta. Outra, quase oposta, quando atrelada à realidade da carne, dos órgãos, do respiro.
Tu tratas Fluidez com simpatia ao lê-la e imaginá-la.
Tu tratas Fluidez com amargor ao vê-la, conhecê-la, apertar-lhe as mãos.
"Fluidez? Que patético."
Assim como ela, escolheremos todos à viver uma vida nas páginas à atrever a enfrentar uma realidade cotidiana apoética.
Você conhece Fluidez.
Ela passou pelo seu caminho, você tirou sarro e seguiu adiante. Você a esqueceu para depois admirá-la em belas palavras de descrição.
Encontre-a hoje, ela está em todos os caminhos, em todos os lugares. Veja-a, ouça-a, ouça-a, ouça-a.
Uma palavra proclamada não pode valer menos que uma palavra escrita.
Maqêdo | A raíz
terça-feira, agosto 20, 2013 § 0
Maqêdo tem seus leitores enquanto personagem, porém nenhum ouvinte enquanto pessoa.
Ele vive.
Você vive.
Eu vivo.
Porém eu sou visto, você é amado, Maqêdo é ignorado. Como é possível amar palavras mais que um ser vivo?
Eu o lia enquanto carne.
Tu o lês enquanto intangível.
Leia, por favor, leia, leia, leia seu próximo. A poesia vive na carne que respira.
Ele vive.
Você vive.
Eu vivo.
Porém eu sou visto, você é amado, Maqêdo é ignorado. Como é possível amar palavras mais que um ser vivo?
Eu o lia enquanto carne.
Tu o lês enquanto intangível.
Leia, por favor, leia, leia, leia seu próximo. A poesia vive na carne que respira.
O elemento cíclico
segunda-feira, agosto 19, 2013 § 0
De dentro da terra, ele se ergueu.
Não sabia o que era nome, o quera família, o que era destino, o que era.
Tinha a cor da mesma terra de onde se levantou, e logo ali, olhando para o buraco de onde saíra, entendeu: era filho da terra.
Andou alguns passos e abraçou uma árvore. Logo, entendeu o que era família, o que era afeto, ao ser coberto com as folhas que caíam de sua irmã. Era amado.
Animais passavam, pássaros cantavam, todos viviam. Logo, entendeu o que era casa.
Era filho da terra e queria, então, dar-lhe netos. Tirou sua perna e a plantou. A outra também. Depositou cada uma de suas partes em um local de sua casa, deixando-se, por último, onde poderia renascer e crescer vendo suas crias florescerem. Continuou, mesmo ao seu fim.
Da terra saiu, à terra voltou, e da terra retornou.
Não sabia o que era nome, o quera família, o que era destino, o que era.
Tinha a cor da mesma terra de onde se levantou, e logo ali, olhando para o buraco de onde saíra, entendeu: era filho da terra.
Andou alguns passos e abraçou uma árvore. Logo, entendeu o que era família, o que era afeto, ao ser coberto com as folhas que caíam de sua irmã. Era amado.
Animais passavam, pássaros cantavam, todos viviam. Logo, entendeu o que era casa.
Era filho da terra e queria, então, dar-lhe netos. Tirou sua perna e a plantou. A outra também. Depositou cada uma de suas partes em um local de sua casa, deixando-se, por último, onde poderia renascer e crescer vendo suas crias florescerem. Continuou, mesmo ao seu fim.
Da terra saiu, à terra voltou, e da terra retornou.
O não-ato final
domingo, agosto 18, 2013 § 0
O fim está próximo. E como todos nós, ele sabe. Sabe quase, meio sabe, sabe não. Quê? Fazer? Dizer? Ouvir? Quê? Ser? O que ser no fim?
Seria outro? Transformar-se-ia em um alguém outro quem. Transformar-se-ia em silêncio, invariavelmente, posteriormente. Poderia seu silêncio transformar-se em eco?
Retornaria. Retornaria? Como poderia se apegar ao eterno retorno quando não havia qualquer coisa mais à qual retornar?
