Águas Secas de Um Corpo Sem Vida
sábado, janeiro 27, 2007 § 0
Há muito tempo, eu fui alguém sentimental.
Há muito tempo, roubaram a sensibilidade de mim.
Já fui doce, meigo, gentil, e tantas outras coisas nobres e admiráveis.
Hoje, sou um velho sem nada. Hoje, sou as carcaças deixadas pelas pessoas ao longo de minha vida.
Já fui jovem, belo, respeitado e admirado. Tudo isso foi roubado de mim.
Não sinto mais nada. Me roubaram a capacidade de sentir, de chorar, de me emocionar, de me irritar. Sou hoje a estátua-humana pintada de branco, que só serve para divertir e assustar.
Sou, hoje, pedaços de outros, pedaços de histórias, pedaços de experiências, de memórias. Sou um protótipo de sentimentos, um protótipo infuncional, um robô com problemas técnicos deixado de canto para a eternidade, substituído pela sua versão 2.0.
Sou hoje os pedaços que constituíram uma vida uma vez. Sou o monstro de Frankeinstein.
Mentira.
Nunca poderia sê-lo. O monstro, por mais horrível que fosse, havia sido abençoado com o poder da sensibilidade. Sou menos que o monstro. Eu sou um monstro de Frankeinstein que nunca deu certo. Não acordei, não senti, não respirei, não vivi. Só o que fui, foram pedaços. Pedaços de sentimentos, de mim, e outros.
Há muito tempo, roubaram a sensibilidade de mim.
Já fui doce, meigo, gentil, e tantas outras coisas nobres e admiráveis.
Hoje, sou um velho sem nada. Hoje, sou as carcaças deixadas pelas pessoas ao longo de minha vida.
Já fui jovem, belo, respeitado e admirado. Tudo isso foi roubado de mim.
Não sinto mais nada. Me roubaram a capacidade de sentir, de chorar, de me emocionar, de me irritar. Sou hoje a estátua-humana pintada de branco, que só serve para divertir e assustar.
Sou, hoje, pedaços de outros, pedaços de histórias, pedaços de experiências, de memórias. Sou um protótipo de sentimentos, um protótipo infuncional, um robô com problemas técnicos deixado de canto para a eternidade, substituído pela sua versão 2.0.
Sou hoje os pedaços que constituíram uma vida uma vez. Sou o monstro de Frankeinstein.
Mentira.
Nunca poderia sê-lo. O monstro, por mais horrível que fosse, havia sido abençoado com o poder da sensibilidade. Sou menos que o monstro. Eu sou um monstro de Frankeinstein que nunca deu certo. Não acordei, não senti, não respirei, não vivi. Só o que fui, foram pedaços. Pedaços de sentimentos, de mim, e outros.
O Segredo do Medo
domingo, janeiro 21, 2007 § 0
As pessoas têm medo de segredos.
Não.
O que as pessoas temem é não saber o segredo dos outros.
Ninguém tem medo dos próprios segredos. Ele está seguro, seguro conosco, protegido. O que nós sentimos pelos nossos próprios segredos não é medo, é remorso e/ou arrependimento, e acabamos confundindo esse remorso por medo.
E quanto aos segredos alheios, também não é medo que sentimos. É uma mistura de insegurança, curiosidade e inveja. Inveja de querer saber o que apenas elas sabem (porque saber é poder, e poder é algo que todos almejamos); curiosidade de saber o que pode ser tão importante que deva ser guardado; e insegurança de que aquilo possa te afetar de alguma forma caso fosse descoberto (porque, afinal, somos nós a questão, sempre).
As pessoas têm medo. Claro que tem. Mas não é medo do segredo, não é medo das outras pessoas. As pessoas temem a si próprias. Temem as coisas terríveis que são capazes de fazer, e que só elas sabem que poderiam.
As pessoas são seus próprios medos.
Você é seu próprio medo.
Não.
O que as pessoas temem é não saber o segredo dos outros.
Ninguém tem medo dos próprios segredos. Ele está seguro, seguro conosco, protegido. O que nós sentimos pelos nossos próprios segredos não é medo, é remorso e/ou arrependimento, e acabamos confundindo esse remorso por medo.
