Lucky Strike

quarta-feira, junho 20, 2012 § 0

Uma temeridade insípida penetra o corpo regurgitante, substituindo suas proezas pela propaganda de um mal anunciado, propagando sua enfermidade pelas palavras de condolência que não ousa cessar, sem se resguardar da ciência de fazê-lo contra suas vias de sobrevivência, trancando-lhe uma sobriedade da qual almeja se reconstruir, contudo tendo seus tijolos assentando-lhe a alma cada vez mais fundo na recorrência de uma invalidez desconsiderada, tua razão sinalizando a mão contrária à qual percorria assiduamente com os faróis desligados sob a névoa que, dissipando-lhe a lucidez, emoldurava-o num paradigma do qual ignorava ser capaz de se desvencilhar.
Sua memória resvala-se por cordilheiras de tempos obstruídos, ocupando-o com o deleite amargante da não realização das oportunidades que escorregavam por entre o ocre que emanava o sabor de uma solidão prematura e indesejada, renegando uma intuição da qual nunca pudera abdicar, pois não era sua para fazê-lo, assim como o próprio sujeito de sua morbidez, que dependia da boa vontade de seus predicados para regozijar-se de sua inabilidade em abnegar de sua condição de sombra para seus frutos, que assistia desprenderem-se sem seu herói para pegá-los habilmente em tempo suficiente para que se perdesse tudo pelo qual lutamos para conquistar, dia a dia, com a fé de que o próximo será melhor, não obstante um esforço, ainda que básico, em não zarpar os mapas desenhados por outros, para outros, tendo a paciência de descobrir o que foi traçado para si, a maturidade para conhecê-lo, a responsabilidade para percorrê-lo, e a hombridade para sê-lo, pois, somente com tamanha leveza se alcançará o patamar daquela história escrita para que somente nós mesmos pudéssemos protagonizá-la.

Descontínuo

terça-feira, junho 19, 2012 § 0

Nada continua, tudo descontinua
Olho no olho, dente no dente
Vesícula desajeitada, mulher caída
Dente no olho, vida passada

A Cura

segunda-feira, junho 18, 2012 § 0

A dor se cura com o tratamento adequado, prosseguido, e não abandonado.

Sentido

sábado, junho 16, 2012 § 0

Amor é de onde a gente vem, e pra onde a gente vai.

Um incorrigível desejar saber

quarta-feira, junho 13, 2012 § 0

Um incorrigível desejar saber é o pensamento nutrido não firmado em páginas cruas e não temperadas, embora desejadas por cozidas ou refogadas, numa fome insaciável do pão abençoado, frente um anseio iminente de tecer o não colorido e de comer o ainda não preparado, a partir de um passo não ensaiado e de um refúgio desistido. Uma linha prevista sobre uma folha frita, e acaba que o desconhecido se torna iludido, e o passado permanecido.

Um esforço básico

terça-feira, junho 12, 2012 § 0

Um esforço, ainda que básico, é bem vindo.
Não há necessidade de preocupação, mas sim de uma ocupação, ainda que básica.
É um bem pequeno e ainda que singelo, mas a intenção é boa e, portanto, reconhecida.
Pequena no tamanho, mas grande de natureza.
O importante é prosseguir, com fé e destreza, para conquistar a confiança dos gigantes que darão passagem.
Um esforço, ainda que básico, é bem vindo, não há dúvida.
Só é preciso acreditar em si mesmo e nas pessoas à sua volta.

Uma desatenção sabida

sexta-feira, junho 08, 2012 § 0

Hora de chegar
O desejo se realizar
O ser se verbalizar e, assim
se tornar
Um desejo respondido
Uma lâmpada externada
e a luz restaurada
O concerto programado
de um conserto assistido
O anseio nutrido de uma voz declamada
A paz cantada da alma memorizada
Uma voz sentida
Seus sentidos retomados numa conversão proibida
E, ainda, exaurida
aclamada e, ainda,
consentida
Uma subversão ao polemizado
Um pensamento gravado
O doce saboreado sob a condensação infindável do conhecimento pleiteado por conhecido
Um Saber desejado
Uma presença abstraída enquanto
abnegada
O quieto inquieto
Uma cabeça que se ergue
Se argumentaliza sem se negar
Seu retomar se equilibrar
Sua escrita se desenhar
Seu colorir se realizar
Seu repetir se exaurir
E sua paz permanecer
Uma vontade destilada
Concretizada após
fermentada
Uma mancha predestinada
Sua linha recobrada
O não dito reconhecido
E o rito concluído
Uma desatenção amada e,
portanto
sabida.

Êxito

sexta-feira, junho 01, 2012 § 0

O êxito, aquele que não
A excitação, que não
O não, aquele que hesito.

Erro

quinta-feira, maio 17, 2012 § 0

Pisa no pé do erro comedido.

Bem que ela sabia

§ 0

Medo até de escrever
Bem que ela sabia
Quanto conhecia
Me descreveria
E eu nem perceberia

Encontro

sábado, abril 28, 2012 § 0

O encontro do homem nômade se faz no despedir da meretriz.

Permanência

sexta-feira, abril 27, 2012 § 0

Tenta avisar que vai chegar, mas não me deixa saber se vai voltar.

Escrita

quinta-feira, abril 26, 2012 § 0

A escrita é a preguiça daquele que não fui.

Sem querer, nem esperar

quarta-feira, abril 25, 2012 § 0

Vira,
o verso.
Um amigo,
que se foi.
Sem querer
ou esperar
nem
antecipar
a preguiça
que é o ponto final
da droga que se consome
e o resultado é
aquele
que vimos
e viramos
como o verso
ou o amigo
que se foi.
(sem querer, nem esperar)

Foco

§ 0

Um foco,
dois focos.
Três focos,
nenhum foco.

Compliment

§ 0

O Diabo nos elogia.

Uma sabedoria perdida

§ 0

O álcool conecta os tempos, desde os perdidos e nunca ditos até os desejados por repreendidos.
É o (des)enclave do troll arrependido - a água santa do vampiro renegado.
A inconsistência é, por conseqüência,  o vazio na memória do elefante, que repreende, mas de vez, e retorna permissivamente como o peixe, aquele, de ouro.
Do Douro, questiono "onde foi que eu errei?", sem ter nem mesmo a humildade de viajar de volta para cá, que não é lá. Pois, sei, o prazer do Douro é imensurável, e tuas regalias estendem-se sobre os solos enriquecidos dos quais soberbo.
Continuo, sem irromper as capitanias ou laçar a natureza.
A venda dos cofres daria os barões necessários, e uma distância a mais nos posiciona de volta ao circo; não desvencilho, do qual, sei, errei, e uma vírgula não mudará.
Uma bênção que se busca é só o topo, da cereja, daquele doce que não ousamos comer, como a nutrição aquela da qual sabemos não podermos nos abstrair.
A correção é a confissão, tão nítida quanto todas as páginas nunca tecidas, num anseio num medo, numa pré-disposição ao pronome que não (tememos) pronunciamos.
O desejo é esse do qual não escrevemos. Não sabemos.
Nem, sequer, concordamos.
Uma sabedoria perdida.
Repito, uma sabedoria perdida.

Hora de despedir-se

§ 0

Como uma letra pode ser mais clara?
Se a caneta falha,
é hora de ir embora.

Sinal

terça-feira, abril 24, 2012 § 0

A dor que sinto é o sinal postergado.
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