Está. Existe. É. Agora. Há apenas o presente, e isto é tão absoluto quanto o sol que não nascerá amanhã.
Esvazia-se. Abre-se. Eleva-se. Alinha-se na órbita do presente, aquele, que recebemos de alguém querido.
Abraça seu presente. Agradece por seu presente. Alegra-se. Será ideia, será eco, será sentimento.
É sentimento.
Sente.
Sentiu, sente, sentirá.
Ao fim, o único verbo que lhe estava garantida a eterna conjugação.
Seria outro? Transformar-se-ia em um alguém outro quem. Transformar-se-ia em silêncio, invariavelmente, posteriormente. Poderia seu silêncio transformar-se em eco?
Retornaria. Retornaria? Como poderia se apegar ao eterno retorno quando não havia qualquer coisa mais à qual retornar?
Está. Existe. É. Agora. Há apenas o presente, e isto é tão absoluto quanto o sol que não nascerá amanhã.
Esvazia-se. Abre-se. Eleva-se. Alinha-se na órbita do presente, aquele, que recebemos de alguém querido.
Abraça seu presente. Agradece por seu presente. Alegra-se. Será ideia, será eco, será sentimento.
É sentimento.
Sente.
Sentiu, sente, sentirá.
Ao fim, o único verbo que lhe estava garantida a eterna conjugação.
Um salto
sábado, agosto 17, 2013 § 0
E se uma abstração se mostrar mais concreta do que se podia imaginar?
Talvez devêssemos remontar as peças e entender a imagem formada por este belo quebra-cabeça.
Sim, amo as curvas. Amo o precipício ao fim da estrada, mas amo mais o salto que é preciso dar para alcançar o outro lado dele, a outra beira, o outro limite.
Recomeçar uma estrada desconhecida, um país outro, outra língua, outro pensar.
Reconhecer-me no fundo dos olhos do desconhecido, e enxergar ali um outro eu, um outro "posso", um outro "consigo".
Seu melhor espelho é aquele que você espera que não o seja. É aquela surpresa de se identificar em grãos de terra, em uma fruta suspensa, no olhar de um gato.
Veja o outro, veja o próximo, veja o distante e veja o respiro, veja a vida, veja a mutação, veja a emoção.
Não deposite sua vida em uma linha reta. Ame as curvas, ame o salto.
Remonte seu quebra-cabeça, e veja a abstração te sintetizar.
Talvez devêssemos remontar as peças e entender a imagem formada por este belo quebra-cabeça.
Sim, amo as curvas. Amo o precipício ao fim da estrada, mas amo mais o salto que é preciso dar para alcançar o outro lado dele, a outra beira, o outro limite.
Recomeçar uma estrada desconhecida, um país outro, outra língua, outro pensar.
Reconhecer-me no fundo dos olhos do desconhecido, e enxergar ali um outro eu, um outro "posso", um outro "consigo".
Seu melhor espelho é aquele que você espera que não o seja. É aquela surpresa de se identificar em grãos de terra, em uma fruta suspensa, no olhar de um gato.
Veja o outro, veja o próximo, veja o distante e veja o respiro, veja a vida, veja a mutação, veja a emoção.
Não deposite sua vida em uma linha reta. Ame as curvas, ame o salto.
Remonte seu quebra-cabeça, e veja a abstração te sintetizar.
Uma convicção mútua
sexta-feira, agosto 16, 2013 § 0
"Venha a mim" ela disse.
Ele poderia corresponder às suas vontades, até mesmo um pouco às suas próprias, porém pairava sobre sua cabeça a dúvida de que isso realmente seria um recomeço. Poderia deixar tudo para trás?
Foi até ela. Se satisfizeram. Esqueceu tudo o que havia acontecido anteriormente.
A carne está envolta da ideologia.
Lambe-se suas crenças, chupa-se a idoneidade, tudo para chegar à carne, ao júbilo inigualável.
Quem eram aqueles dois que se levantavam agora não importava mais. Estavam preenchidos de uma satisfação maior do que a trazida pela conviccção.
Estavam convictos, sim... Convictos da carne.