E quanto aos segredos alheios, também não é medo que sentimos. É uma mistura de insegurança, curiosidade e inveja. Inveja de querer saber o que apenas elas sabem (porque saber é poder, e poder é algo que todos almejamos); curiosidade de saber o que pode ser tão importante que deva ser guardado; e insegurança de que aquilo possa te afetar de alguma forma caso fosse descoberto (porque, afinal, somos nós a questão, sempre).
As pessoas têm medo. Claro que tem. Mas não é medo do segredo, não é medo das outras pessoas. As pessoas temem a si próprias. Temem as coisas terríveis que são capazes de fazer, e que só elas sabem que poderiam.
As pessoas são seus próprios medos.
Você é seu próprio medo.
De Brilhos e Pedras
segunda-feira, novembro 27, 2006 § 0
Conhecemos pessoas novas.
Ficamos fascinados por aquela pessoa, toda aquela beleza, aquelas palavras saindo de forma tão doce e delicada, aqueles questionamentos tão filosóficos.
Ficamos apaixonados por aquela pessoa, queremos conhecê-la mais e mais, e então começamos a conhecê-la, mais e mais.
Vamos cada vez mais fundo, e começamos a ver que a beleza não era tão bela, as palavras não eram tão doces, os questionamentos não eram tão filosóficos.
Profundo, fundo, a fundo, e percebemos que aquela pessoa tão especial não era tão diferente de nós mesmos.
Ou então, toda aquela semelhança que tinha conosco, na verdade era mais diferente do que imaginávamos.
De repente, o brilho do diamante se perde, tornando-o, mesmo que ainda um diamante, apenas mais uma pedra preciosa.
É preciosa, é rica, mas ainda assim, uma pedra.
Ficamos fascinados por aquela pessoa, toda aquela beleza, aquelas palavras saindo de forma tão doce e delicada, aqueles questionamentos tão filosóficos.
Ficamos apaixonados por aquela pessoa, queremos conhecê-la mais e mais, e então começamos a conhecê-la, mais e mais.
Vamos cada vez mais fundo, e começamos a ver que a beleza não era tão bela, as palavras não eram tão doces, os questionamentos não eram tão filosóficos.
Profundo, fundo, a fundo, e percebemos que aquela pessoa tão especial não era tão diferente de nós mesmos.
Ou então, toda aquela semelhança que tinha conosco, na verdade era mais diferente do que imaginávamos.
De repente, o brilho do diamante se perde, tornando-o, mesmo que ainda um diamante, apenas mais uma pedra preciosa.
É preciosa, é rica, mas ainda assim, uma pedra.
Gerundiando Dia-a-Dia
sexta-feira, novembro 24, 2006 § 0
Pessoas andando
Fugindo
Correndo
Pensando
Saindo
Entrando
Subindo
Controlando
Digirindo
Motivando
Ensinando
Caindo
Levantando
Pulando
Aprendendo
Abrindo
Fechando
Virando
Esquecendo
Sumindo
Se esvaindo...
Fugindo
Correndo
Pensando
Saindo
Entrando
Subindo
Controlando
Digirindo
Motivando
Ensinando
Caindo
Levantando
Pulando
Aprendendo
Abrindo
Fechando
Virando
Esquecendo
Sumindo
Se esvaindo...
A Cirurgia
terça-feira, outubro 17, 2006 § 0
A cirurgia foi inventada no dia em que o primeiro homem se atreveu a ir dentro de uma mulher.
(Em conseqüência disso, também foi inventado, além da cirurgia, o segundo homem).
(Em conseqüência disso, também foi inventado, além da cirurgia, o segundo homem).
Intro
quarta-feira, outubro 11, 2006 § 0
Ponto de interrogação.
Você já chegou a usá-lo?
Você já chegou a se questionar sobre a veracidade de algo?
Você já questionou o mundo?
Quem é o mundo?
Quem é você?
O que é aquilo que você vê na televisão todos os dias?
O que é a televisão?
O que são todas aquelas informações que transmitem a você?
Será que tudo aquilo é "benígno"?