Ele poderia corresponder às suas vontades, até mesmo um pouco às suas próprias, porém pairava sobre sua cabeça a dúvida de que isso realmente seria um recomeço. Poderia deixar tudo para trás?
Foi até ela. Se satisfizeram. Esqueceu tudo o que havia acontecido anteriormente.
A carne está envolta da ideologia.
Lambe-se suas crenças, chupa-se a idoneidade, tudo para chegar à carne, ao júbilo inigualável.
Quem eram aqueles dois que se levantavam agora não importava mais. Estavam preenchidos de uma satisfação maior do que a trazida pela conviccção.
Estavam convictos, sim... Convictos da carne.
Um imenso bem-estar
quinta-feira, agosto 15, 2013 § 0
Não se pode recomeçar por um vazio; reconectar as pontas soltas. Elas nunca se soltaram. Estão mais conectadas que nossos olhos desesperados conseguem ver.
Vamos seguindo, partindo de um novo capítulo, de novas perspectivas, de novas experiências.
Jamais voltar atrás, o horizonte está à frente, vejo-o por sob a névoa que criei.
Estou assoprando, abro meu caminho, meu compasso está a meu lado, segurando minhas mãos, mesmo se me esqueço em alguns momentos.
Não estamos sozinhos aqui, ninguém está. Não vemos, frequentemente não ouvimos, porém sentimos, acreditamos e seguimos este caminho compartilhado.
Ninguém trilha solitário um caminho de pedras. Vivemos todos em uma floresta, onde cada um escolhe sua árvore de referência e suas flores às quais perseguir. Mas estamos todos aqui, compartilhando das mesmas cores e nos reencontrando entre uma semente e outra.
Podemos seguir, até mesmo nos distrair, que encontraremos nosso lar, banhado em um imenso bem-estar.
Vamos seguindo, partindo de um novo capítulo, de novas perspectivas, de novas experiências.
Jamais voltar atrás, o horizonte está à frente, vejo-o por sob a névoa que criei.
Estou assoprando, abro meu caminho, meu compasso está a meu lado, segurando minhas mãos, mesmo se me esqueço em alguns momentos.
Não estamos sozinhos aqui, ninguém está. Não vemos, frequentemente não ouvimos, porém sentimos, acreditamos e seguimos este caminho compartilhado.
Ninguém trilha solitário um caminho de pedras. Vivemos todos em uma floresta, onde cada um escolhe sua árvore de referência e suas flores às quais perseguir. Mas estamos todos aqui, compartilhando das mesmas cores e nos reencontrando entre uma semente e outra.
Podemos seguir, até mesmo nos distrair, que encontraremos nosso lar, banhado em um imenso bem-estar.
Sem destino
sábado, fevereiro 09, 2013 § 0
Sem destino programado, pode-se viver cada sílaba de uma sentença caminhada, uma palavra extraída na xícara, e bebemos este dizer. Podemos ser este singelo refletir, ignorando a busca, a expectativa, o retorno somos nós, este é meu dinheiro.
Sem destino programado, caminho cada sentença de uma sílaba vivida, e assim percorro meu conhecer, uma frase sem fim, um ponto sem nó, a vírgula é esta minha parceira, e juntos continuaremos o meu não saber, o meu ir, o meu retornar, o meu partir.
Retorno, e me volto outra vez.
Sem destino programado, caminho cada sentença de uma sílaba vivida, e assim percorro meu conhecer, uma frase sem fim, um ponto sem nó, a vírgula é esta minha parceira, e juntos continuaremos o meu não saber, o meu ir, o meu retornar, o meu partir.
Retorno, e me volto outra vez.
Esta palpitação
quinta-feira, fevereiro 07, 2013 § 0
Vem de dentro, vem sem razão, jamais um “não”, eu quero sim, está em mim, sei de antemão que não tem fim, eu quero assim, uma sensação, dessas sem noção, é duro mas é profundo, é minha permissão, meu respiro, minha ação, de onde se nutre, se fortalece, e se percebe uma leve excitação, assim me envolve esta palpitação.
Maria Rosa
sábado, janeiro 19, 2013 § 0
Eu a conheço.