Será que você é benígno?
Será que somos todos racionais?
Teríamos, nós, consciência de tudo?
Seríamos, nós, fantoches do mundo?
Fazemos jus a lei da ação e reação?
A mídia age, o governo age, o mundo age.
Deveríamos nós reagir?
Ou seria mais confortável permanecermos em estado catatônico?
Você já chegou a usá-lo?
Você já chegou a se questionar sobre a veracidade de algo?
Você já questionou o mundo?
Quem é o mundo?
Quem é você?
O que é aquilo que você vê na televisão todos os dias?
O que é a televisão?
O que são todas aquelas informações que transmitem a você?
Será que tudo aquilo é "benígno"?
Será que você é benígno?
Será que somos todos racionais?
Teríamos, nós, consciência de tudo?
Seríamos, nós, fantoches do mundo?
Fazemos jus a lei da ação e reação?
A mídia age, o governo age, o mundo age.
Deveríamos nós reagir?
Ou seria mais confortável permanecermos em estado catatônico?
Geralmente Pessoas
domingo, outubro 08, 2006 § 0
Algumas vezes, na presença de alguma pessoa, eu começo a perceber como a pessoa é única. Começo a reparar em como a pessoa é rica de características, de sentimentos, de histórias... E começo a perceber que uma pessoa é algo realmente extraordinário.
Não uma dúzia de pessoas, não 300.000 pessoas, mas uma pessoa.
E é nisso onde eu me pergunto, "por que as pessoas generalizam tanto"? Por que raios as pessoas tratam a si mesmas de uma forma geral, descompromissadas, desinteressadas?
É um pecado que uma pessoa só fique feliz se vir que conhece 400, 600, 1000 pessoas.
É preciso que se veja as pessoas de forma única, porque é isso; cada pessoa é uma pessoa. É preciso que as pessoas entendam que uma pessoa significa muitas coisas, muitos sentimentos, muitos pensamentos. Uma única pessoa é um "englobamento" de N características, de N histórias, e de N sentimentos. E parece que as pessoas estão se limitando a se tratarem de forma geral, como números, como se todas essas coisas que uma pessoa carrega significassem nada; como se tudo o que elas representam são números.
E é esse tipo de pensamento, esse tipo de ação superficial, que cria esses individualismos que matam uma sociedade, e a própria pessoa, fazendo-a se fechar em si, acabando sozinha, sem se importar com ninguém, mas querendo a todos.
Só o que as pessoas precisam é começar a se tratar de forma especial, como se cada pessoa fosse a única pessoa. Porque, basicamente, é isso: cada pessoa é a única pessoa, a partir do momento em que sabemos que ela é única. Deu pra entender?
Só o que é preciso, é que as pessoas tratem as coisas de forma mais pessoal. Só isso.
Não uma dúzia de pessoas, não 300.000 pessoas, mas uma pessoa.
E é nisso onde eu me pergunto, "por que as pessoas generalizam tanto"? Por que raios as pessoas tratam a si mesmas de uma forma geral, descompromissadas, desinteressadas?
É um pecado que uma pessoa só fique feliz se vir que conhece 400, 600, 1000 pessoas.
É preciso que se veja as pessoas de forma única, porque é isso; cada pessoa é uma pessoa. É preciso que as pessoas entendam que uma pessoa significa muitas coisas, muitos sentimentos, muitos pensamentos. Uma única pessoa é um "englobamento" de N características, de N histórias, e de N sentimentos. E parece que as pessoas estão se limitando a se tratarem de forma geral, como números, como se todas essas coisas que uma pessoa carrega significassem nada; como se tudo o que elas representam são números.
E é esse tipo de pensamento, esse tipo de ação superficial, que cria esses individualismos que matam uma sociedade, e a própria pessoa, fazendo-a se fechar em si, acabando sozinha, sem se importar com ninguém, mas querendo a todos.
Só o que as pessoas precisam é começar a se tratar de forma especial, como se cada pessoa fosse a única pessoa. Porque, basicamente, é isso: cada pessoa é a única pessoa, a partir do momento em que sabemos que ela é única. Deu pra entender?