Conheço este cheiro de tranqüilidade ao aproximar meu imaginar de seu ser. Ela está. Ela é. Assim. Em mim. E nela. Ela por si só. Sem mim. Não precisa de minha criação para existir. Esteve aqui antes mesmo de eu chegar, apenas me aguardando me preparar para chegar e então narrar.
Tenho pouco a dizer sobre aquela ansiedade recorrente, afinal, ela não a sente. Tenho muito a aprender com seu não exagerar no pensar, com seu agir, com seu puro progredir. Faz, faz, faz, e não olha para trás, está além do limiar, está num outro como existir que só faz persistir, para assim poder se encontrar.
Encontro-a todas as manhãs na curva da esperança, às tardes no quarteirão da coragem, e às noites nos becos da perseverança. É a suave lembrança deste outro como reagir, de como se desinibir para então conquistar.
Conquista a mim, conquista a você, conquista a quem se deixar ouvir, quem se permitir enfim contemplar este leve reinar a si mesmo, reinar seu próprio corpo, reinar sua própria mente, reinar seu próprio desejo, e saber tê-lo em si. Não o tateia, não o aperta, apenas mantém o desejo guardado, visualizado, sabe tê-lo onde precisa, na hora certa exprimirá, deixará escorrer, condensará esta vontade em leveza, é assim, de um leve sentir que surge, que se cria, que me mostra este outro como viver.
Eu a conheço, e assim desejo ser. Mas se a compreendi, sei que não posso me limitar a desejar. O que posso me permitir é persistir.
O verso da prosa
quarta-feira, janeiro 16, 2013 § 0
A prosa é brava
mas disfarça
a farça
que me alveja
E a gente embarca
sem se despedir
e sem perceber
que estamos prontos para nos reconhecer
Já parti
e me transformei
ao regredir
àquilo que senti
E gostei
daquilo que me tornei
e agora sei
que não retornarei
Estarei comigo
conhecendo meu destino
e me determino
a ser meu amigo
Agora me planto em seu abrigo
para ser seu
e se me colhe com afinco
posso enfim ser eu
mas disfarça
a farça
que me alveja
E a gente embarca
sem se despedir
e sem perceber
que estamos prontos para nos reconhecer
Já parti
e me transformei
ao regredir
àquilo que senti
E gostei
daquilo que me tornei
e agora sei
que não retornarei
Estarei comigo
conhecendo meu destino
e me determino
a ser meu amigo
Agora me planto em seu abrigo
para ser seu
e se me colhe com afinco
posso enfim ser eu
Um encontro
Quem é ela?
Que injusto de minha parte, me iniciar com uma pergunta, e ainda, uma sem resposta. Não a conheço, talvez possa tê-la visto sem saber que era ela, por isso não posso descrevê-la, não posso narrá-la, posso apenas desejar um dia conhecê-la. Não sei bem quando. Sobre o destino, acredito nele quando eu o desejo, quando espero que realize-se, que me traga o que preciso. Acredito no destino por pura necessidade. Sei que preciso de alguém comigo, e sei que esse alguém é ela, com quem irei trombar num momento oportuno, onde poderei me desculpar apenas para então me apresentar. E então, ela saberá que eu sou ele.
Não. Assim como não sei seu nome, ela também não sabe o meu. Poderemos nos apresentar e ainda assim não nos reconhecermos. Terei de dizer algo bonito, algo agradável, ela retrucará, sei que ela será geniosa, gosto assim, das inalcançáveis, mesmo que estejamos perto, o rosto próximo do dela, ainda assim estarei tão longe. Ela será difícil, não poderei tocá-la até conquistá-la, mas não sei bem como. Não a conheço, não sei seus gostos e desgostos, seus sonhos e seus medos. Talvez seja melhor assim, poderei conhecê-la devagarzinho, saboreando cada sílaba de seu contar. Quero isso, me aproximar, nos tornarmos um. Mal posso esperar.
- Olá, desculpe, não pude deixar de notar você escrevendo. Parece conter tanta paixão enquanto o faz. O que você escreve?