Só o que é preciso, é que as pessoas tratem as coisas de forma mais pessoal. Só isso.
Bonecas de Tortura
domingo, setembro 24, 2006 § 0
Eu costumo reclamar incansavelmente das crianças, mas existem certos momentos que me levam a crer que quem sofre são elas.
Nós vivemos reprimidos na nossa sociedade, sem conseguir expressar nossos verdadeiros sentimentos, sem nem ao menos conseguir agir como realmente queríamos, e então, acabamos agindo de acordo com a sociedade.
Aí então nós vemos uma criança, um bebê, e lembramos instantaneamente que ela não tem noção de qualquer coisa, não entenderá nada do que fizermos, e nem ao menos se lembrará depois. E então o que fazemos? Começamos a torturar o pobre bebê, fazendo caretas, abrindo e fechando a boca de forma grotesca, fazendo as caras mais ridículas possíveis, tudo o que nós gostaríamos de fazer normalmente e não podemos. Usamos as crianças para liberar toda a merda que temos dentro de nós, e depois, ainda temos a cara de pau de ficar reclamando que elas são um pé no saco.
Se elas lembrassem de tudo isso depois, as chances de isso se tornar tão inaceitável socialmente quanto xingar seriam enormes.
Nós vivemos reprimidos na nossa sociedade, sem conseguir expressar nossos verdadeiros sentimentos, sem nem ao menos conseguir agir como realmente queríamos, e então, acabamos agindo de acordo com a sociedade.
Aí então nós vemos uma criança, um bebê, e lembramos instantaneamente que ela não tem noção de qualquer coisa, não entenderá nada do que fizermos, e nem ao menos se lembrará depois. E então o que fazemos? Começamos a torturar o pobre bebê, fazendo caretas, abrindo e fechando a boca de forma grotesca, fazendo as caras mais ridículas possíveis, tudo o que nós gostaríamos de fazer normalmente e não podemos. Usamos as crianças para liberar toda a merda que temos dentro de nós, e depois, ainda temos a cara de pau de ficar reclamando que elas são um pé no saco.
Se elas lembrassem de tudo isso depois, as chances de isso se tornar tão inaceitável socialmente quanto xingar seriam enormes.
Nota Sentimental
sábado, setembro 23, 2006 § 0
Eu acho excitante e admirável aqueles momentos de êxtase e felicidade em que sentimos a maior vontade de dizer "eu te amo".
Acho realmente uma delícia aquele momento de alegria, em que nos sentimos mais propícios a dizer "eu te amo" a quem amamos de verdade.
Mas não são nesses momentos em que expressamos nosso verdadeiro amor. Dizer que amamos nesses momentos é fácil.
O "eu te amo" mais sincero e verdadeiro, é aquele que vem depois de uma briga horrorosa, em fúria com a outra pessoa... O amor verdadeiro deve se expressar em todos os momentos, e quando tornamos possível dizer "eu te amo" no momento mais tenso entre a outra pessoa, é quando sabemos realmente que o que estamos dizendo é de coração.
Acho realmente uma delícia aquele momento de alegria, em que nos sentimos mais propícios a dizer "eu te amo" a quem amamos de verdade.
Mas não são nesses momentos em que expressamos nosso verdadeiro amor. Dizer que amamos nesses momentos é fácil.
O "eu te amo" mais sincero e verdadeiro, é aquele que vem depois de uma briga horrorosa, em fúria com a outra pessoa... O amor verdadeiro deve se expressar em todos os momentos, e quando tornamos possível dizer "eu te amo" no momento mais tenso entre a outra pessoa, é quando sabemos realmente que o que estamos dizendo é de coração.
Ideobilidade Sensiológica
sexta-feira, setembro 22, 2006 § 0
Estamos tão certos de que conhecemos nosso mundo, nossa vida, nossa existência.
Estamos tão crentes de que temos consciência sobre o que acontece conosco.
Temos a certeza absoluta de que sabemos do que acontece a nossa volta, porque temos a visão, podemos ver o que acontece; temos o olfato, podemos sentir o odor do que nos rodeia; temos o tato, podemos sentir a presença do que é concreto; temos a audição, o que nos dá o poder de ouvir há metros de distância algum som característico de algo; e, claro, temos o paladar, o que nos dá uma característica a mais do que está em questão.
E por tudo isso, acreditamos conhecer o que acontece a nossa volta.
Mas e se algo mais está acontecendo, e não sabemos? E se algo está acontecendo a nossa volta, e não temos o veículo necessário para perceber?
Como podemos dizer que conhecemos o que nos rodeia, porque temos os 5 sentidos? Aonde entra o 6º?
E se tudo tem uma característica a mais, e nós só perceberíamos se tivessémos um específico sentido a mais? Como sabemos que tudo o que pode ser sentido de um objeto são o paladar, o tato, olfato, audição ou visão?
Talvez, afinal, somos uma espécie limitada. Talvez a existência tenha muito mais características do que o que conhecemos. Talvez sejamos grosseiros e arrogantes a ponto de pressupor que todas as coisas tenham apenas 5 caracteristicas. Talvez sejamos estúpidos em pressupor que tudo o que as coisas podem nos mostrar, é tudo o que nós podemos sentir.
Talvez sejamos realmente limitados... Limitados a pressupor que não somos limitados.
Estamos tão crentes de que temos consciência sobre o que acontece conosco.
Temos a certeza absoluta de que sabemos do que acontece a nossa volta, porque temos a visão, podemos ver o que acontece; temos o olfato, podemos sentir o odor do que nos rodeia; temos o tato, podemos sentir a presença do que é concreto; temos a audição, o que nos dá o poder de ouvir há metros de distância algum som característico de algo; e, claro, temos o paladar, o que nos dá uma característica a mais do que está em questão.
E por tudo isso, acreditamos conhecer o que acontece a nossa volta.
Mas e se algo mais está acontecendo, e não sabemos? E se algo está acontecendo a nossa volta, e não temos o veículo necessário para perceber?
Como podemos dizer que conhecemos o que nos rodeia, porque temos os 5 sentidos? Aonde entra o 6º?
E se tudo tem uma característica a mais, e nós só perceberíamos se tivessémos um específico sentido a mais? Como sabemos que tudo o que pode ser sentido de um objeto são o paladar, o tato, olfato, audição ou visão?
Talvez, afinal, somos uma espécie limitada. Talvez a existência tenha muito mais características do que o que conhecemos. Talvez sejamos grosseiros e arrogantes a ponto de pressupor que todas as coisas tenham apenas 5 caracteristicas. Talvez sejamos estúpidos em pressupor que tudo o que as coisas podem nos mostrar, é tudo o que nós podemos sentir.
Talvez sejamos realmente limitados... Limitados a pressupor que não somos limitados.
A Mulher Que Tudo E Nada Via
sexta-feira, setembro 15, 2006 § 0
Algumas vezes, só algumas vezes, eu gostaria de poder exergar o mundo como as outras pessoas. Mesmo que elas vejam o mundo superficialmente, mesmo que cada uma veja de um jeito, mesmo que muitos não prestem atenção; só algumas vezes, eu gostaria de poder ver o mundo dessa forma simplista, mesmo que só por alguns momentos.
Me dizem que o mundo é cheio de cores, de formatos, de curvas, de retas, traços, cadarços... Talvez eu veja o mundo de forma muito mais completa que muitas pessoas; talvez eu sinta o universo mais do que muitos. Mas mesmo assim, eu gostaria de ver como tudo é.
É como as pessoas aqui na Terra. Todas vivem aqui, fazem coisas aqui, vêem o que tem aqui, sentem o que tem aqui, mas todos gostariam de ter aquela visão ampla do planeta, vista da Lua, por exemplo. É isso. Eu sinto as coisas, eu percebo as coisas, eu tenho gostos e desgostos pelas coisas, mas mesmo assim eu gostaria de ter aquela visão ampla de tudo.
Eu sinto tudo. Eu estou no éter da existencia. Eu estou no nucleo das coisas, eu sinto tudo, eu posso saber de tudo o que acontece com aquela coisa, eu estou dentro, eu estou no lugar mais profundo, que olho nenhum poderia sentir, mas eu quero ver tudo por cima, eu quero subir aos céus, e ver o que as coisas realmente são.