- Dá licença moça, não vê que estou ocupado? Oras.
Como ia dizendo, mal posso esperar o dia em que esse encontro acontecer. Ainda bem que essa moça se foi. Posso continuar a escrever.
Que injusto de minha parte, me iniciar com uma pergunta, e ainda, uma sem resposta. Não a conheço, talvez possa tê-la visto sem saber que era ela, por isso não posso descrevê-la, não posso narrá-la, posso apenas desejar um dia conhecê-la. Não sei bem quando. Sobre o destino, acredito nele quando eu o desejo, quando espero que realize-se, que me traga o que preciso. Acredito no destino por pura necessidade. Sei que preciso de alguém comigo, e sei que esse alguém é ela, com quem irei trombar num momento oportuno, onde poderei me desculpar apenas para então me apresentar. E então, ela saberá que eu sou ele.
Não. Assim como não sei seu nome, ela também não sabe o meu. Poderemos nos apresentar e ainda assim não nos reconhecermos. Terei de dizer algo bonito, algo agradável, ela retrucará, sei que ela será geniosa, gosto assim, das inalcançáveis, mesmo que estejamos perto, o rosto próximo do dela, ainda assim estarei tão longe. Ela será difícil, não poderei tocá-la até conquistá-la, mas não sei bem como. Não a conheço, não sei seus gostos e desgostos, seus sonhos e seus medos. Talvez seja melhor assim, poderei conhecê-la devagarzinho, saboreando cada sílaba de seu contar. Quero isso, me aproximar, nos tornarmos um. Mal posso esperar.
- Olá, desculpe, não pude deixar de notar você escrevendo. Parece conter tanta paixão enquanto o faz. O que você escreve?
- Dá licença moça, não vê que estou ocupado? Oras.
Como ia dizendo, mal posso esperar o dia em que esse encontro acontecer. Ainda bem que essa moça se foi. Posso continuar a escrever.
Aquele toque
domingo, janeiro 13, 2013 § 0
Posso começar do fim, e dizer que o início é a turbulência. Claro, como poderia se iniciar na calma, numa demasiada fragilidade? A verdade que se configura é uma pura tempestade. Quantos pensamentos. É o aliciamento dos sentimentos, aqueles, que não possuímos, como a palavra que escrevo. São do outro. São dele, dela. Guardam os sentimentos na garganta, deixando seus desejos inflamarem, queimarem o corpo com tanta facilidade.
Posso começar do fim, e dizer que o início é o toque. Ele, justo ele, começa a história, quando sentimos o outro e percebemos constatamos sua realidade, construindo o que imaginamos, vendo urgir esta necessidade do corpo do outro, tanta sagacidade para unificar esta dualidade. Deixa-se escorrer a inabilidade para tornar-se o gestor da sensação. É, de antemão, o louco da paixão, e então toca. Toca o outro. O último ato é de fato o primeiro, onde germinam as sementes, pulsando este sentimento que retorna, que vem, e não se vai, apenas percorre o corpo dentro das veias, dentro da pele, é a própria carne que nos envolve, e nos devolve esta vontade, esta habilidade em dividir desta única verdade: a de que a saudade do toque é aquilo que nos move. Este tempo entre o toque é o enfoque do pensamento. Os segundos que o antecedem são esta eternidade, a dor de uma imensa ansiedade.
Posso acabar com o início, e dizer que o fim é, enfim, esta fragilidade.
Posso começar do fim, e dizer que o início é o toque. Ele, justo ele, começa a história, quando sentimos o outro e percebemos constatamos sua realidade, construindo o que imaginamos, vendo urgir esta necessidade do corpo do outro, tanta sagacidade para unificar esta dualidade. Deixa-se escorrer a inabilidade para tornar-se o gestor da sensação. É, de antemão, o louco da paixão, e então toca. Toca o outro. O último ato é de fato o primeiro, onde germinam as sementes, pulsando este sentimento que retorna, que vem, e não se vai, apenas percorre o corpo dentro das veias, dentro da pele, é a própria carne que nos envolve, e nos devolve esta vontade, esta habilidade em dividir desta única verdade: a de que a saudade do toque é aquilo que nos move. Este tempo entre o toque é o enfoque do pensamento. Os segundos que o antecedem são esta eternidade, a dor de uma imensa ansiedade.