Os traços são inuteis, as cores são desnecessarias, mas eu gostaria de vê-las.
Eu queria, apenas por instantes, poder ver o mundo de uma forma superficial como todos podem.
Eu quero ir ao espaço, e ver o que todos e ninguém vêem.
Me dizem que o mundo é cheio de cores, de formatos, de curvas, de retas, traços, cadarços... Talvez eu veja o mundo de forma muito mais completa que muitas pessoas; talvez eu sinta o universo mais do que muitos. Mas mesmo assim, eu gostaria de ver como tudo é.
É como as pessoas aqui na Terra. Todas vivem aqui, fazem coisas aqui, vêem o que tem aqui, sentem o que tem aqui, mas todos gostariam de ter aquela visão ampla do planeta, vista da Lua, por exemplo. É isso. Eu sinto as coisas, eu percebo as coisas, eu tenho gostos e desgostos pelas coisas, mas mesmo assim eu gostaria de ter aquela visão ampla de tudo.
Eu sinto tudo. Eu estou no éter da existencia. Eu estou no nucleo das coisas, eu sinto tudo, eu posso saber de tudo o que acontece com aquela coisa, eu estou dentro, eu estou no lugar mais profundo, que olho nenhum poderia sentir, mas eu quero ver tudo por cima, eu quero subir aos céus, e ver o que as coisas realmente são.
Os traços são inuteis, as cores são desnecessarias, mas eu gostaria de vê-las.
Eu queria, apenas por instantes, poder ver o mundo de uma forma superficial como todos podem.
Eu quero ir ao espaço, e ver o que todos e ninguém vêem.
A Comédia das Entrevistas
quinta-feira, agosto 24, 2006 § 0
Uma coisa que deve ser sempre admirada é a entrevista de emprego. A fauna natural, aquela natureza e o convívio dos animais é cliché perto da entrevista de emprego.
Tudo começa com um comentário ao ar de alguém com déficit de atenção, talvez sobre o tempo, ou então criticando alguma coisa.
O terreno é totalmente desconhecido: não se sabe que lugar é aquele, como deve ser lá dentro, nem quem raios são aquelas outras pessoas, então alguns se sentem na necessidade de conhecê-las, e mesmo com tantos assuntos para escolher, tanta coisa acontecendo no mundo, o infeliz insiste em começar a conversa falando de trabalho, como se a própria situação não fosse o suficiente para sanar esse assunto. E pior, como se falar de emprego não fosse suficiente, começa então a falar sobre justamente a falta de emprego.
"Não! Todas as pessoas aqui estão empregadas, com salário fixo no fim do mês, ganhando bem, e sustentando a família; estão aqui só de mentirinha", de repente me vem na cabeça.
E o mais engraçado é quando alguns começam a compartilhar de histórias de entrevistas, pegadinhas em entrevistas, e blablabla; engraçado porque eles falam de tudo, o que aconteceu, como aconteceu, mas nunca dizem como se livraram da situação. É assim: "eu compartilho com você a parte engraçada; as táticas ficam pra mim. ;)"
Assim vai passando o tempo, as pessoas todas lá esperando sua vez, como se estivessem na sala de espera do próprio dentista, e então sai aquele recém-entrevistado. As pessoas se seguram em suas cadeiras pra não agarrá-lo gritando "como foi!? como foi!?", e resistem honrosamente, até que lhe vem na cabeça que não te importa como foi, porque você se sairá melhor, então, naquela overdose de hipocrisia, você vai e solta "ah, tchau! E... Boa sorte...".
É claro que ela não está desejando boa sorte. Tudo o que ela não quer é que a outra tenha sorte. Ela está se remoendo por dentro em pensamentos do tipo "deve ter espirrado na cara do entrevistador...", ou os mais inseguros, "vai ser atropelado, pobrezinho". E o recém-entrevistado, ouvindo a outra desejando boa sorte, tem plena consciência de que ela deseja exatamente o oposto, mas decide responder à altura, e então solta um "Muito obrigado!", e não contente, querendo superar a idiotisse da primeira pessoa, completa com "Boa sorte pra você também!".