Posso acabar com o início, e dizer que o fim é, enfim, esta fragilidade.
De Pétalas e Pólen
terça-feira, novembro 20, 2012 § 0
Por muito tempo, ela não veio. Não carregava mais meu perfume, meus
odores e frescores.
Via-me nela, assim como por muito tempo ela se via em mim. Confesso que
estávamos conectadas a um ritual diário de ver-se, reconhecer-se,
reapresentar-se. A conhecia diferente a cada dia. Naquela tarde abafada ela era
uma guerreira. Havia acabado de entrar no jardim após um longo dia matando
leões. Não, leões não, ela dizia que gostava dos animais. Matava baratas,
gigantes, do tamanho de um gato que tem o tamanho de um cachorro. Certamente
espreitava por entre os esgotos esperando o momento oportuno de dar o bote e
então bam! A cabeça e a barata eram dois. Mas não tome minhas ligeiras palavras
por uma ligeira ação. Sua tarefa foi mais difícil do que faço parecer, afinal, ela
era para mim uma guerreira naquele dia, pois, toda sua ação exprime-se
premeditada através de mim. Através de minhas palavras, seu dia era fácil, era
contornável, a via assim, destemida e tudo que tocava dobrava-se a sua vontade.
Mas o que eu conto são fadas. A verdade que ela carregava ao entrar no jardim
era o cansaço de quem havia sido a própria barata, e não a guerreira.
Ela me vê ali no jardim. Aproxima-se, aproxima seu rosto de mim e
confessa baixinho “queria ser uma flor” quando eu lhe respondo “você já é, a
mais vistosa de todo este jardim” mas minhas palavras não a alcançam. Ela
apenas me sente, me cheira, me ama, perfuma-se com meu amor e perfuma-me com
suas lágrimas de guerreira, e eu desabrocho um pouquinho mais colhendo sua
tristeza.
Naquela tarde chuvosa ela era uma princesa. Havia acabado de entrar no
jardim após um longo dia encantando príncipes, que a adornavam com coroas
floridas e colares colhidos, mas ela dizia que já tinha sua flor, não queria
outras. Então eles lhe traziam cabeças de touros ainda quentes, mas ela repetia
que amava os animais, menos as baratas gigantes, e então era isto o que eles
lhe traziam, gigantes, amassadas, mas ela dizia “quando fui guerreira, já matei
estes bichos”, e então eles não lhe traziam mais nada. Nem mais voltavam. Não
mais a adornavam, não mais a queriam. E então ela voltava ao jardim, só,
aproximava seu rosto de mim nesta tarde chuvosa e dizia baixinho “queria ser
uma flor” e eu repetia “você já é, a mais vistosa deste jardim” mas minhas
palavras não a alcançam, apenas meu cheiro a penetra e lhe diz “tu é amor”, e
ela sente, chora um pouquinho mais, e eu desabrocho um pouquinho mais, colho
sua solidão e a planto entre minhas pétalas, segura, assim como ela, só.
Mas este pólen é também alimento, é vida. Cuido de minha princesa, da
minha guerreira, mas cuido também de outros, que chegam dos céus, ligeiros, e
beijam-me apaixonadamente, me amam, nutro-os mas nutrem-me ainda mais. E em uma
tarde ensolarada, ao beijar-me, ele, que vem dos céus, chora. Percebo então que
ele acabara de alimentar-se da solidão que plantei entre minhas pétalas, e ele
entristece-se, chora, perturba-se e então me diz que não pode mais me ver. Voa
em busca de outras e não mais o vejo.
Outros vêm e também se vão. Logo, fico só.
Naquela tarde acinzentada ela era uma rainha. Havia acabado de entrar no
jardim após um longo dia ordenando, sacrificando sua maciez em prol de
resultados, deixando que seus súditos apenas a vissem assim, crua, não cruel,
apenas crua, sem os prazeres que eles tinham em vida. E isso a entristece,
mostrar-se assim, sem si, por isso aproxima seu rosto de mim e deixa suas
lágrimas caírem dizendo “queria ser uma flor” quando lhe digo “você já é, a
mais vistosa deste jardim”, mas minhas palavras não a alcançam. O que a penetra
é meu perfume, mas neste dia é mudo, é transparente, é, assim como suas
lágrimas, solitário. A solidão que plantou em mim transformou-se na ausência de
minha personalidade. Meu perfume não mais há, e então ela se vai também. No dia
seguinte, não volta. E depois, também.
Por muito tempo, ela não veio. Não carregava mais meu perfume, meus
odores e frescores, agora ausentes. Quisera eu, com minhas vontades de
natureza, que a natureza dela modificasse-se. Podia ser ela para mim uma flor
como eu, mas esta chora, esta enruga-se, as pétalas desta caem no chão a cada
sol poente, e não posso colhê-las, colho apenas sua agonia, que agora me
preenche e exalo de mim. Este odor ela sente, sem precisar entrar no jardim.
Percebe que sua flor está carregada de pesares, emanando esta aflição
corrosiva, fruto de sua própria solidão que despejou sobre ela, sobre mim.
Estou assim, aguardando, enfim.
Por fim, ela vem. Hoje ela é uma feiticeira, vejo nos seus olhos, vejo
os ingredientes dentro de si, quando vem, põe as finas mãos sobre mim e espalha
magicamente a tristeza de minhas costas, de meu rosto, afasta para longe esta magia,
a magia da solidão, que retira de mim como um véu que levanta-se para ver-se
iluminar-se,
enquanto me conta todas as maldições que precisou desfazer, todas as
magias que precisou reverter, como sofreu nas mãos de feiticeiros malévolos
quando me diz que enfim percebeu que havia sido enfeitiçada pela magia da
solidão, percebendo então o quanto sua natureza podia ser frágil, por isso diz,
baixinho, apenas para eu ouvir “queria ser uma flor” e não me canso de dizer
“você já é, a mais vistosa deste jardim” mas, como antes, minhas palavras não a
alcançam, o que a preenche é a beleza de meu perfume restaurado, retomado,
restabelecido, para exalar felicidade por mais um sol poente.
Neste sol poente, ela vem mais uma vez e vejo dali que hoje ela é uma
flor. Acaba de entrar no jardim após um longo dia cortejando pássaros dos mais
lindos que por ali passavam, cantava com eles, alimentava-os com toda sua alegria
contida entre suas pétalas, e assim ela chega, aproxima seu rosto de mim e diz
alto para todos escutarem “sou como você”, e eu repito no mesmo som “você
sempre foi”, mas minhas palavras não a alcançam, o que a aquece é minha
proximidade, quando enfim ela deita ao meu lado, por entre todas as flores do
jardim e adormece rapidamente, quando eu vejo então as pequenas folhas,
pequeninas, graciosas, verdes como meu caule, nascendo de suas pernas de
guerreira, de princesa, de feiticeira e agora, de flor. Crescem a cada
instante, percorrendo todas as curvas de suas pernas, de seu corpo, de seus
braços mirrados de menina, que diminuem aos poucos, se tornando cada vez mais
graciosos, mais ligeiros, mais sutis, ela é linda quando percebo-a pequena,
seus pés entrelaçando-se aos chãos, ela então ergue-se ereta, magistralmente
bela quando os pequenos botões abrem-se em longas pétalas resplandecendo-se sob
o sol poente. E então ela se vira a mim e diz alegremente “sou flor” e eu lhe
respondo “sempre fora”, e minhas palavras a alcançam, a preenchem, a renovam, e
então, como antes, vimo-nos uma na outra, entrando neste ritual de ver-se,
reconhecer-se, reapresentar-se. Não mais mata bichos gigantes, não mais corteja
príncipes interesseiros, não mais deixa-se enfeitiçar. Está, enfim, flor.
E, por muito tempo, ela não se foi.
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