5 segundos depois, os dois viram as costas um pro outro, e o rosto sorridente vira aquela cara de velha-mal-comida, estampado na testa "Eu estava mentido! Ha Ha Ha!".
Lógico que ao final do dia, ninguém mais lembrará de qualquer um deles, com excessão daquela dupla que sempre tem em todas as entrevistas, do rapaz solteiro flertando com a peituda indisponível, mas até ai, existe até no supermercado.
Um dia eu também escrevo sobre a comédia do supermercado, mas nunca você vai achar alguém no supermercado tão hipócrita quanto a galera da entrevista (obviamente, com excessão daquela velha sem vergonha que puxa papo com você na fila do caixa, e sutilmente vai enfiando o carrinho na sua frente, mesmo que seja o caixa rápido, e você só tenha um pacote de bolachas e uma caixa de leite na cesta, mas isso já é outra história).
Tudo começa com um comentário ao ar de alguém com déficit de atenção, talvez sobre o tempo, ou então criticando alguma coisa.
O terreno é totalmente desconhecido: não se sabe que lugar é aquele, como deve ser lá dentro, nem quem raios são aquelas outras pessoas, então alguns se sentem na necessidade de conhecê-las, e mesmo com tantos assuntos para escolher, tanta coisa acontecendo no mundo, o infeliz insiste em começar a conversa falando de trabalho, como se a própria situação não fosse o suficiente para sanar esse assunto. E pior, como se falar de emprego não fosse suficiente, começa então a falar sobre justamente a falta de emprego.
"Não! Todas as pessoas aqui estão empregadas, com salário fixo no fim do mês, ganhando bem, e sustentando a família; estão aqui só de mentirinha", de repente me vem na cabeça.
E o mais engraçado é quando alguns começam a compartilhar de histórias de entrevistas, pegadinhas em entrevistas, e blablabla; engraçado porque eles falam de tudo, o que aconteceu, como aconteceu, mas nunca dizem como se livraram da situação. É assim: "eu compartilho com você a parte engraçada; as táticas ficam pra mim. ;)"
Assim vai passando o tempo, as pessoas todas lá esperando sua vez, como se estivessem na sala de espera do próprio dentista, e então sai aquele recém-entrevistado. As pessoas se seguram em suas cadeiras pra não agarrá-lo gritando "como foi!? como foi!?", e resistem honrosamente, até que lhe vem na cabeça que não te importa como foi, porque você se sairá melhor, então, naquela overdose de hipocrisia, você vai e solta "ah, tchau! E... Boa sorte...".
É claro que ela não está desejando boa sorte. Tudo o que ela não quer é que a outra tenha sorte. Ela está se remoendo por dentro em pensamentos do tipo "deve ter espirrado na cara do entrevistador...", ou os mais inseguros, "vai ser atropelado, pobrezinho". E o recém-entrevistado, ouvindo a outra desejando boa sorte, tem plena consciência de que ela deseja exatamente o oposto, mas decide responder à altura, e então solta um "Muito obrigado!", e não contente, querendo superar a idiotisse da primeira pessoa, completa com "Boa sorte pra você também!".
5 segundos depois, os dois viram as costas um pro outro, e o rosto sorridente vira aquela cara de velha-mal-comida, estampado na testa "Eu estava mentido! Ha Ha Ha!".
Lógico que ao final do dia, ninguém mais lembrará de qualquer um deles, com excessão daquela dupla que sempre tem em todas as entrevistas, do rapaz solteiro flertando com a peituda indisponível, mas até ai, existe até no supermercado.
Um dia eu também escrevo sobre a comédia do supermercado, mas nunca você vai achar alguém no supermercado tão hipócrita quanto a galera da entrevista (obviamente, com excessão daquela velha sem vergonha que puxa papo com você na fila do caixa, e sutilmente vai enfiando o carrinho na sua frente, mesmo que seja o caixa rápido, e você só tenha um pacote de bolachas e uma caixa de leite na cesta, mas isso já é outra história).
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